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29 Mar 2025, Sat

Fuad foi prefeito mais velho da história de BH – 26/03/2025 – Cotidiano


Fuad Noman (PSD), 77, foi o político mais mais velho a vencer a eleição para prefeito de Belo Horizonte. Em outubro de 2024, ele foi reeleito para o comando da cidade ao superar no segundo turno o deputado estadual Bruno Engler (PL).

O político mineiro morreu nesta quarta-feira (26), após um longo período de internação.

Fuad assumiu a gestão de Belo Horizonte em março de 2022, após o então prefeito Alexandre Kalil (hoje sem partido) ter deixado o cargo para a disputa do governo de Minas Gerais —que ele perderia para Romeu Zema (Novo), em primeiro turno.

Nascido em Belo Horizonte, Fuad era economista. Atuou como secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República, foi diretor do Banco do Brasil e secretário de Fazenda, Transportes, Obras Públicas e Coordenação de Investimentos do governo de Minas. Aposentou-se como servidor concursado do Banco Central.

Em BH, Fuad também esteve à frente da Secretaria Municipal de Fazenda de 2017 a 2020, quando foi eleito vice-prefeito.

Ao longo da campanha de 2024, o prefeito lembrou do seu tratamento contra um linfoma não Hodgkin, que o fez passar por sessões semanais de quimioterapia, e disse que não faltou a um dia de trabalho no período.

Duas semanas antes do segundo turno, ele afirmou em sabatina da Folha e do UOL que havia sido liberado pelo médico da sua rotina de tratamento.

O prefeito ainda afirmou na entrevista manter boa relação com o governador Romeu Zema (Novo) e acreditar que teria seu apoio não fosse a questão partidária.

Fuad prometeu que, em sua segunda gestão, o foco seria melhorar a infraestrutura da capital mineira.

“Temos dois projetos de viadutos prontos e aprovados, com dinheiro garantido. Temos mais dois preparados para fazer licitação, ainda não tenho dinheiro. E os outros quatro, a gente tem que começar a fazer o projeto. Quero que esse seja meu grande projeto, porque eu não aguento mais ver acidente e gente morrendo naquele anel.”

A última semana da campanha para o segundo turno, em 2024, teve como tema de polêmica um livro escrito por Fuad Noman. O texto virou alvo de críticas de adversários.

A obra “Cobiça”, publicada em 2020 pela editora Ramalhete, trata da história de uma mulher que investiga o passado de sua família e se depara com uma série de episódios de vingança pessoal envolvendo seus antepassados.

Nos ataques a Fuad, os adversários afirmavam que o prefeito escreveu um livro erótico em que relata um estupro de uma criança de 12 anos.

Essa crítica se refere a um trecho da parte final do livro, em que uma personagem conta detalhes de um estupro que ela teria sofrido aos 12 anos para convencer um outro personagem a lhe dar dinheiro. Fuad se defendeu dizendo se tratar de ficção.

Fuad, quando assumiu a prefeitura em 2022, tentou se equilibrar na busca por melhoria no contato com a Câmara Municipal e sua relação com Kalil, que na época deixou o cargo estremecido com os vereadores.

“As portas do meu gabinete estarão sempre abertas para todos vocês, caros companheiros vereadores. Vou me esforçar diariamente nessa parceria em benefício do povo da nossa cidade”, disse.

Ao citar seu antecessor, afirmou que eram semelhantes. “Somos do mesmo partido, torcemos para o mesmo Galo [Atlético-MG], temos visões de mundo semelhantes, seguiremos o mesmo programa de governo da eleição.”

Apesar disso, Kalil optou por apoiar Tramonte em vez do seu antigo vice e abalou uma relação de amizade que os dois tinham antes da disputa.

Fuad disse que apoiou o presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022 mediante a promessa do petista de apoio à Prefeitura de Belo Horizonte. Disse que o presidente cumpriu a promessa e tem aportado recursos na capital mineira.

“Eu sou Belo Horizonte. Não tenho vinculação ideológica de direita ou de esquerda. Acho que prefeito tem que se preocupar com a cidade. Essa questão de ideologia é uma questão nacional”, afirmou.


