Saudações Pugilísticas.
Conforme divulgado anteriormente pela coluna, neste sábado, 13, o americano Terence Crawford (33-0, 24 KO) colocará em jogo a coroa WBO dos meio médios enfrentando o compatriota Jose Benavidez Jr (27-0, 18 KO), 10° colocado no ranking do organismo.
Crawford é um dos maiores boxeadores da atualidade e atua da mesma forma como canhoto ou destro. Num fato raríssimo, o americano unificou os títulos dos quatro organismos de credibilidade (WBA-WBO-WBC-IBF) na categoria super leve, em agosto de 2017.
Antes de ser campeão super leve unificado, Crawford foi campeão WBO na categoria peso leve.
Terence Crawford iniciou-se no boxe aos 7 anos de idade, depois do seu envolvimento em brigas com outras crianças. Foi convidado por um vizinho, dono de academia de boxe, para visitar o local das aulas. Foi na mesma academia, a CW Boxing Club, que o avô, o pai e o tio de Terence treinaram boxe no passado.
No amadorismo, Crawford foi vice-campeão do Golden Gloves de 2006, num resultado polêmico, pois derrubou Jesus Mendez na final duas vezes e perdeu o combate. Ainda em 2006, foi medalha de bronze no Campeonato Nacional de Boxe dos Estados Unidos.
Um incidente no início da carreira profissional mudou a sua vida. Integrante de uma gangue de rua, o boxeador participou de um jogo de dados ilegal na véspera de sua primeira luta com transmissão pela TV. Quando contava o dinheiro ganho na jogatina, dentro de um carro, atiraram nele. A coluna do carro desviou a bala, amortecendo o projétil que o atingiu de leve na cabeça. Após ser medicado, Terence voltou para a casa e poucos dias depois foi informado que a namorada estava grávida. Estes dois fatos levaram-no a alterar os procedimentos de conduta. Passou a dedicar-se ao boxe e à família.
Nonito Donaire, Andre Ward e Timothy Bradley elogiaram Crawford no início da sua carreira profissional e comentaram que poderia se tornar campeão mundial, o que de fato aconteceu, em 2014, na categoria leve (61,235 kg). Em abril de 2015 subiu de peso para arrebatar a coroa WBO dos super leves (63,503 kg). Vitórias sobre adversários como Yuriorkis Gamboa, Breidis Prescott e Ricky Burns, colocaram-no, já naquela ocasião, como um dos principais boxeadores da atualidade.
A vitória sobre Jeff Horn, quando conquistou o trono meio médio após abdicar dos títulos super leves das quatro entidades de relevância (WBC-WBA-IBF-WBO), teve uma performance por parte de Crawford tão superior à do então campeão, que de certa maneira comprovou a injustiça na derrota de Manny Pacquiao para o australiano.
Sua capacidade de trocar a guarda e agir em alguns momentos como destro e em outros como se canhoto fosse, atrapalham os adversários, pois parece ambidestro.
Como possui reflexos apuradíssimos que o ajudam a defender-se, algumas vezes Crawford negligencia a defesa e pode ser atingido quando o fato ocorre. Talvez esse excesso de confiança seja o seu maior defeito. Por outro lado, é o que leva o americano aos excepcionais desempenhos que temos assistido.
Jose Benavidez Jr é irmão do campeão mundial WBC, David Benavidez. Jose obteve uma boa carreira amadora com 120 vitórias e 5 derrotas que poderia tê-lo levado mais longe. Após conquistar, em 2009, a medalha de prata no campeonato americano e a de ouro no Golden Gloves – as duas principais competições nos Estados Unidos – Benavidez resolveu se profissionalizar aos 17 anos de idade.
Sua carreira de sucesso no profissionalismo levou-o a disputar e conquistar, em 2015, o interinato WBA categoria super leve, mas nunca chegou a disputar o título. Além da preparação prática, Jose Benavidez assistia a dezenas de lutas em fitas VHS, tentando aprender e assimilar técnicas que colocaria nos treinamentos posteriores.
