Mais de 240 mil pessoas passaram pelo Autódromo de Interlagos, em São Paulo, entre os dias 28 e 30 de março para a 12ª edição do Lollapalooza Brasil. O festival, que reuniu nomes como Alanis Morissette, Olivia Rodrigo e Shawn Mendes, trouxe uma mistura de performances memoráveis e momentos que deixaram a desejar. Com um line-up dominado por pop, rock e eletrônico, o evento deste ano foi marcado por uma programação menos diversa em estilos musicais, mas compensou com apresentações que variaram entre o excepcional e o decepcionante. Artistas como Michael Kiwanuka e a dupla argentina Ca7riel & Paco Amoroso surpreenderam positivamente, enquanto outros, como Nessa Barrett e Tate McRae, não conseguiram entregar o esperado.
A escolha dos destaques e das decepções considerou não apenas o talento dos artistas, mas também a reação do público, a qualidade técnica dos shows e a coerência dos setlists. Alanis Morissette, com seus 50 anos e um repertório ancorado no clássico “Jagged Little Pill”, dominou o palco principal com uma energia que fez o festival parecer pequeno diante de sua presença. Por outro lado, nomes como Shawn Mendes e Foster the People, apesar da fama, não conseguiram sustentar o peso de suas posições no line-up, resultando em apresentações mornas que esvaziaram parte da plateia.
Entre os pontos altos, a presença de Marina Lima trouxe um respiro nacional ao evento, enquanto Justin Timberlake provou que ainda carrega o carisma de um popstar. Já as críticas recaíram sobre artistas que dependeram demais de playback ou não souberam se conectar com o público brasileiro. O festival, que teve ingressos esgotados para os três dias, também foi palco de problemas técnicos e escolhas de horários questionáveis, mas nada que apagasse os momentos de brilho que fizeram a edição de 2025 entrar para a história.
Shows que marcaram o festival
Alanis Morissette subiu ao palco principal na noite de domingo, dia 30, e entregou o que foi considerado o melhor show do Lollapalooza 2025. Aos 50 anos, a canadense revisitou hits de “Jagged Little Pill”, como “Ironic” e “You Oughta Know”, com uma voz potente e uma presença que contrastou com a juventude de outros headliners. A plateia, composta por fãs de longa data e novos admiradores, respondeu com entusiasmo, cantando em uníssono enquanto ela mostrava que o peso de suas letras ainda ressoa quase 30 anos após o lançamento do álbum que vendeu mais de 30 milhões de cópias mundialmente.
Marina Lima, escalada para um horário menos privilegiado às 15h50 de sábado, transformou adversidades em triunfo. Apesar de enfrentar problemas técnicos com o som de sua guitarra e o calor intenso da tarde paulistana, a cantora de 68 anos trouxe uma performance emocionante, incluindo uma homenagem ao irmão Antonio Cícero, falecido em 2024, e uma parceria surpresa com Pabllo Vittar. Seu setlist, que mesclou clássicos como “Fullgás” com um cover de Billie Eilish, destacou sua versatilidade e consolidou sua posição como um dos nomes nacionais mais fortes do evento.
No campo das surpresas, Michael Kiwanuka encantou com um show soul que fugiu da predominância pop do festival. O britânico, conhecido por faixas como “Cold Little Heart”, apresentou-se na sexta-feira, dia 28, com uma banda afiada e uma voz rouca que conquistou até quem não o conhecia. Sua timidez no palco foi compensada pela entrega emocional, atraindo um público curioso que cresceu ao longo da apresentação.
Destaques positivos do Lollapalooza 2025:
Alanis Morissette: Melhor show com setlist impecável.
Marina Lima: Superação em horário desafiador.
Michael Kiwanuka: Alma soul em meio ao pop.
Performances que decepcionaram
Nessa Barrett, apontada como o pior show do festival, subiu ao palco no sábado, dia 29, com uma performance que não correspondeu às expectativas. A cantora de 22 anos, que ganhou fama no TikTok antes de assinar seu primeiro contrato musical, relyou fortemente em vocais pré-gravados e dublagem, falhando em entregar uma experiência ao vivo convincente. Apesar de contar com uma base fiel de fãs, em sua maioria jovens mulheres que gritavam declarações de amor, a falta de desenvoltura vocal e a dependência de playback a colocaram no topo da lista negativa.