Cronologia da saúde de Fuad Noman

  • 29.mar.22 – Assume como prefeito de Belo Horizonte após a renúncia de Alexandre Kalil (na época no PSD)
  • 4.jul.24 Anuncia que foi diagnosticado com um câncer do tipo linfoma não Hodgkin, mas que manteria sua pré-candidatura diante do prognóstico de sucesso do tratamento
  • 20.jul.24 – É lançado oficialmente pelo PSD como candidato à reeleição
  • 6.out.24 Com 26,54% dos votos, avança ao segundo turno das eleições em Belo Horizonte, atrás de Bruno Engler (PL), que teve 34,38%
  • 15.out.24 Anuncia durante sabatina Folha/UOL que foi liberado da rotina de tratamentos contra o câncer, que estava em remissão
  • 27.out.24 É reeleito em segundo turno em Belo Horizonte, com 53,73% dos votos
  • 23 .nov.24 – É internado com dores nas pernas, efeito colateral do tratamento contra o câncer. Cinco dias depois, recebe alta
  • 10.dez.24 – Volta a ser internado, desta vez com um quadro de pneumonia
  • 15.dez.24 – Recebe alta e segue à frente da Prefeitura de BH trabalhando de casa
  • 19.dez.24 É internado na UTI com quadro de diarreia e desidratação e apresenta sangramento intestinal
  • 23.dez.24 – Deixa o hospital e continua com o tratamento fisioterápico e acompanhamento médico em casa
  • 1º.jan.25 Toma posse de forma remota, de máscara, ao lado da esposa, Mônica Drummond. O vice-prefeito eleito, Álvaro Damião (União Brasil), lê o discurso de posse diante da dificuldade de fala de Fuad
  • 3.jan.25 – Volta a ser internado na UTI para tratar de uma insuficiência respiratória aguda, com assistência ventilatória
  • 4.jan.25 – Licencia-se do cargo de prefeito por 15 dias. Damião assume o posto.
  • 5.jan.25 É extubado e apresenta melhora em exames, segundo hospital
  • 9.jan.25 – Volta a ser intubado, ainda na UTI, e passa por traqueostomia para facilitar a respiração
  • 29.jan.25 – Recebe alta da UTI e segue tratamento em âmbito hospitalar. Exames reafirmam quadro de remissão do câncer
  • até 17.mar.25 – Boletins médicos divulgados indicam melhora progressiva do processo de retirada de ventilação mecânica. Licença do cargo de prefeito é renovada a cada 15 dias
  • 24.mar.25 – Passa a receber alimentação intravenosa
  • 25.mar.25 – Sofre uma parada cardiorrespiratória às 22h e é reanimado na UTI. Situação é considerada “bastante grave”
  • 26.mar.25 – Morte é anunciada pela prefeitura pouco antes de meio-dia

Fuad Noman (PSD), 77, foi o político mais mais velho a vencer a eleição para prefeito de Belo Horizonte. Em outubro de 2024, ele foi reeleito para o comando da cidade ao superar no segundo turno o deputado estadual Bruno Engler (PL).

O político mineiro morreu nesta quarta-feira (26), após um longo período de internação.

Fuad assumiu a gestão de Belo Horizonte em março de 2022, após o então prefeito Alexandre Kalil (hoje sem partido) ter deixado o cargo para a disputa do governo de Minas Gerais —que ele perderia para Romeu Zema (Novo), em primeiro turno.

Nascido em Belo Horizonte, Fuad era economista. Atuou como secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República, foi diretor do Banco do Brasil e secretário de Fazenda, Transportes, Obras Públicas e Coordenação de Investimentos do governo de Minas. Aposentou-se como servidor concursado do Banco Central.

Em BH, Fuad também esteve à frente da Secretaria Municipal de Fazenda de 2017 a 2020, quando foi eleito vice-prefeito.

Ao longo da campanha de 2024, o prefeito lembrou do seu tratamento contra um linfoma não Hodgkin, que o fez passar por sessões semanais de quimioterapia, e disse que não faltou a um dia de trabalho no período.

Duas semanas antes do segundo turno, ele afirmou em sabatina da Folha e do UOL que havia sido liberado pelo médico da sua rotina de tratamento.

O prefeito ainda afirmou na entrevista manter boa relação com o governador Romeu Zema (Novo) e acreditar que teria seu apoio não fosse a questão partidária.

Fuad prometeu que, em sua segunda gestão, o foco seria melhorar a infraestrutura da capital mineira.

“Temos dois projetos de viadutos prontos e aprovados, com dinheiro garantido. Temos mais dois preparados para fazer licitação, ainda não tenho dinheiro. E os outros quatro, a gente tem que começar a fazer o projeto. Quero que esse seja meu grande projeto, porque eu não aguento mais ver acidente e gente morrendo naquele anel.”

A última semana da campanha para o segundo turno, em 2024, teve como tema de polêmica um livro escrito por Fuad Noman. O texto virou alvo de críticas de adversários.

