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30 Mar 2025, Sun

veja como verificar sua situação agora

Dinheiro Grana


Em pleno início de 2025, uma falha nos sistemas de registro trabalhista deixou cerca de 860 mil trabalhadores brasileiros sem acesso ao abono salarial do PIS/Pasep, benefício anual aguardado por milhões de pessoas que dependem desse complemento de renda. O problema, identificado após o começo dos pagamentos em fevereiro, gerou transtornos e atrasos, impactando especialmente servidores públicos e empregados de empresas privadas que cumpriram os requisitos, mas foram excluídos do calendário oficial. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já reconheceu a falha e prometeu soluções, mas a espera pode se estender até outubro para muitos dos afetados.

A origem do erro está na falta de atualização ou no envio incorreto de informações por empregadores ao eSocial e à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), ferramentas essenciais para validar quem tem direito ao benefício. Órgãos públicos federais, estaduais e municipais, além de algumas empresas privadas e até organismos internacionais com atuação no país, falharam em cumprir os prazos ou fornecer dados completos. Isso resultou em um cenário onde milhares de trabalhadores, mesmo atendendo às exigências legais, ficaram fora da lista inicial de pagamentos, gerando frustração e incerteza.

Para os excluídos, a solução exige paciência: o MTE informou que os valores só serão liberados no próximo ciclo de ajustes, previsto para o segundo semestre. Enquanto isso, o governo recomenda que os trabalhadores verifiquem sua situação e cobrem providências de seus empregadores, já que a responsabilidade pelo envio correto das informações recai sobre eles. A situação expõe fragilidades na integração de sistemas e levanta debates sobre a necessidade de modernização dos processos que garantem o acesso a benefícios sociais no Brasil.

  • Atraso no eSocial: empregadores não enviaram dados no prazo estipulado.
  • Erros na RAIS: informações incompletas ou equivocadas prejudicaram o cadastro.
  • Falhas técnicas: integração deficiente entre sistemas excluiu beneficiários.

Impacto atinge servidores e trabalhadores privados

A exclusão de 860 mil pessoas do abono salarial do PIS/Pasep em 2025 revela um problema que atinge diferentes setores da economia brasileira. Dados divulgados pelo MTE mostram que aproximadamente 60% dos afetados são servidores públicos, cujos órgãos empregadores não conseguiram cumprir as exigências de registro no prazo. Outros 30% são trabalhadores da iniciativa privada, vinculados a empresas que também falharam no envio ou na correção das informações. Os 10% restantes incluem empregados de organismos internacionais que operam no país, um grupo menos comum, mas igualmente prejudicado pela falha sistêmica.

Para muitos desses trabalhadores, o abono salarial representa uma ajuda financeira crucial, especialmente em um contexto de inflação e aumento do custo de vida. O benefício, que pode chegar a R$ 1.518,00 para quem trabalhou 12 meses em 2023, é calculado proporcionalmente ao tempo de serviço no ano-base. A demora no pagamento, agora adiado para outubro, compromete o planejamento de famílias que contavam com o recurso para quitar dívidas ou cobrir despesas essenciais, como alimentação e moradia.

Como o erro aconteceu

Responsável por gerenciar o abono salarial, o MTE apontou que o problema teve origem em inconsistências nos dados enviados ao eSocial e à RAIS, sistemas que consolidam informações trabalhistas no Brasil. O eSocial, implementado para unificar as obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas, exige que empregadores registrem detalhes como tempo de serviço e remuneração de seus funcionários. Já a RAIS, embora esteja em processo de substituição pelo eSocial, ainda é utilizada como base para validar benefícios como o PIS/Pasep. Quando esses sistemas não recebem informações completas ou corretas, os trabalhadores são automaticamente excluídos do pagamento.

Entre os principais fatores que levaram ao erro, destaca-se o atraso no envio das declarações por parte de empregadores. Muitos órgãos públicos, por exemplo, enfrentam dificuldades burocráticas ou falta de pessoal capacitado para lidar com os sistemas digitais, o que resulta em falhas recorrentes. Nas empresas privadas, a situação não é muito diferente: pequenos negócios, em especial, muitas vezes desconhecem as exigências ou não têm estrutura para cumprir os prazos. Além disso, problemas técnicos na integração entre eSocial e RAIS agravaram o cenário, criando um efeito cascata que afetou milhares de pessoas.

