A sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciada em 25 de março marcou o começo de um julgamento histórico que pode transformar Jair Bolsonaro e outros sete acusados em réus por uma suposta tentativa de golpe de Estado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu os trabalhos com uma sustentação oral de 30 minutos, detalhando uma trama que, segundo ele, teve início em 29 de julho de 2021, quando o então presidente começou a dar “curso prático” a um plano de insurreição. A denúncia aponta Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que buscava subverter a ordem democrática após as eleições de 2022, culminando nos atos de 8 de janeiro de 2023. O primeiro dia foi dedicado a questões processuais, com a decisão sobre o mérito adiada para o dia seguinte, deixando o país em expectativa sobre o destino dos envolvidos.
Durante a sessão, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatório que descreve as condutas dos acusados, destacando ataques sistemáticos à democracia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que o grupo, formado por ex-ministros e militares, planejou ações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022. As defesas, por sua vez, rebateram as acusações, com o advogado de Bolsonaro afirmando que “não se achou absolutamente nada” contra o ex-presidente. A tensão no plenário foi evidente, mas os ministros rejeitaram os questionamentos preliminares da defesa, mantendo o julgamento na Primeira Turma.
🤭 MORAES LEVOU OS PRINTS!
O Ministro Alexandre de Moraes acaba de DESTRUIR o argumento da defesa de Bolsonaro e aliados de que eles não tiveram acesso a documentos das investigações do golpe.
Moraes levou prints de todas as vezes que os advogados fizeram login para acessá-los.… pic.twitter.com/TCaYzZNBMf
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 25, 2025
O embate processual também revelou divergências entre os magistrados. Enquanto a maioria, liderada por Moraes, decidiu que a análise cabe à turma de cinco ministros, Luiz Fux defendeu que o caso deveria ir ao plenário do STF, composto por 11 integrantes. A votação, porém, assegurou a continuidade na instância menor, composta ainda por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, além de Moraes e Fux. O desfecho, previsto para 26 de março, definirá se os oito acusados responderão a uma ação penal, um marco na investigação dos eventos que abalaram a democracia brasileira.
Fatos que embasam a denúncia
A argumentação de Paulo Gonet trouxe à tona episódios-chave que sustentam a acusação. Entre os pontos destacados estão:
- A transmissão ao vivo de Bolsonaro em 29 de julho de 2021, prometendo provas de fraudes nas urnas eletrônicas, nunca apresentadas.
- A reunião ministerial de julho de 2022, onde o uso da força foi discutido como alternativa antes das eleições.
- Os acampamentos pós-eleitorais em frente a quartéis, pedindo intervenção militar, e os ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes.
- A resistência de comandantes militares, que, segundo Gonet, impediu o sucesso do plano, mas não a tentativa criminosa.
O que moveu a trama golpista
O plano descrito por Gonet teve raízes em 2021, quando Bolsonaro intensificou ataques ao sistema eleitoral. Naquele 29 de julho, em uma live no Palácio do Planalto, o então presidente questionou a legitimidade das urnas, sem evidências, marcando o que a PGR considera o início prático da insurreição. A narrativa de fraude foi ampliada ao longo dos meses, ganhando força em 2022, ano da eleição presidencial. A reunião com embaixadores em julho daquele ano, onde Bolsonaro reiterou suspeitas infundadas, foi vista como uma tentativa de desacreditar o processo eleitoral perante a comunidade internacional. Após a derrota para Lula, a mobilização de apoiadores em rodovias e quartéis buscou pressionar as Forças Armadas, enquanto minutas golpistas circulavam entre os aliados.
Já em dezembro de 2022, investigações apontam que Bolsonaro discutiu com comandantes militares um decreto para anular as eleições. O documento, conhecido como “minuta do golpe”, previa intervenção no Judiciário e novas eleições, mas esbarrou na recusa de figuras como o general Freire Gomes, do Exército, e o brigadeiro Baptista Júnior, da Aeronáutica. A resistência desses líderes, segundo a PGR, foi alvo de campanhas de ódio orquestradas pelo grupo, que ainda assim não desistiu. O ápice veio em 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em um ataque que, para Gonet, foi incentivado pelos denunciados.