Shawn Mendes, headliner da noite de sábado, também não conseguiu emplacar. Após uma passagem morna pelo Rock in Rio meses antes, o cantor trouxe uma estrutura de palco mais elaborada ao Lollapalooza, com luzes e fogos de artifício, mas o resultado foi irregular. A repetição de “Mas que Nada”, de Jorge Ben Jor, e a inclusão de um meme com “a vida presta” arrancaram risadas, mas não seguraram o público, que começou a se dispersar após o show de Alanis Morissette no mesmo dia. A falta de energia e conexão com os 240 mil presentes pesou contra o canadense de 26 anos.
Tate McRae, estreando no Brasil na sexta-feira, dia 28, trouxe uma apresentação que destacou mais suas habilidades como dançarina do que como cantora. Com 21 anos e hits como “Greedy”, a canadense apostou em coreografias elaboradas, mas sua voz não acompanhou o ritmo, especialmente em faixas mais exigentes. O excesso de gritos de “WHAT?” durante as músicas foi visto como uma tentativa de disfarçar as limitações vocais, dividindo opiniões entre fãs de pop e ouvintes mais exigentes.
Artistas que surpreenderam no palco
Olivia Rodrigo, aos 22 anos, comandou o palco principal na sexta-feira com um show que reforçou seu status de ídolo da geração Z. Apesar de algumas falhas vocais em faixas agitadas como “Love is Embarrassing”, onde as coreografias comprometeram o fôlego, a jovem americana emocionou a multidão com “Drivers License” e outras baladas. A presença de pais acompanhando adolescentes na plateia evidenciou o alcance intergeracional de seu apelo, mesmo que sua performance ainda mostre espaço para amadurecimento.
Ca7riel & Paco Amoroso, dupla argentina que se apresentou no domingo, dia 30, trouxe um frescor ao festival com seu rap latino. Apesar de serem pouco conhecidos no Brasil e terem lançado seu primeiro disco em 2024, os dois conseguiram engajar o público com energia e carisma. Quem estava no palco Budweiser dançou e prestou atenção, algo raro para artistas novatos em festivais desse porte, onde muitos espectadores costumam se distrair com celulares.
Justin Timberlake, na noite de sábado, provou que ainda tem o “molho” de popstar. Aos 44 anos, o ex-NSYNC enfrentou uma fase de menor sucesso comercial e críticas online, mas seu show no Lollapalooza mostrou um vocal afiado e uma presença de palco que dispensou bases pré-gravadas. Dançando de um lado ao outro, ele relembrou hits como “Cry Me a River” e “SexyBack”, conquistando um sexto lugar entre os melhores do evento.
Momentos técnicos e escolhas de line-up
A edição de 2025 do Lollapalooza enfrentou desafios técnicos que impactaram algumas apresentações. Marina Lima, por exemplo, precisou interromper seu show mais de uma vez para pedir ajustes no som da guitarra, um problema que testou sua paciência e a do público. Apesar disso, a cantora transformou a situação em um momento de conexão, mantendo a energia com a ajuda de Pabllo Vittar e uma plateia fiel.
O line-up, embora repleto de nomes virais do TikTok e Instagram, foi criticado por sua falta de diversidade musical. Gêneros como rap, funk e música latina tiveram pouca representatividade, com exceções como Ca7riel & Paco Amoroso e o soul de Michael Kiwanuka. A concentração em pop, rock e eletrônico agradou aos fãs desses estilos, mas deixou saudades de edições anteriores com maior variedade, como a de 2023, que trouxe nomes como Tame Impala e Rosalía.
Problemas e acertos do festival:
Falhas técnicas atrapalharam Marina Lima, mas não seu brilho.
Horários desfavoráveis prejudicaram nomes nacionais.
Pouca diversidade no line-up limitou opções musicais.
Cronologia do Lollapalooza 2025
Os três dias de festival seguiram uma dinâmica intensa, com momentos marcantes registrados ao longo do fim de semana. Veja os principais eventos:
28 de março (sexta-feira): Olivia Rodrigo abre o palco principal; Michael Kiwanuka surpreende no Budweiser.
29 de março (sábado): Marina Lima emociona à tarde; Shawn Mendes e Justin Timberlake dividem a noite.
30 de março (domingo): Ca7riel & Paco Amoroso agitam o Budweiser; Alanis Morissette fecha com o melhor show.
Essa sequência reflete a evolução do público ao longo do evento, que começou com uma energia jovem e foi ganhando peso com nomes mais experientes, culminando na performance avassaladora de Alanis.
Reações do público e impacto cultural
A multidão de 240 mil pessoas trouxe uma mistura de euforia e frustração ao Autódromo de Interlagos. Fãs de Alanis Morissette lotaram o palco principal no domingo, cantando hits que atravessaram gerações, enquanto adolescentes vibraram com Olivia Rodrigo na sexta. Já Shawn Mendes viu parte do público se dissipar, um sinal de que seu apelo não foi suficiente para segurar a energia deixada por outros artistas da noite.