A situação não é inédita. Nos últimos anos, casos semelhantes já foram registrados, mas a escala do problema em 2025 chama atenção pelo volume de trabalhadores impactados. Especialistas apontam que a transição para sistemas digitais, embora necessária, ainda enfrenta barreiras como falta de treinamento e infraestrutura insuficiente, especialmente em regiões mais afastadas do país.

Quem tem direito ao benefício

O abono salarial do PIS/Pasep é um direito garantido a trabalhadores formais que atendem a critérios específicos. Para receber o benefício em 2025, referente ao ano-base 2023, é preciso estar cadastrado no PIS (Programa de Integração Social) ou no Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) há pelo menos cinco anos. Além disso, o trabalhador deve ter exercido atividade remunerada com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias no ano-base, com remuneração média mensal de até dois salários mínimos, equivalente a R$ 2.640,00 em 2023.

Outro requisito essencial é que os dados do empregado tenham sido informados corretamente pelo empregador ao eSocial ou à RAIS. Essa última condição é justamente o ponto onde a falha de 2025 se concentrou, já que a ausência ou incorreção dessas informações impede a inclusão no calendário de pagamentos. O PIS é destinado a trabalhadores da iniciativa privada e pago pela Caixa Econômica Federal, enquanto o Pasep beneficia servidores públicos e é administrado pelo Banco do Brasil.

Valores variam conforme tempo de trabalho

Calculado com base no salário mínimo vigente, o abono salarial é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. Em 2025, o valor máximo é de R$ 1.518,00, pago a quem trabalhou os 12 meses de 2023. Para períodos menores, o cálculo é feito dividindo o salário mínimo por 12 e multiplicando pelo número de meses de serviço. Assim, quem trabalhou apenas um mês recebe R$ 126,50, enquanto seis meses de trabalho garantem R$ 759,00.

Essa estrutura busca equilibrar o benefício conforme o tempo de contribuição de cada trabalhador, mas depende diretamente da precisão dos registros enviados pelos empregadores. Quando há falhas, como no caso dos 860 mil excluídos, o sistema não reconhece o período trabalhado, impedindo o pagamento. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, responsáveis pela liberação dos valores, reforçam que não têm controle sobre os dados recebidos, apenas processam as informações fornecidas pelo MTE.

  • 1 mês trabalhado: R$ 126,50
  • 3 meses trabalhados: R$ 379,50
  • 6 meses trabalhados: R$ 759,00
  • 12 meses trabalhados: R$ 1.518,00

Calendário oficial de pagamentos

Os pagamentos do abono salarial em 2025 seguem um cronograma baseado no mês de nascimento dos trabalhadores. Iniciado em fevereiro, o calendário escalona as liberações ao longo do ano para facilitar o atendimento nos bancos. Confira as datas definidas para o PIS (Caixa Econômica Federal) e o Pasep (Banco do Brasil):

  • Janeiro e fevereiro: 17 de março
  • Março e abril: 15 de abril
  • Maio e junho: 15 de maio
  • Julho e agosto: 16 de junho
  • Setembro e outubro: 15 de julho
  • Novembro e dezembro: 15 de agosto

Para os trabalhadores do setor privado, o valor é depositado automaticamente em conta na Caixa, quando existente, ou pode ser sacado via aplicativo Caixa Tem, lotéricas ou terminais de autoatendimento com o Cartão do Cidadão. Já os servidores públicos recebem pelo Banco do Brasil, seja por crédito em conta ou transferência para outras instituições financeiras. Quem foi excluído, no entanto, não segue esse cronograma e terá de aguardar o ajuste prometido para outubro.

O que fazer se você foi afetado

Trabalhadores que atendem aos critérios, mas não receberam o abono, podem tomar algumas medidas para verificar sua situação e buscar soluções. O primeiro passo é consultar o status do benefício por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS. Basta atualizar o app, acessar a aba “Benefícios”, selecionar “Abono Salarial” e conferir os detalhes de pagamento. Outra opção é o portal Gov.br, onde é possível verificar a elegibilidade com o CPF.

