Os álbuns dos Beatles que os próprios músicos admitiram não gostar
Até os dias atuais, a discografia dos Beatles é motivo de debates acalorados entre os fãs de uma ou outra época da curta existência do quarteto. Acontece que os próprios músicos envolvidos também tinham suas preferências e os álbuns que simplesmente não gostavam, apesar de terem trabalhado neles.
A Far Out Magazine compilou declarações dadas ao longo dos anos que mostram qual o disco que cada um dos Beatles menos gostava. Chama a atenção a diferença nas visões que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr têm de alguns registros em comparação com os fãs.
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Também é interessante notar que o descontentamento geral só aparece na fase final da carreira do grupo. Já os primeiros anos permanecem intactos.
Confira os álbuns dos Beatles que eles próprios já admitiram não gostar:
Ringo Starr – “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967)
Considerado por muitos como a obra prima dos Fab Four, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967) foi alvo de críticas por parte de Ringo Starr. É um disco onde o baterista aparece um pouco menos do que o habitual, em meio aos experimentos sonoros conduzidos com total liberdade.
Em entrevista a Elliott Mintz, Ringo afirmou:
“Eu nunca gostei realmente de ‘Sgt. Pepper’. Quero dizer, acho que é um bom álbum. Todo o trabalho que fizemos é bom. Mas acho que me senti como um músico contratado nele. Nós colocamos tanta coisa naquilo – cordas e metais – e você ficava sentado pelo estúdio por dias, sabe, enquanto eles faziam overdubs de outras coisas.”
No álbum, Starr assumiu os vocais principais em “With a Little Help from My Friends”. O baterista também canta junto com os outros três Beatles em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)”.
George Harrison – “Yellow Submarine” (1969)
“Yellow Submarine” (1969) foi, por vezes, negligenciado pelos próprios Beatles, que o viam como uma obrigação de contrato com a gravadora. O disco consiste na trilha sonora de um filme animado de mesmo nome e seis gravações em estúdio, sendo parte composta para o registro e algumas outras reaproveitadas de demos e outras ideias.
Sobre o trabalho, Harrison disse io seguinte em 1977, enquanto reclamava também de como o material dos Beatles era lançado nos Estados Unidos:
“Havia álbuns que não eram nada bons até onde me consta, como ‘Yellow Submarine’. Nós juntamos todas as canções em forma de álbum – e estou falando dos álbuns ingleses agora, porque nos EUA, nós descobrimos depois que para cada dois álbuns que tínhamos, eles faziam três, porque colocamos 14 faixas em um álbum e também tínhamos singles que não eram incluídos nos álbuns naquela época. Eles colocavam os singles – tiravam um monte de faixas, mudavam toda a ordem e então faziam novos pacotes, como ‘Yesterday and Today’ (1966), pacotes horríveis.”
A irritação de Harrison com álbuns “montados” explica o desgosto com “Yellow Submarine”, que de certa forma, funciona da mesma maneira. No disco, o guitarrista assume os vocais de “Only a Northern Song” e “It’s All Too Much”, ambas assinadas por ele.
Paul McCartney – “Let It Be” (1970)
Quem assistiu ao documentário “The Beatles: Get Back” (2021), de Peter Jackson, sabe o quão complicada foi a criação de “Let It Be” (1970), o último disco do quarteto de Liverpool. Dessa forma, não espanta que Paul McCartney tenha queixas sobre o disco.
Macca reclamou ainda em 1970, ao The Evening Standard, sobre uma de suas composições para o disco: “The Long and Winding Road”, que sofreu alterações sem seu consentimento. A presença do produtor Phil Spector, com o aval de John Lennon, também é motivo de descontentamento por parte do cantor/baixista:
“O álbum foi terminado há um ano, mas alguns meses atrás, o produtor americano Phil Spector foi chamado por John Lennon para arrumar algumas das faixas. Mas algumas semanas atrás, me mandaram uma versão remixada de minha música ‘The Long and Winding Road’, com harpas, metais, uma orquestra e um coral feminino adicionados.