Nas redes sociais, especialmente no X, as reações foram imediatas. Postagens em português no dia 31 de março destacaram a força de Alanis e a decepção com Nessa Barrett, com frases como “Alanis salvou o Lolla” e “Nessa Barrett foi um fiasco” ganhando tração. A presença de artistas como Girl in Red, que celebrou a diversidade com um arco-íris no palco, também gerou comentários positivos, reforçando o impacto cultural do festival.
O Lollapalooza 2025 consolidou sua posição como um dos maiores eventos musicais da América Latina, mas expôs a necessidade de equilibrar nomes virais com artistas consolidados. A edição trouxe lições para os organizadores, que terão o desafio de diversificar o line-up em 2026 sem perder o apelo comercial que lotou Interlagos.
Nomes que brilharam além do esperado
Girl in Red, a norueguesa de 26 anos, transformou o palco Perry’s no sábado em um espaço de celebração. Apesar de uma infecção na garganta, ela manteve a plateia animada com faixas como “We Fell in Love in October” e “Girls”, trazendo uma mensagem de aceitação que ressoou com o público jovem. Sua energia compensou as limitações vocais, garantindo um quarto lugar na lista dos melhores.
Parcels, banda australiana de eletropop, aproveitou o horário do anoitecer no domingo para entregar um dos shows mais dançantes do festival. Com influências de Daft Punk e Nile Rodgers, o grupo atraiu uma multidão crescente no palco Adidas, mostrando que o gênero eletrônico ainda tem força em eventos como o Lolla. A combinação de baixo pulsante e coros contagiantes colocou os australianos no top 5.
Empire of the Sun, também da Austrália, levou o público a uma viagem sensorial no sábado. Com figurinos extravagantes e cenografia neon, o duo liderado por Luke Steele e Nick Littlemore transformou o palco em um espetáculo visual e sonoro. O hit “Walking on a Dream”, resgatado pela geração Z no TikTok, foi o ponto alto, mas a apresentação como um todo impressionou pela coerência artística.
Artistas que não entregaram o prometido
Benson Boone, com apenas 22 anos, estreou no Brasil na sexta-feira carregando o peso de “Beautiful Things”, hit mais ouvido de 2024 nas plataformas digitais. Apesar de uma voz potente, o cantor americano não conseguiu se destacar em um repertório genérico e uma postura indecisa no palco, ficando na quinta posição entre os piores shows do festival.
Foster the People, na noite de sábado, trouxe uma energia inconsistente ao palco principal. A banda de indie rock, que já foi um nome forte na cena alternativa com “Pumped Up Kicks”, não conseguiu ir além da nostalgia de seu álbum “Torches”, de 2011. A falta de novos hits e a execução morna das faixas recentes deixaram a apresentação aquém do esperado para um sub-headliner.
Jão, fechando a lista dos melhores em décimo lugar, teve um desempenho sólido no domingo, mas com ressalvas. O cantor paulista de 30 anos reforçou sua posição no pop brasileiro com uma multidão a seus pés, mas o cover atrapalhado de “Linger”, dos Cranberries, e um setlist focado em “Pirata” (2021) dividiram opiniões entre os fãs mais casuais e os dedicados.
O que o Lollapalooza 2025 deixa de legado
A edição deste ano no Autódromo de Interlagos reforçou a capacidade do festival de atrair grandes multidões, mas também expôs fragilidades na curadoria musical. A predominância de artistas pop e rock, muitos impulsionados por redes sociais, agradou ao público jovem, mas deixou lacunas em gêneros que já tiveram mais espaço em edições passadas, como o rap e o funk brasileiro.
A presença de nomes como Alanis Morissette e Marina Lima mostrou que experiência e repertório sólido ainda têm peso em um evento dominado por artistas em ascensão. Enquanto isso, as decepções de Shawn Mendes e Nessa Barrett indicam que fama online nem sempre se traduz em performances ao vivo impactantes. O Lollapalooza 2025, com seus altos e baixos, reflete um momento de transição na música global, onde o viral disputa espaço com o clássico.
Mais de 240 mil pessoas passaram pelo Autódromo de Interlagos, em São Paulo, entre os dias 28 e 30 de março para a 12ª edição do Lollapalooza Brasil. O festival, que reuniu nomes como Alanis Morissette, Olivia Rodrigo e Shawn Mendes, trouxe uma mistura de performances memoráveis e momentos que deixaram a desejar. Com um line-up dominado por pop, rock e eletrônico, o evento deste ano foi marcado por uma programação menos diversa em estilos musicais, mas compensou com apresentações que variaram entre o excepcional e o decepcionante. Artistas como Michael Kiwanuka e a dupla argentina Ca7riel & Paco Amoroso surpreenderam positivamente, enquanto outros, como Nessa Barrett e Tate McRae, não conseguiram entregar o esperado.