Caso o problema persista, a recomendação é entrar em contato com a Central de Atendimento do MTE pelo número 158, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Além disso, é fundamental conversar com o empregador para confirmar se os dados foram enviados corretamente ao eSocial ou à RAIS. Em muitos casos, a correção depende de uma nova declaração por parte da empresa ou órgão público, o que pode agilizar a inclusão no próximo ciclo de pagamentos.

Escala do problema surpreende

A dimensão do erro que excluiu 860 mil trabalhadores do PIS/Pasep em 2025 pegou muitos de surpresa, especialmente pelo impacto concentrado entre servidores públicos. Dos afetados, cerca de 516 mil pertencem a esse grupo, o que equivale a 60% do total. A maioria trabalha em órgãos federais, estaduais ou municipais que enfrentam dificuldades crônicas na gestão de dados trabalhistas, como atrasos no envio ou erros no preenchimento. Esses problemas são agravados pela complexidade do eSocial, que exige atualizações constantes e um nível de organização nem sempre disponível em todas as instituições.

Os 258 mil trabalhadores da iniciativa privada excluídos, representando 30% do total, estão ligados a empresas que também falharam no cumprimento das obrigações. Pequenos negócios, em particular, enfrentam desafios como falta de acesso a sistemas digitais ou desconhecimento das regras, o que compromete a regularidade das informações. Já os 86 mil restantes, ou 10%, estão vinculados a organismos internacionais, um grupo que, embora menor, reflete a abrangência do problema em diferentes esferas de atuação no Brasil.

Atraso compromete finanças de trabalhadores

Para muitos dos afetados, a espera até outubro pelo abono salarial significa um duro golpe no orçamento. O benefício, que varia entre R$ 126,50 e R$ 1.518,00, é frequentemente usado para pagar contas atrasadas, comprar itens essenciais ou até investir em pequenos projetos. Em um ano marcado por desafios econômicos, como a alta nos preços de alimentos e energia, a ausência desse recurso pode forçar trabalhadores a recorrer a empréstimos ou cortar gastos básicos, ampliando o impacto da falha administrativa.

A situação é ainda mais delicada para servidores públicos de baixa renda, que representam a maior parte dos excluídos. Muitos contam com o abono como um complemento essencial para equilibrar as finanças domésticas, especialmente em cargos com salários próximos ao mínimo. A demora na correção do problema, somada à falta de uma solução imediata, tem gerado críticas ao governo e aos sistemas responsáveis por gerenciar os benefícios sociais no país.

Passos para checar sua situação

Verificar se você está entre os 860 mil excluídos do PIS/Pasep é simples e pode ser feito por canais oficiais. Veja como proceder:

  • Aplicativo Carteira de Trabalho Digital: acesse a aba “Benefícios” e clique em “Abono Salarial” para ver se há pagamento liberado.
  • Portal Gov.br: use seu CPF para consultar o status do benefício e confirmar sua elegibilidade.
  • Central 158: ligue para o atendimento do MTE e informe-se sobre sua situação, anotando o protocolo, se necessário.
  • Contato com o empregador: pergunte ao RH da empresa ou órgão público se os dados foram enviados corretamente.

Essas ações ajudam a identificar o problema e a pressionar por uma solução, caso o erro tenha partido do empregador. O MTE orienta que os trabalhadores mantenham os comprovantes de vínculo empregatício de 2023, como contracheques ou carteira de trabalho, para facilitar a regularização no futuro.

Histórico de falhas semelhantes

Problemas no pagamento do abono salarial não são novidade no Brasil. Em anos anteriores, falhas no envio de dados ao eSocial e à RAIS já deixaram trabalhadores fora do calendário, embora em menor escala. Em 2022, por exemplo, cerca de 200 mil pessoas enfrentaram atrasos semelhantes, resolvidos apenas meses depois. A transição do modelo antigo da RAIS para o eSocial, iniciada há alguns anos, prometia mais agilidade, mas ainda esbarra em dificuldades técnicas e na adaptação de empregadores, especialmente no setor público.