Coincidentemente, Jose foi igualmente vítima de um ataque com arma de fogo quando passeava com seus animais, em 2016. Um tiro que perfurou a artéria femoral e outro que cortou o seu dedo, levaram os médicos a informa-lo que não lutaria mais boxe. Dezoito meses depois, David Benavidez Jr subia num ringue, considerado apto pelos médicos.
O brasileiro Sidney Siqueira enfrentou os dois boxeadores. Comentou comigo que ambos são pugilistas temíveis, mas Terence Crawford com o fato de boxear como ambidestro confundiu-o em diversos momentos e esta habilidade ajudou o americano na vitória entre eles.
Nas bolsas de apostas internacionais, Crawford é cotado favorito numa proporção que varia de 25-1 a 30-1. Em termos de volume de dinheiro apostado, cada USS 100 jogados numa vitória de Benavidez, darão ao apostador cerca de 1600 dólares de lucro caso ele se saia vencedor. Os mesmos US$ 100 apostados em Crawford proporcionarão, na sua vitória, apenas 4 dólares de lucro. Por estes números temos ideia do favoritismo do campeão.
SHAKUR STEVENSON VS VIOREL SIMION – WBC Continental das Américas – vago
Em agosto de 2017, quando Shakur Stevenson (8-0, 4 KO) tinha apenas duas lutas como profissional, eu escrevi aqui no blog que o americano faria combates programados para 10 rounds antes do final de 2018. Neste sábado, numa das preliminares de Crawford-Benavidez, Shakur fará a sua primeira luta de 10 rounds. Ele enfrentará o romeno Viorel Simion (21-2, 9 KO) pelo título WBC Continental das Américas, categoria pena.
Shakur Stevenson, 21, é mais um ex-olímpico contratado pela Top Rank, que aposta nos valores individuais 4 ou 5 anos à frente.
No amadorismo, Stevenson foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, na categoria galo. Derrotou o brasileiro Robenilson de Jesus na sua estreia na competição, só vindo a perder na final para o cubano Robeisy Ramirez numa decisão dividida dos juízes.
Nos Estados Unidos, foi campeão nacional quando era cadete (15/16 anos) e posteriormente bicampeão juvenil (17/18 anos).
Campeão mundial de cadetes, em 2013, nos moscas, repetiu o feito no ano seguinte como juvenil.
Boxeou duas vezes na WSB, entidade profissional da AIBA, vencendo os dois combates.
Viorel Simion, 36, é um veterano pugilista que participou dos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Como profissional, conquistou alguns títulos de expressão relativa como o intercontinental IBF e o internacional WBC que o levaram a ser observado pelo mundo pugilístico. Porém, as duas derrotas aconteceram nesses momentos e fizeram com que passasse a figurar num segundo plano.
Este combate é uma prova de fogo para Shakur Stevenson. Se derrotar Viorel Simion, é possível que o americano seja cogitado para figurar nos rankings mundiais e a sua carreira seja alavancada ainda mais rapidamente.
CARLOS ADAMES VS JOSHUA CONLEY – NABF Super meio médio – vago
O dominicano Carlos Adames (14-0, 11KO) obteve uma razoável careira amadora. Foi medalhista de ouro no Pan-Americano Juvenil do Equador 2012 e prata no Pan-Americano de adultos no Chile 2013.
No amadorismo enfrentou dois brasileiros. Derrotou Jonathan Soares, em 2012 e foi vencido por Everton Lopes, em 2013.
No profissionalismo, sagrou-se campeão latino WBA, categoria meio médio, com algumas defesas do cetro.
Adames é um boxeador do time Top Rank e tem apoio da promotora. Realizou a maior parte dos seus combates na República Dominicana, mas transferiu-se para os Estados Unidos, país no qual realiza atualmente a sua preparação.
O americano Joshua Conley (14-2, 9 KO) acumulou vitórias contra boxeadores iniciantes ou sem muita qualidade, como é normal no início da carreira. Porém, quando o nível dos adversários subiu, as derrotas apareceram.
TRANSMISSÃO PELA TV
O SporTV 2 planeja iniciar a transmissão às 22h25 deste sábado, horário de Brasília. Andre Azevedo estará na narração das lutas e eu nos comentários.