Ninguém perguntou o que eu achava. Eu não podia acreditar. Eu nunca colocaria vocais femininos em um disco dos Beatles. O álbum saiu com uma nota de Allen Klein (business manager da banda repudiado por Paul) dizendo que ele achava que as mudanças eram necessárias. Eu não culpo Phil Spector por fazer isso, mas só mostra que não é bom que eu ache que estou no controle porque, obviamente, eu não estou. De qualquer forma, mandei uma carta a Klein pedindo que algumas coisas fossem alteradas, mas ainda não recebi uma resposta.”
“Let It Be” foi feito em meio à separação definitiva dos Beatles e gerou muito desconforto para McCartney ao longo dos anos, a ponto de, em 2003, o baixista lançar uma versão chamada de “Let It Be… Naked”, que remove boa parte da produção de Spector. Paul assina quase todo o tracklist, com exceção de duas canções de George Harrison, e canta em boa parte do disco, sozinho ou em dueto com John Lennon.
John Lennon – “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967)
O álbum favorito de John Lennon na discografia dos Beatles era o homônimo, conhecido como “White Album” (1968). Ele o via como uma espécie de contraponto a “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que segundo Lennon, era o favorito de Paul McCartney. Durante uma explicação que compara os dois clássicos, o vocalista e guitarrista declarou:
“Eu sempre o preferi (‘White Album’) em relação a todos os outros álbuns, incluindo ‘Pepper’, porque eu acho que a música era melhor. O mito de ‘Pepper’ é maior, mas a música no ‘White Album’ é muito superior, eu acho.”
John ainda citou algumas das músicas do disco branco para justificar sua preferência:
“É um disco cheio de hits, de ‘Back in the USSR’ a ‘Blackbird’, a ‘Helter Skelter’ e além, é um álbum inegavelmente poderoso.”
Em “Sgt. Pepper’s”, Lennon assina quase todas as músicas ao lado de Paul McCartney. Seus momentos de destaque no álbum estão nos vocais de “Lucy in the Sky with Diamonds” e no dueto com Paul em “A Day in the Life”, que fecha o tracklist.
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Até os dias atuais, a discografia dos Beatles é motivo de debates acalorados entre os fãs de uma ou outra época da curta existência do quarteto. Acontece que os próprios músicos envolvidos também tinham suas preferências e os álbuns que simplesmente não gostavam, apesar de terem trabalhado neles.
A Far Out Magazine compilou declarações dadas ao longo dos anos que mostram qual o disco que cada um dos Beatles menos gostava. Chama a atenção a diferença nas visões que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr têm de alguns registros em comparação com os fãs.
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Também é interessante notar que o descontentamento geral só aparece na fase final da carreira do grupo. Já os primeiros anos permanecem intactos.
Confira os álbuns dos Beatles que eles próprios já admitiram não gostar:
Ringo Starr – “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967)
Considerado por muitos como a obra prima dos Fab Four, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967) foi alvo de críticas por parte de Ringo Starr. É um disco onde o baterista aparece um pouco menos do que o habitual, em meio aos experimentos sonoros conduzidos com total liberdade.
Em entrevista a Elliott Mintz, Ringo afirmou:
“Eu nunca gostei realmente de ‘Sgt. Pepper’. Quero dizer, acho que é um bom álbum. Todo o trabalho que fizemos é bom. Mas acho que me senti como um músico contratado nele. Nós colocamos tanta coisa naquilo – cordas e metais – e você ficava sentado pelo estúdio por dias, sabe, enquanto eles faziam overdubs de outras coisas.”
No álbum, Starr assumiu os vocais principais em “With a Little Help from My Friends”. O baterista também canta junto com os outros três Beatles em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)”.
George Harrison – “Yellow Submarine” (1969)
“Yellow Submarine” (1969) foi, por vezes, negligenciado pelos próprios Beatles, que o viam como uma obrigação de contrato com a gravadora. O disco consiste na trilha sonora de um filme animado de mesmo nome e seis gravações em estúdio, sendo parte composta para o registro e algumas outras reaproveitadas de demos e outras ideias.