A denúncia abrange não apenas Bolsonaro, mas também sete aliados próximos, incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice na chapa de 2022. A PGR alega que o grupo formou uma organização criminosa com hierarquia e divisão de tarefas, atuando entre julho de 2021 e janeiro de 2023. Os crimes imputados incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado com violência e organização criminosa, com penas que, somadas, podem ultrapassar 43 anos de prisão.
Evidências em destaque
Gonet reforçou que as provas vão além da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Entre os elementos estão:
- Minutas golpistas encontradas com aliados, como Anderson Torres, ex-ministro da Justiça.
- Mensagens e documentos que mostram a pressão sobre militares para aderir ao plano.
- Registros de reuniões no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro teria ajustado a “minuta do golpe”.
- Depoimentos confirmando a ciência do ex-presidente sobre a ausência de fraudes nas urnas, o que reforça o dolo na trama.
A resposta das defesas
As defesas dos acusados buscaram desqualificar a denúncia desde o início. O advogado de Bolsonaro argumentou que as investigações, apesar de extensas, não encontraram provas concretas contra o ex-presidente, chamando a acusação de “fantasiosa”. Questionaram a competência da Primeira Turma para julgar o caso, sugerindo que o plenário seria o foro adequado devido à gravidade das imputações. Também pediram a nulidade da delação de Mauro Cid, alegando irregularidades, mas todos os pedidos foram rejeitados pela maioria dos ministros. A sustentação defensiva insistiu que os atos atribuídos a Bolsonaro não passaram de “cogitação”, sem execução concreta de um golpe.
Outro ponto levantado foi o volume de documentos entregues pela PGR, que as defesas classificaram como “document dumping” — uma tática de sobrecarga informativa para dificultar a análise. Gonet rebateu, afirmando que não houve supressão de dados nem desorganização, e que as evidências corroboram os fatos narrados por Cid. A rejeição das preliminares pela turma manteve o foco no mérito, que será decidido na próxima sessão, ampliando a expectativa sobre o voto de Moraes e dos demais ministros.
Cronologia da suposta trama
A denúncia traça um roteiro claro dos eventos que, para a PGR, configuram a tentativa de golpe:
- 29 de julho de 2021: Bolsonaro inicia ataques públicos às urnas em live no Planalto.
- Julho de 2022: Reunião com embaixadores e encontro ministerial discutem ações antes das eleições.
- 30 de outubro de 2022: Lula vence o segundo turno; apoiadores de Bolsonaro bloqueiam rodovias.
- Dezembro de 2022: Minuta do golpe é apresentada a militares; plano de assassinato de autoridades é descoberto.
- 8 de janeiro de 2023: Invasão dos Três Poderes marca o ápice da mobilização golpista.
Impactos do julgamento
O julgamento iniciado em março de 2025 representa um divisor de águas na história política brasileira. Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro e os sete aliados — Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres, Almir Garnier Santos, Estevam Cals Theophilo e Filipe Martins — se tornarão réus, enfrentando um processo penal que pode resultar em décadas de prisão. A PGR destaca que a organização criminosa, liderada pelo ex-presidente, tinha “forte influência de setores militares” e buscava um “projeto autoritário de poder”. A decisão da Primeira Turma, composta por ministros de diferentes correntes, será acompanhada de perto, especialmente após a divergência de Fux, que expôs tensões internas no STF.
A sessão de 25 de março também evidenciou o peso das provas materiais. Além das minutas e mensagens, a PGR apresentou registros de um plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa assassinatos de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Bolsonaro teria anuído ao esquema, que só não foi executado pela falta de apoio militar na reta final. O envolvimento de 23 militares, incluindo sete generais, reforça a gravidade da denúncia, embora Gonet tenha destacado que o Exército como instituição foi “vítima” da conspiração, graças à postura legalista de seus comandantes.
Para o público, o julgamento reacende debates sobre os limites da democracia e a responsabilização de líderes políticos. A mobilização de apoiadores de Bolsonaro, que já pediram anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, contrasta com a firmeza da PGR em punir os atos antidemocráticos. O desfecho, aguardado para 26 de março, pode consolidar um precedente jurídico contra tentativas de ruptura institucional no país.

A sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciada em 25 de março marcou o começo de um julgamento histórico que pode transformar Jair Bolsonaro e outros sete acusados em réus por uma suposta tentativa de golpe de Estado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu os trabalhos com uma sustentação oral de 30 minutos, detalhando uma trama que, segundo ele, teve início em 29 de julho de 2021, quando o então presidente começou a dar “curso prático” a um plano de insurreição. A denúncia aponta Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que buscava subverter a ordem democrática após as eleições de 2022, culminando nos atos de 8 de janeiro de 2023. O primeiro dia foi dedicado a questões processuais, com a decisão sobre o mérito adiada para o dia seguinte, deixando o país em expectativa sobre o destino dos envolvidos.
Durante a sessão, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatório que descreve as condutas dos acusados, destacando ataques sistemáticos à democracia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que o grupo, formado por ex-ministros e militares, planejou ações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022. As defesas, por sua vez, rebateram as acusações, com o advogado de Bolsonaro afirmando que “não se achou absolutamente nada” contra o ex-presidente. A tensão no plenário foi evidente, mas os ministros rejeitaram os questionamentos preliminares da defesa, mantendo o julgamento na Primeira Turma.
🤭 MORAES LEVOU OS PRINTS!
O Ministro Alexandre de Moraes acaba de DESTRUIR o argumento da defesa de Bolsonaro e aliados de que eles não tiveram acesso a documentos das investigações do golpe.
Moraes levou prints de todas as vezes que os advogados fizeram login para acessá-los.… pic.twitter.com/TCaYzZNBMf
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 25, 2025
O embate processual também revelou divergências entre os magistrados. Enquanto a maioria, liderada por Moraes, decidiu que a análise cabe à turma de cinco ministros, Luiz Fux defendeu que o caso deveria ir ao plenário do STF, composto por 11 integrantes. A votação, porém, assegurou a continuidade na instância menor, composta ainda por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, além de Moraes e Fux. O desfecho, previsto para 26 de março, definirá se os oito acusados responderão a uma ação penal, um marco na investigação dos eventos que abalaram a democracia brasileira.
Fatos que embasam a denúncia
A argumentação de Paulo Gonet trouxe à tona episódios-chave que sustentam a acusação. Entre os pontos destacados estão:
- A transmissão ao vivo de Bolsonaro em 29 de julho de 2021, prometendo provas de fraudes nas urnas eletrônicas, nunca apresentadas.
- A reunião ministerial de julho de 2022, onde o uso da força foi discutido como alternativa antes das eleições.
- Os acampamentos pós-eleitorais em frente a quartéis, pedindo intervenção militar, e os ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes.
- A resistência de comandantes militares, que, segundo Gonet, impediu o sucesso do plano, mas não a tentativa criminosa.
O que moveu a trama golpista
O plano descrito por Gonet teve raízes em 2021, quando Bolsonaro intensificou ataques ao sistema eleitoral. Naquele 29 de julho, em uma live no Palácio do Planalto, o então presidente questionou a legitimidade das urnas, sem evidências, marcando o que a PGR considera o início prático da insurreição. A narrativa de fraude foi ampliada ao longo dos meses, ganhando força em 2022, ano da eleição presidencial. A reunião com embaixadores em julho daquele ano, onde Bolsonaro reiterou suspeitas infundadas, foi vista como uma tentativa de desacreditar o processo eleitoral perante a comunidade internacional. Após a derrota para Lula, a mobilização de apoiadores em rodovias e quartéis buscou pressionar as Forças Armadas, enquanto minutas golpistas circulavam entre os aliados.
Já em dezembro de 2022, investigações apontam que Bolsonaro discutiu com comandantes militares um decreto para anular as eleições. O documento, conhecido como “minuta do golpe”, previa intervenção no Judiciário e novas eleições, mas esbarrou na recusa de figuras como o general Freire Gomes, do Exército, e o brigadeiro Baptista Júnior, da Aeronáutica. A resistência desses líderes, segundo a PGR, foi alvo de campanhas de ódio orquestradas pelo grupo, que ainda assim não desistiu. O ápice veio em 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em um ataque que, para Gonet, foi incentivado pelos denunciados.
