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4 Apr 2025, Fri

Embananada AIBA | Blog Blog do Daniel Fucs

Saudações Pugilísticas.

 

Boxe corre risco de ficar fora dos Jogos Olímpicos?

 

Quando o presidente por décadas da AIBA Associação Internacional de Boxe, o paquistanês Anwar Chaudhry, foi derrotado nas eleições de 2006 pelo taiwanês/chinês Ching Kuo Wu, o resultado agradou a maior parte da comunidade pugilística.

 

Apesar de alguns pontos positivos na condução da AIBA por Chaudhry, existiam temas controversos na sua gestão, inclusive administrativos.

 

 

 

O início da governança Wu foi auspicioso. Tudo levava a crer que este ex-jogador de basquete, que parecia não entender de boxe, paradoxalmente poderia elevar a modalidade conhecida como boxe olímpico (e posteriormente open boxe) tornando-a maior ainda.

 

Mas a lua de mel durou pouco tempo. Algumas atitudes de Wu foram surpreendentes. Entre elas, pode-se destacar a necessidade de, com pouco tempo à frente da AIBA, se candidatar à presidência do IOC Comitê Olímpico Internacional. Foi uma derrota humilhante.

 

Outro ponto incrível foi a ilusão que dominaria o boxe profissional mundial. Meteu-se com o pugilismo profissional, incentivando o desenvolvimento de organismos dentro da própria entidade, que praticavam o boxe remunerado. No entanto, foi esperto o bastante para não permitir que os atletas boxeassem com profissionais de verdade. Não é preciso dizer o que aconteceria na maioria das lutas se enfrentassem os melhores boxeadores profissionais.

 

Avisou as federações nacionais que tinham prazo de três anos para abandonarem o boxe remunerado. A Confederação Brasileira antecipou-se, e parecendo querer agradar à Associação imediatamente abriu mão do boxe profissional sem aguardar o prazo final. Uma grande bobagem. Federações de países os quais mantenho contatos como, por exemplo, Argentina e Itália aguardaram o prazo antes da tomada de decisão. Com novas alterações surgidas às vésperas do vencimento do prazo, ambas continuam a controlar o boxe remunerado.

 

Logo depois, a AIBA informou que permitiria boxeadores profissionais participarem dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Não consegui conter o riso com as especulações que colocavam os irmãos Klitschko, Mayweather, Pacquiao e tantos outros como possíveis disputantes. Os poucos profissionais que participaram das seletivas e estiveram no Rio de Janeiro não eram boxeadores da primeira linha e não foram bem.

 

Vou parar por aqui sobre o ex-presidente Wu. Já é o bastante. Com a pressão sofrida devido às decisões erradas e os problemas financeiros que levaram a AIBA a uma situação ruim, a saída de Ching Kuo Wu foi negociada levando-o à renúncia.

 

Pelos estatutos da entidade, o vice-presidente mais velho deveria neste momento estar no lugar do Wu. Por diversas razões, algumas desconhecidas, o cargo está entregue ao uzbeque Gafur Rahimov. Pesam sobre Rahimov acusações de tráfico de drogas, o que é veementemente negado pelo empresário.     

 

 

A imprensa tem noticiado que o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos não permite que nenhum cidadão norte-americano mantenha relações comerciais com o empresário uzbeque. Segundo os noticiários internacionais, os Estados Unidos teriam congelado os bens de Rahimov naquele país.

 

A AIBA realizará as próximas eleições do organismo no início de novembro. Gafur Rahimov é candidato único. O único adversário de Rahimov para as eleições seria o ex-pugilista cazaque, Serik Konakbayev. Ocorre que Konakbayev apresentou a lista de 20 federações internacionais que o apoiam, exigidas pelos estatutos da entidade, no dia 24 de setembro, um dia após o prazo determinado e sua candidatura foi recusada.

 

Konakbayev está apelando para s Corte de Arbitragem do Esporte. Alega que pelas leis suíças, país que sedia a AIBA, pelo fato do dia 23 ser um domingo, o dia imediatamente útil após precisa ser considerado.

 

Não se sabe como o assunto terminará, mas o fato é que o IOC Comitê Olímpico Internacional manifestou preocupações com a situação atual da AIBA e caso a mesma permaneça, o boxe poderá ficar de fora da próxima edição dos Jogos Olímpicos.

Isso seria um desastre.

Se ficar de fora dos Jogos Olímpicos, o open boxe, boxe olímpico, boxe amador, ou o nome que queiram chamar, perderá tanta força que poderá ficar sem razão de existir da forma como o conhecemos.

 

Esperemos que o bom senso prevaleça.



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