A escolha dos destaques e das decepções considerou não apenas o talento dos artistas, mas também a reação do público, a qualidade técnica dos shows e a coerência dos setlists. Alanis Morissette, com seus 50 anos e um repertório ancorado no clássico “Jagged Little Pill”, dominou o palco principal com uma energia que fez o festival parecer pequeno diante de sua presença. Por outro lado, nomes como Shawn Mendes e Foster the People, apesar da fama, não conseguiram sustentar o peso de suas posições no line-up, resultando em apresentações mornas que esvaziaram parte da plateia.
Entre os pontos altos, a presença de Marina Lima trouxe um respiro nacional ao evento, enquanto Justin Timberlake provou que ainda carrega o carisma de um popstar. Já as críticas recaíram sobre artistas que dependeram demais de playback ou não souberam se conectar com o público brasileiro. O festival, que teve ingressos esgotados para os três dias, também foi palco de problemas técnicos e escolhas de horários questionáveis, mas nada que apagasse os momentos de brilho que fizeram a edição de 2025 entrar para a história.
Shows que marcaram o festival
Alanis Morissette subiu ao palco principal na noite de domingo, dia 30, e entregou o que foi considerado o melhor show do Lollapalooza 2025. Aos 50 anos, a canadense revisitou hits de “Jagged Little Pill”, como “Ironic” e “You Oughta Know”, com uma voz potente e uma presença que contrastou com a juventude de outros headliners. A plateia, composta por fãs de longa data e novos admiradores, respondeu com entusiasmo, cantando em uníssono enquanto ela mostrava que o peso de suas letras ainda ressoa quase 30 anos após o lançamento do álbum que vendeu mais de 30 milhões de cópias mundialmente.
Marina Lima, escalada para um horário menos privilegiado às 15h50 de sábado, transformou adversidades em triunfo. Apesar de enfrentar problemas técnicos com o som de sua guitarra e o calor intenso da tarde paulistana, a cantora de 68 anos trouxe uma performance emocionante, incluindo uma homenagem ao irmão Antonio Cícero, falecido em 2024, e uma parceria surpresa com Pabllo Vittar. Seu setlist, que mesclou clássicos como “Fullgás” com um cover de Billie Eilish, destacou sua versatilidade e consolidou sua posição como um dos nomes nacionais mais fortes do evento.
No campo das surpresas, Michael Kiwanuka encantou com um show soul que fugiu da predominância pop do festival. O britânico, conhecido por faixas como “Cold Little Heart”, apresentou-se na sexta-feira, dia 28, com uma banda afiada e uma voz rouca que conquistou até quem não o conhecia. Sua timidez no palco foi compensada pela entrega emocional, atraindo um público curioso que cresceu ao longo da apresentação.
Destaques positivos do Lollapalooza 2025:
Alanis Morissette: Melhor show com setlist impecável.
Marina Lima: Superação em horário desafiador.
Michael Kiwanuka: Alma soul em meio ao pop.
Performances que decepcionaram
Nessa Barrett, apontada como o pior show do festival, subiu ao palco no sábado, dia 29, com uma performance que não correspondeu às expectativas. A cantora de 22 anos, que ganhou fama no TikTok antes de assinar seu primeiro contrato musical, relyou fortemente em vocais pré-gravados e dublagem, falhando em entregar uma experiência ao vivo convincente. Apesar de contar com uma base fiel de fãs, em sua maioria jovens mulheres que gritavam declarações de amor, a falta de desenvoltura vocal e a dependência de playback a colocaram no topo da lista negativa.
Shawn Mendes, headliner da noite de sábado, também não conseguiu emplacar. Após uma passagem morna pelo Rock in Rio meses antes, o cantor trouxe uma estrutura de palco mais elaborada ao Lollapalooza, com luzes e fogos de artifício, mas o resultado foi irregular. A repetição de “Mas que Nada”, de Jorge Ben Jor, e a inclusão de um meme com “a vida presta” arrancaram risadas, mas não seguraram o público, que começou a se dispersar após o show de Alanis Morissette no mesmo dia. A falta de energia e conexão com os 240 mil presentes pesou contra o canadense de 26 anos.
