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Leave no trace ou impacto mínimo, a salvação da natureza – 02/10/2024 – É Logo Ali

Todos já vimos imagens do Everest cujas encostas estão cobertas de lixo, cilindros de oxigênio vazios e, até, corpos parcialmente enterrados na neve dos pontos mais altos da montanha, onde o resgate é praticamente impossível. Recentemente foi notícia o saco de Cheetos abandonado numa caverna de Carlsbad, no Novo México (EUA) que alterou todo o ecossistema, gerando o caos na vida local, encantada com a novidade dietética. E mais perto ainda é só dar uma espiada nas nossas praias depois de um domingo de sol, com lixo por todos os lados e restos inomináveis da passagem das multidões.

Contra a barbárie, há algumas décadas ganha corpo um movimento chamado de LNT (Leave No Trace —não deixe rastro, em tradução livre). Ou, para os mais realistas, Impacto Mínimo. Em comum, ambos tentam convencer a parte mais porca da humanidade a preservar a natureza pela qual circula sem deixar nada além da saudade, sem levar nada além de boas lembranças.

O conceito, na verdade, vem tentando ocupar espaço no país desde a década de 1970, quando foi criado o Centro Excursionista Universitário da Universidade de São Paulo, inspirado no Clube Alpino Paulista. Como conta Osvaldo Egídio de Oliveira, um dos sócios fundadores do centro, “desde o início a orientação básica era as pessoas não levarem nada, não deixarem nada e, no máximo tirarem fotos dos ambientes, o que acabou gerando o documento Pega Leve, que orienta nossas atividades’”.

Com ele concorda o veterano das matas e coronel aposentado Marcelo Montibeller Borges, da Via Radical Brasil, especializada em cursos voltados à sobrevivência na natureza, que incluiu a matéria este ano em sua grade. “Seria leviano falar que o LNT é novidade”, avalia. “Afinal, devíamos nascer aprendendo a cuidar da natureza, pois dependemos dela em tudo”. Ele faz questão de falar de mínimo impacto e não zero impacto, “pois não temos como zerar nossos impactos, mas podemos e devemos minimizá-los”, acrescenta.

Um dos pioneiros mais ativos na disseminação do conceito de Impacto Mínimo no Brasil é Pedro Lacaz Amaral, do Gear Tips Club, parceira da ONG LNT no Brasil. “Há muitos anos já desenvolvo algumas coisas com material da LNT e criamos os cursos de capacitação de guias de turismo para atuarem nessa área”, conta ele, que já oferece três níveis de formação na área.

“O principal passo do curso é explicar que o mais importante é planejar e se preparar antecipadamente para a atividade a ser desenvolvida”, diz Amaral. Assim, se está previsto acampamento, pensar nas comidas que serão levadas e no gerenciamento dos seus resíduos, como e onde descartá-los, como lavar os utensílios utilizados para não poluir os cursos d’água, onde e como instalar acampamentos, como e onde esvaziar os já famosos shit tubes (recipientes para fezes e outros dejetos orgânicos), entre outros cuidados.

“Uma casca de banana, por mais biodegradável que seja, é lixo antropogênico, pode ser uma espécie que prejudica o bioma daquele local, um restinho da macarronada, por exemplo, não deve ser jogado na terra, mas levado embora”, aponta Amaral.

Outro empresário engajado na divulgação da LNT é Alexandre Palmieri, da Kampa Equipamentos Esportivos, que junto a Millena Pitanguy, da Milla Expedições, oferece cursos gratuitos de formação de guias de nível 1 em Itamonte (MG), “Formamos inicialmente 10 influenciadores digitais que tinham em média em torno de 140 mil seguidores, e fizemos de graça porque acreditamos que não é possível cobrar para ensinar alguém a manter a natureza”, diz Kampa, que reserva metade das vagas de seus cursos para gestores de unidades de conservação. “Nós, empresas que dependemos da natureza para sobreviver, o mínimo que podemos fazer é educar essas pessoas para que mantenham os ambientes”, acrescenta.


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