O caso de 2025, no entanto, destaca-se pelo número expressivo de afetados e pela demora na resposta. Enquanto o governo trabalha para corrigir os sistemas, os trabalhadores excluídos seguem sem previsão concreta de quando terão acesso ao benefício, o que reforça a necessidade de investimentos em tecnologia e capacitação para evitar que situações como essa se repitam no futuro.

Volume de recursos em jogo

O abono salarial de 2025 prevê a distribuição de R$ 30,7 bilhões a cerca de 24,4 milhões de trabalhadores que atuaram formalmente em 2023. A exclusão de 860 mil beneficiários representa uma retenção temporária de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, considerando uma média de R$ 1.500 por trabalhador (próxima do valor máximo). Esses recursos, que deveriam estar circulando na economia, ficam represados até a regularização, afetando tanto os indivíduos quanto o comércio local, que perde em movimentação financeira.

Em 2024, o programa liberou R$ 27 bilhões para 25,6 milhões de pessoas, mostrando um crescimento no número de beneficiários e no montante investido este ano. A falha atual, portanto, compromete parte desse esforço do governo federal para apoiar trabalhadores de baixa renda, evidenciando os desafios de execução de políticas públicas em larga escala.

Canais de atendimento disponíveis

Além das opções digitais, os trabalhadores têm à disposição canais presenciais e telefônicos para buscar informações. A Caixa Econômica Federal, responsável pelo PIS, oferece atendimento em agências, lotéricas e pelo número 0800-726-0207. Já o Banco do Brasil, que administra o Pasep, disponibiliza suporte pelo 4004-0001 ou 0800-729-0001, além do site oficial. Esses serviços ajudam a esclarecer dúvidas e orientar os afetados sobre os próximos passos.

Para quem prefere o autoatendimento, o aplicativo Caixa Tem é uma alternativa prática para verificar saldos e movimentar valores, caso o pagamento seja liberado posteriormente. No caso do Pasep, o Banco do Brasil permite consultas online com o número de inscrição ou CPF, facilitando o acesso às informações sem a necessidade de deslocamento.



Em pleno início de 2025, uma falha nos sistemas de registro trabalhista deixou cerca de 860 mil trabalhadores brasileiros sem acesso ao abono salarial do PIS/Pasep, benefício anual aguardado por milhões de pessoas que dependem desse complemento de renda. O problema, identificado após o começo dos pagamentos em fevereiro, gerou transtornos e atrasos, impactando especialmente servidores públicos e empregados de empresas privadas que cumpriram os requisitos, mas foram excluídos do calendário oficial. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já reconheceu a falha e prometeu soluções, mas a espera pode se estender até outubro para muitos dos afetados.

A origem do erro está na falta de atualização ou no envio incorreto de informações por empregadores ao eSocial e à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), ferramentas essenciais para validar quem tem direito ao benefício. Órgãos públicos federais, estaduais e municipais, além de algumas empresas privadas e até organismos internacionais com atuação no país, falharam em cumprir os prazos ou fornecer dados completos. Isso resultou em um cenário onde milhares de trabalhadores, mesmo atendendo às exigências legais, ficaram fora da lista inicial de pagamentos, gerando frustração e incerteza.

Para os excluídos, a solução exige paciência: o MTE informou que os valores só serão liberados no próximo ciclo de ajustes, previsto para o segundo semestre. Enquanto isso, o governo recomenda que os trabalhadores verifiquem sua situação e cobrem providências de seus empregadores, já que a responsabilidade pelo envio correto das informações recai sobre eles. A situação expõe fragilidades na integração de sistemas e levanta debates sobre a necessidade de modernização dos processos que garantem o acesso a benefícios sociais no Brasil.

  • Atraso no eSocial: empregadores não enviaram dados no prazo estipulado.
  • Erros na RAIS: informações incompletas ou equivocadas prejudicaram o cadastro.
  • Falhas técnicas: integração deficiente entre sistemas excluiu beneficiários.