A obra “Cobiça”, publicada em 2020 pela editora Ramalhete, trata da história de uma mulher que investiga o passado de sua família e se depara com uma série de episódios de vingança pessoal envolvendo seus antepassados.

Nos ataques a Fuad, os adversários afirmavam que o prefeito escreveu um livro erótico em que relata um estupro de uma criança de 12 anos.

Essa crítica se refere a um trecho da parte final do livro, em que uma personagem conta detalhes de um estupro que ela teria sofrido aos 12 anos para convencer um outro personagem a lhe dar dinheiro. Fuad se defendeu dizendo se tratar de ficção.

Fuad, quando assumiu a prefeitura em 2022, tentou se equilibrar na busca por melhoria no contato com a Câmara Municipal e sua relação com Kalil, que na época deixou o cargo estremecido com os vereadores.

“As portas do meu gabinete estarão sempre abertas para todos vocês, caros companheiros vereadores. Vou me esforçar diariamente nessa parceria em benefício do povo da nossa cidade”, disse.

Ao citar seu antecessor, afirmou que eram semelhantes. “Somos do mesmo partido, torcemos para o mesmo Galo [Atlético-MG], temos visões de mundo semelhantes, seguiremos o mesmo programa de governo da eleição.”

Apesar disso, Kalil optou por apoiar Tramonte em vez do seu antigo vice e abalou uma relação de amizade que os dois tinham antes da disputa.

Fuad disse que apoiou o presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022 mediante a promessa do petista de apoio à Prefeitura de Belo Horizonte. Disse que o presidente cumpriu a promessa e tem aportado recursos na capital mineira.

“Eu sou Belo Horizonte. Não tenho vinculação ideológica de direita ou de esquerda. Acho que prefeito tem que se preocupar com a cidade. Essa questão de ideologia é uma questão nacional”, afirmou.


Cronologia da saúde de Fuad Noman

  • 29.mar.22 – Assume como prefeito de Belo Horizonte após a renúncia de Alexandre Kalil (na época no PSD)
  • 4.jul.24 Anuncia que foi diagnosticado com um câncer do tipo linfoma não Hodgkin, mas que manteria sua pré-candidatura diante do prognóstico de sucesso do tratamento
  • 20.jul.24 – É lançado oficialmente pelo PSD como candidato à reeleição
  • 6.out.24 Com 26,54% dos votos, avança ao segundo turno das eleições em Belo Horizonte, atrás de Bruno Engler (PL), que teve 34,38%
  • 15.out.24 Anuncia durante sabatina Folha/UOL que foi liberado da rotina de tratamentos contra o câncer, que estava em remissão
  • 27.out.24 É reeleito em segundo turno em Belo Horizonte, com 53,73% dos votos
  • 23 .nov.24 – É internado com dores nas pernas, efeito colateral do tratamento contra o câncer. Cinco dias depois, recebe alta
  • 10.dez.24 – Volta a ser internado, desta vez com um quadro de pneumonia
  • 15.dez.24 – Recebe alta e segue à frente da Prefeitura de BH trabalhando de casa
  • 19.dez.24 É internado na UTI com quadro de diarreia e desidratação e apresenta sangramento intestinal
  • 23.dez.24 – Deixa o hospital e continua com o tratamento fisioterápico e acompanhamento médico em casa
  • 1º.jan.25 Toma posse de forma remota, de máscara, ao lado da esposa, Mônica Drummond. O vice-prefeito eleito, Álvaro Damião (União Brasil), lê o discurso de posse diante da dificuldade de fala de Fuad
  • 3.jan.25 – Volta a ser internado na UTI para tratar de uma insuficiência respiratória aguda, com assistência ventilatória
  • 4.jan.25 – Licencia-se do cargo de prefeito por 15 dias. Damião assume o posto.
  • 5.jan.25 É extubado e apresenta melhora em exames, segundo hospital
  • 9.jan.25 – Volta a ser intubado, ainda na UTI, e passa por traqueostomia para facilitar a respiração
  • 29.jan.25 – Recebe alta da UTI e segue tratamento em âmbito hospitalar. Exames reafirmam quadro de remissão do câncer
  • até 17.mar.25 – Boletins médicos divulgados indicam melhora progressiva do processo de retirada de ventilação mecânica. Licença do cargo de prefeito é renovada a cada 15 dias
  • 24.mar.25 – Passa a receber alimentação intravenosa
  • 25.mar.25 – Sofre uma parada cardiorrespiratória às 22h e é reanimado na UTI. Situação é considerada “bastante grave”
  • 26.mar.25 – Morte é anunciada pela prefeitura pouco antes de meio-dia



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