Sobre o trabalho, Harrison disse io seguinte em 1977, enquanto reclamava também de como o material dos Beatles era lançado nos Estados Unidos:
“Havia álbuns que não eram nada bons até onde me consta, como ‘Yellow Submarine’. Nós juntamos todas as canções em forma de álbum – e estou falando dos álbuns ingleses agora, porque nos EUA, nós descobrimos depois que para cada dois álbuns que tínhamos, eles faziam três, porque colocamos 14 faixas em um álbum e também tínhamos singles que não eram incluídos nos álbuns naquela época. Eles colocavam os singles – tiravam um monte de faixas, mudavam toda a ordem e então faziam novos pacotes, como ‘Yesterday and Today’ (1966), pacotes horríveis.”
A irritação de Harrison com álbuns “montados” explica o desgosto com “Yellow Submarine”, que de certa forma, funciona da mesma maneira. No disco, o guitarrista assume os vocais de “Only a Northern Song” e “It’s All Too Much”, ambas assinadas por ele.
Paul McCartney – “Let It Be” (1970)
Quem assistiu ao documentário “The Beatles: Get Back” (2021), de Peter Jackson, sabe o quão complicada foi a criação de “Let It Be” (1970), o último disco do quarteto de Liverpool. Dessa forma, não espanta que Paul McCartney tenha queixas sobre o disco.
Macca reclamou ainda em 1970, ao The Evening Standard, sobre uma de suas composições para o disco: “The Long and Winding Road”, que sofreu alterações sem seu consentimento. A presença do produtor Phil Spector, com o aval de John Lennon, também é motivo de descontentamento por parte do cantor/baixista:
“O álbum foi terminado há um ano, mas alguns meses atrás, o produtor americano Phil Spector foi chamado por John Lennon para arrumar algumas das faixas. Mas algumas semanas atrás, me mandaram uma versão remixada de minha música ‘The Long and Winding Road’, com harpas, metais, uma orquestra e um coral feminino adicionados.
Ninguém perguntou o que eu achava. Eu não podia acreditar. Eu nunca colocaria vocais femininos em um disco dos Beatles. O álbum saiu com uma nota de Allen Klein (business manager da banda repudiado por Paul) dizendo que ele achava que as mudanças eram necessárias. Eu não culpo Phil Spector por fazer isso, mas só mostra que não é bom que eu ache que estou no controle porque, obviamente, eu não estou. De qualquer forma, mandei uma carta a Klein pedindo que algumas coisas fossem alteradas, mas ainda não recebi uma resposta.”
“Let It Be” foi feito em meio à separação definitiva dos Beatles e gerou muito desconforto para McCartney ao longo dos anos, a ponto de, em 2003, o baixista lançar uma versão chamada de “Let It Be… Naked”, que remove boa parte da produção de Spector. Paul assina quase todo o tracklist, com exceção de duas canções de George Harrison, e canta em boa parte do disco, sozinho ou em dueto com John Lennon.
John Lennon – “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967)
O álbum favorito de John Lennon na discografia dos Beatles era o homônimo, conhecido como “White Album” (1968). Ele o via como uma espécie de contraponto a “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que segundo Lennon, era o favorito de Paul McCartney. Durante uma explicação que compara os dois clássicos, o vocalista e guitarrista declarou:
“Eu sempre o preferi (‘White Album’) em relação a todos os outros álbuns, incluindo ‘Pepper’, porque eu acho que a música era melhor. O mito de ‘Pepper’ é maior, mas a música no ‘White Album’ é muito superior, eu acho.”
John ainda citou algumas das músicas do disco branco para justificar sua preferência:
“É um disco cheio de hits, de ‘Back in the USSR’ a ‘Blackbird’, a ‘Helter Skelter’ e além, é um álbum inegavelmente poderoso.”
Em “Sgt. Pepper’s”, Lennon assina quase todas as músicas ao lado de Paul McCartney. Seus momentos de destaque no álbum estão nos vocais de “Lucy in the Sky with Diamonds” e no dueto com Paul em “A Day in the Life”, que fecha o tracklist.
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