Impacto atinge servidores e trabalhadores privados

A exclusão de 860 mil pessoas do abono salarial do PIS/Pasep em 2025 revela um problema que atinge diferentes setores da economia brasileira. Dados divulgados pelo MTE mostram que aproximadamente 60% dos afetados são servidores públicos, cujos órgãos empregadores não conseguiram cumprir as exigências de registro no prazo. Outros 30% são trabalhadores da iniciativa privada, vinculados a empresas que também falharam no envio ou na correção das informações. Os 10% restantes incluem empregados de organismos internacionais que operam no país, um grupo menos comum, mas igualmente prejudicado pela falha sistêmica.

Para muitos desses trabalhadores, o abono salarial representa uma ajuda financeira crucial, especialmente em um contexto de inflação e aumento do custo de vida. O benefício, que pode chegar a R$ 1.518,00 para quem trabalhou 12 meses em 2023, é calculado proporcionalmente ao tempo de serviço no ano-base. A demora no pagamento, agora adiado para outubro, compromete o planejamento de famílias que contavam com o recurso para quitar dívidas ou cobrir despesas essenciais, como alimentação e moradia.

Como o erro aconteceu

Responsável por gerenciar o abono salarial, o MTE apontou que o problema teve origem em inconsistências nos dados enviados ao eSocial e à RAIS, sistemas que consolidam informações trabalhistas no Brasil. O eSocial, implementado para unificar as obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas, exige que empregadores registrem detalhes como tempo de serviço e remuneração de seus funcionários. Já a RAIS, embora esteja em processo de substituição pelo eSocial, ainda é utilizada como base para validar benefícios como o PIS/Pasep. Quando esses sistemas não recebem informações completas ou corretas, os trabalhadores são automaticamente excluídos do pagamento.

Entre os principais fatores que levaram ao erro, destaca-se o atraso no envio das declarações por parte de empregadores. Muitos órgãos públicos, por exemplo, enfrentam dificuldades burocráticas ou falta de pessoal capacitado para lidar com os sistemas digitais, o que resulta em falhas recorrentes. Nas empresas privadas, a situação não é muito diferente: pequenos negócios, em especial, muitas vezes desconhecem as exigências ou não têm estrutura para cumprir os prazos. Além disso, problemas técnicos na integração entre eSocial e RAIS agravaram o cenário, criando um efeito cascata que afetou milhares de pessoas.

A situação não é inédita. Nos últimos anos, casos semelhantes já foram registrados, mas a escala do problema em 2025 chama atenção pelo volume de trabalhadores impactados. Especialistas apontam que a transição para sistemas digitais, embora necessária, ainda enfrenta barreiras como falta de treinamento e infraestrutura insuficiente, especialmente em regiões mais afastadas do país.

Quem tem direito ao benefício

O abono salarial do PIS/Pasep é um direito garantido a trabalhadores formais que atendem a critérios específicos. Para receber o benefício em 2025, referente ao ano-base 2023, é preciso estar cadastrado no PIS (Programa de Integração Social) ou no Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) há pelo menos cinco anos. Além disso, o trabalhador deve ter exercido atividade remunerada com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias no ano-base, com remuneração média mensal de até dois salários mínimos, equivalente a R$ 2.640,00 em 2023.

Outro requisito essencial é que os dados do empregado tenham sido informados corretamente pelo empregador ao eSocial ou à RAIS. Essa última condição é justamente o ponto onde a falha de 2025 se concentrou, já que a ausência ou incorreção dessas informações impede a inclusão no calendário de pagamentos. O PIS é destinado a trabalhadores da iniciativa privada e pago pela Caixa Econômica Federal, enquanto o Pasep beneficia servidores públicos e é administrado pelo Banco do Brasil.

Valores variam conforme tempo de trabalho

Calculado com base no salário mínimo vigente, o abono salarial é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. Em 2025, o valor máximo é de R$ 1.518,00, pago a quem trabalhou os 12 meses de 2023. Para períodos menores, o cálculo é feito dividindo o salário mínimo por 12 e multiplicando pelo número de meses de serviço. Assim, quem trabalhou apenas um mês recebe R$ 126,50, enquanto seis meses de trabalho garantem R$ 759,00.

