O comportamento de Bolsonaro, que acenou constantemente para a possibilidade de se juntar a Pablo Marçal, casou impressão igualmente assustadora nos presidentes de partido que se aliaram a Nunes.
Apenas Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, explicitou o desagrado, defendendo que Bolsonaro nem aparecesse em São Paulo no 2º turno. Mas tiveram igualmente péssima impressão do comportamento de Bolsonaro os presidentes do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP); do PSD, Gilberto Kassab, que é secretário de governo de Tarcísio de Freitas; e do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Como eles, até Valdemar Costa Neto, que preside o PL ao qual Bolsonaro está filiado, tem dito reservadamente que precisa defender o partido das prováveis traições de Bolsonaro. Na avaliação de todos, Bolsonaro na verdade tem um grupo muito restrito que considera “verdadeiro aliados”. São basicamente seus filhos. Nem a esposa Michelle entra nesse clube restrito.
Publicamente, Valdemar faz questão de frisar que a popularidade de Bolsonaro foi a principal responsável pelo crescimento do número de prefeitos e votos obtidos pelo partido nessas eleições. Mas, reservadamente, ele sublinha, com aliados, que o ex-presidente abandonou o partido em lugares decisivo.
Foi o que ocorreu no Paraná, onde o PL fechou aliança com o governador Ratinho Junior (PSD), indicando o vice da chapa de Eduardo Pimentel (PSD) à Prefeitura de Curitiba. Bolsonaro apoiou a adversária Cristina Graeml, do minúsculo PMB.
Para azar do ex-presidente, ela foi derrotada e tanto Kassab como Valdemar anotaram a traição em seus caderninhos. Quanto a Ratinho, aumentou seu desejo de se candidatar a presidente da República em 2026 pelo PSD, até mesmo contra Bolsonaro.