A denúncia abrange não apenas Bolsonaro, mas também sete aliados próximos, incluindo o general Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice na chapa de 2022. A PGR alega que o grupo formou uma organização criminosa com hierarquia e divisão de tarefas, atuando entre julho de 2021 e janeiro de 2023. Os crimes imputados incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado com violência e organização criminosa, com penas que, somadas, podem ultrapassar 43 anos de prisão.
Evidências em destaque
Gonet reforçou que as provas vão além da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Entre os elementos estão:
- Minutas golpistas encontradas com aliados, como Anderson Torres, ex-ministro da Justiça.
- Mensagens e documentos que mostram a pressão sobre militares para aderir ao plano.
- Registros de reuniões no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro teria ajustado a “minuta do golpe”.
- Depoimentos confirmando a ciência do ex-presidente sobre a ausência de fraudes nas urnas, o que reforça o dolo na trama.
A resposta das defesas
As defesas dos acusados buscaram desqualificar a denúncia desde o início. O advogado de Bolsonaro argumentou que as investigações, apesar de extensas, não encontraram provas concretas contra o ex-presidente, chamando a acusação de “fantasiosa”. Questionaram a competência da Primeira Turma para julgar o caso, sugerindo que o plenário seria o foro adequado devido à gravidade das imputações. Também pediram a nulidade da delação de Mauro Cid, alegando irregularidades, mas todos os pedidos foram rejeitados pela maioria dos ministros. A sustentação defensiva insistiu que os atos atribuídos a Bolsonaro não passaram de “cogitação”, sem execução concreta de um golpe.
Outro ponto levantado foi o volume de documentos entregues pela PGR, que as defesas classificaram como “document dumping” — uma tática de sobrecarga informativa para dificultar a análise. Gonet rebateu, afirmando que não houve supressão de dados nem desorganização, e que as evidências corroboram os fatos narrados por Cid. A rejeição das preliminares pela turma manteve o foco no mérito, que será decidido na próxima sessão, ampliando a expectativa sobre o voto de Moraes e dos demais ministros.
Cronologia da suposta trama
A denúncia traça um roteiro claro dos eventos que, para a PGR, configuram a tentativa de golpe:
- 29 de julho de 2021: Bolsonaro inicia ataques públicos às urnas em live no Planalto.
- Julho de 2022: Reunião com embaixadores e encontro ministerial discutem ações antes das eleições.
- 30 de outubro de 2022: Lula vence o segundo turno; apoiadores de Bolsonaro bloqueiam rodovias.
- Dezembro de 2022: Minuta do golpe é apresentada a militares; plano de assassinato de autoridades é descoberto.
- 8 de janeiro de 2023: Invasão dos Três Poderes marca o ápice da mobilização golpista.
Impactos do julgamento
O julgamento iniciado em março de 2025 representa um divisor de águas na história política brasileira. Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro e os sete aliados — Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres, Almir Garnier Santos, Estevam Cals Theophilo e Filipe Martins — se tornarão réus, enfrentando um processo penal que pode resultar em décadas de prisão. A PGR destaca que a organização criminosa, liderada pelo ex-presidente, tinha “forte influência de setores militares” e buscava um “projeto autoritário de poder”. A decisão da Primeira Turma, composta por ministros de diferentes correntes, será acompanhada de perto, especialmente após a divergência de Fux, que expôs tensões internas no STF.
A sessão de 25 de março também evidenciou o peso das provas materiais. Além das minutas e mensagens, a PGR apresentou registros de um plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa assassinatos de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Bolsonaro teria anuído ao esquema, que só não foi executado pela falta de apoio militar na reta final. O envolvimento de 23 militares, incluindo sete generais, reforça a gravidade da denúncia, embora Gonet tenha destacado que o Exército como instituição foi “vítima” da conspiração, graças à postura legalista de seus comandantes.
Para o público, o julgamento reacende debates sobre os limites da democracia e a responsabilização de líderes políticos. A mobilização de apoiadores de Bolsonaro, que já pediram anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, contrasta com a firmeza da PGR em punir os atos antidemocráticos. O desfecho, aguardado para 26 de março, pode consolidar um precedente jurídico contra tentativas de ruptura institucional no país.