Essa estrutura busca equilibrar o benefício conforme o tempo de contribuição de cada trabalhador, mas depende diretamente da precisão dos registros enviados pelos empregadores. Quando há falhas, como no caso dos 860 mil excluídos, o sistema não reconhece o período trabalhado, impedindo o pagamento. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, responsáveis pela liberação dos valores, reforçam que não têm controle sobre os dados recebidos, apenas processam as informações fornecidas pelo MTE.

  • 1 mês trabalhado: R$ 126,50
  • 3 meses trabalhados: R$ 379,50
  • 6 meses trabalhados: R$ 759,00
  • 12 meses trabalhados: R$ 1.518,00

Calendário oficial de pagamentos

Os pagamentos do abono salarial em 2025 seguem um cronograma baseado no mês de nascimento dos trabalhadores. Iniciado em fevereiro, o calendário escalona as liberações ao longo do ano para facilitar o atendimento nos bancos. Confira as datas definidas para o PIS (Caixa Econômica Federal) e o Pasep (Banco do Brasil):

  • Janeiro e fevereiro: 17 de março
  • Março e abril: 15 de abril
  • Maio e junho: 15 de maio
  • Julho e agosto: 16 de junho
  • Setembro e outubro: 15 de julho
  • Novembro e dezembro: 15 de agosto

Para os trabalhadores do setor privado, o valor é depositado automaticamente em conta na Caixa, quando existente, ou pode ser sacado via aplicativo Caixa Tem, lotéricas ou terminais de autoatendimento com o Cartão do Cidadão. Já os servidores públicos recebem pelo Banco do Brasil, seja por crédito em conta ou transferência para outras instituições financeiras. Quem foi excluído, no entanto, não segue esse cronograma e terá de aguardar o ajuste prometido para outubro.

O que fazer se você foi afetado

Trabalhadores que atendem aos critérios, mas não receberam o abono, podem tomar algumas medidas para verificar sua situação e buscar soluções. O primeiro passo é consultar o status do benefício por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS. Basta atualizar o app, acessar a aba “Benefícios”, selecionar “Abono Salarial” e conferir os detalhes de pagamento. Outra opção é o portal Gov.br, onde é possível verificar a elegibilidade com o CPF.

Caso o problema persista, a recomendação é entrar em contato com a Central de Atendimento do MTE pelo número 158, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Além disso, é fundamental conversar com o empregador para confirmar se os dados foram enviados corretamente ao eSocial ou à RAIS. Em muitos casos, a correção depende de uma nova declaração por parte da empresa ou órgão público, o que pode agilizar a inclusão no próximo ciclo de pagamentos.

Escala do problema surpreende

A dimensão do erro que excluiu 860 mil trabalhadores do PIS/Pasep em 2025 pegou muitos de surpresa, especialmente pelo impacto concentrado entre servidores públicos. Dos afetados, cerca de 516 mil pertencem a esse grupo, o que equivale a 60% do total. A maioria trabalha em órgãos federais, estaduais ou municipais que enfrentam dificuldades crônicas na gestão de dados trabalhistas, como atrasos no envio ou erros no preenchimento. Esses problemas são agravados pela complexidade do eSocial, que exige atualizações constantes e um nível de organização nem sempre disponível em todas as instituições.

Os 258 mil trabalhadores da iniciativa privada excluídos, representando 30% do total, estão ligados a empresas que também falharam no cumprimento das obrigações. Pequenos negócios, em particular, enfrentam desafios como falta de acesso a sistemas digitais ou desconhecimento das regras, o que compromete a regularidade das informações. Já os 86 mil restantes, ou 10%, estão vinculados a organismos internacionais, um grupo que, embora menor, reflete a abrangência do problema em diferentes esferas de atuação no Brasil.

Atraso compromete finanças de trabalhadores

Para muitos dos afetados, a espera até outubro pelo abono salarial significa um duro golpe no orçamento. O benefício, que varia entre R$ 126,50 e R$ 1.518,00, é frequentemente usado para pagar contas atrasadas, comprar itens essenciais ou até investir em pequenos projetos. Em um ano marcado por desafios econômicos, como a alta nos preços de alimentos e energia, a ausência desse recurso pode forçar trabalhadores a recorrer a empréstimos ou cortar gastos básicos, ampliando o impacto da falha administrativa.

A situação é ainda mais delicada para servidores públicos de baixa renda, que representam a maior parte dos excluídos. Muitos contam com o abono como um complemento essencial para equilibrar as finanças domésticas, especialmente em cargos com salários próximos ao mínimo. A demora na correção do problema, somada à falta de uma solução imediata, tem gerado críticas ao governo e aos sistemas responsáveis por gerenciar os benefícios sociais no país.

Passos para checar sua situação

Verificar se você está entre os 860 mil excluídos do PIS/Pasep é simples e pode ser feito por canais oficiais. Veja como proceder:

  • Aplicativo Carteira de Trabalho Digital: acesse a aba “Benefícios” e clique em “Abono Salarial” para ver se há pagamento liberado.
  • Portal Gov.br: use seu CPF para consultar o status do benefício e confirmar sua elegibilidade.
  • Central 158: ligue para o atendimento do MTE e informe-se sobre sua situação, anotando o protocolo, se necessário.
  • Contato com o empregador: pergunte ao RH da empresa ou órgão público se os dados foram enviados corretamente.

Essas ações ajudam a identificar o problema e a pressionar por uma solução, caso o erro tenha partido do empregador. O MTE orienta que os trabalhadores mantenham os comprovantes de vínculo empregatício de 2023, como contracheques ou carteira de trabalho, para facilitar a regularização no futuro.

Histórico de falhas semelhantes

Problemas no pagamento do abono salarial não são novidade no Brasil. Em anos anteriores, falhas no envio de dados ao eSocial e à RAIS já deixaram trabalhadores fora do calendário, embora em menor escala. Em 2022, por exemplo, cerca de 200 mil pessoas enfrentaram atrasos semelhantes, resolvidos apenas meses depois. A transição do modelo antigo da RAIS para o eSocial, iniciada há alguns anos, prometia mais agilidade, mas ainda esbarra em dificuldades técnicas e na adaptação de empregadores, especialmente no setor público.

O caso de 2025, no entanto, destaca-se pelo número expressivo de afetados e pela demora na resposta. Enquanto o governo trabalha para corrigir os sistemas, os trabalhadores excluídos seguem sem previsão concreta de quando terão acesso ao benefício, o que reforça a necessidade de investimentos em tecnologia e capacitação para evitar que situações como essa se repitam no futuro.

Volume de recursos em jogo

O abono salarial de 2025 prevê a distribuição de R$ 30,7 bilhões a cerca de 24,4 milhões de trabalhadores que atuaram formalmente em 2023. A exclusão de 860 mil beneficiários representa uma retenção temporária de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, considerando uma média de R$ 1.500 por trabalhador (próxima do valor máximo). Esses recursos, que deveriam estar circulando na economia, ficam represados até a regularização, afetando tanto os indivíduos quanto o comércio local, que perde em movimentação financeira.

Em 2024, o programa liberou R$ 27 bilhões para 25,6 milhões de pessoas, mostrando um crescimento no número de beneficiários e no montante investido este ano. A falha atual, portanto, compromete parte desse esforço do governo federal para apoiar trabalhadores de baixa renda, evidenciando os desafios de execução de políticas públicas em larga escala.

Canais de atendimento disponíveis

Além das opções digitais, os trabalhadores têm à disposição canais presenciais e telefônicos para buscar informações. A Caixa Econômica Federal, responsável pelo PIS, oferece atendimento em agências, lotéricas e pelo número 0800-726-0207. Já o Banco do Brasil, que administra o Pasep, disponibiliza suporte pelo 4004-0001 ou 0800-729-0001, além do site oficial. Esses serviços ajudam a esclarecer dúvidas e orientar os afetados sobre os próximos passos.

Para quem prefere o autoatendimento, o aplicativo Caixa Tem é uma alternativa prática para verificar saldos e movimentar valores, caso o pagamento seja liberado posteriormente. No caso do Pasep, o Banco do Brasil permite consultas online com o número de inscrição ou CPF, facilitando o acesso às informações sem a necessidade de deslocamento.



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