Tate McRae, estreando no Brasil na sexta-feira, dia 28, trouxe uma apresentação que destacou mais suas habilidades como dançarina do que como cantora. Com 21 anos e hits como “Greedy”, a canadense apostou em coreografias elaboradas, mas sua voz não acompanhou o ritmo, especialmente em faixas mais exigentes. O excesso de gritos de “WHAT?” durante as músicas foi visto como uma tentativa de disfarçar as limitações vocais, dividindo opiniões entre fãs de pop e ouvintes mais exigentes.
Artistas que surpreenderam no palco
Olivia Rodrigo, aos 22 anos, comandou o palco principal na sexta-feira com um show que reforçou seu status de ídolo da geração Z. Apesar de algumas falhas vocais em faixas agitadas como “Love is Embarrassing”, onde as coreografias comprometeram o fôlego, a jovem americana emocionou a multidão com “Drivers License” e outras baladas. A presença de pais acompanhando adolescentes na plateia evidenciou o alcance intergeracional de seu apelo, mesmo que sua performance ainda mostre espaço para amadurecimento.
Ca7riel & Paco Amoroso, dupla argentina que se apresentou no domingo, dia 30, trouxe um frescor ao festival com seu rap latino. Apesar de serem pouco conhecidos no Brasil e terem lançado seu primeiro disco em 2024, os dois conseguiram engajar o público com energia e carisma. Quem estava no palco Budweiser dançou e prestou atenção, algo raro para artistas novatos em festivais desse porte, onde muitos espectadores costumam se distrair com celulares.
Justin Timberlake, na noite de sábado, provou que ainda tem o “molho” de popstar. Aos 44 anos, o ex-NSYNC enfrentou uma fase de menor sucesso comercial e críticas online, mas seu show no Lollapalooza mostrou um vocal afiado e uma presença de palco que dispensou bases pré-gravadas. Dançando de um lado ao outro, ele relembrou hits como “Cry Me a River” e “SexyBack”, conquistando um sexto lugar entre os melhores do evento.
Momentos técnicos e escolhas de line-up
A edição de 2025 do Lollapalooza enfrentou desafios técnicos que impactaram algumas apresentações. Marina Lima, por exemplo, precisou interromper seu show mais de uma vez para pedir ajustes no som da guitarra, um problema que testou sua paciência e a do público. Apesar disso, a cantora transformou a situação em um momento de conexão, mantendo a energia com a ajuda de Pabllo Vittar e uma plateia fiel.
O line-up, embora repleto de nomes virais do TikTok e Instagram, foi criticado por sua falta de diversidade musical. Gêneros como rap, funk e música latina tiveram pouca representatividade, com exceções como Ca7riel & Paco Amoroso e o soul de Michael Kiwanuka. A concentração em pop, rock e eletrônico agradou aos fãs desses estilos, mas deixou saudades de edições anteriores com maior variedade, como a de 2023, que trouxe nomes como Tame Impala e Rosalía.
Problemas e acertos do festival:
Falhas técnicas atrapalharam Marina Lima, mas não seu brilho.
Horários desfavoráveis prejudicaram nomes nacionais.
Pouca diversidade no line-up limitou opções musicais.
Cronologia do Lollapalooza 2025
Os três dias de festival seguiram uma dinâmica intensa, com momentos marcantes registrados ao longo do fim de semana. Veja os principais eventos:
28 de março (sexta-feira): Olivia Rodrigo abre o palco principal; Michael Kiwanuka surpreende no Budweiser.
29 de março (sábado): Marina Lima emociona à tarde; Shawn Mendes e Justin Timberlake dividem a noite.
30 de março (domingo): Ca7riel & Paco Amoroso agitam o Budweiser; Alanis Morissette fecha com o melhor show.
Essa sequência reflete a evolução do público ao longo do evento, que começou com uma energia jovem e foi ganhando peso com nomes mais experientes, culminando na performance avassaladora de Alanis.
Reações do público e impacto cultural
A multidão de 240 mil pessoas trouxe uma mistura de euforia e frustração ao Autódromo de Interlagos. Fãs de Alanis Morissette lotaram o palco principal no domingo, cantando hits que atravessaram gerações, enquanto adolescentes vibraram com Olivia Rodrigo na sexta. Já Shawn Mendes viu parte do público se dissipar, um sinal de que seu apelo não foi suficiente para segurar a energia deixada por outros artistas da noite.
Nas redes sociais, especialmente no X, as reações foram imediatas. Postagens em português no dia 31 de março destacaram a força de Alanis e a decepção com Nessa Barrett, com frases como “Alanis salvou o Lolla” e “Nessa Barrett foi um fiasco” ganhando tração. A presença de artistas como Girl in Red, que celebrou a diversidade com um arco-íris no palco, também gerou comentários positivos, reforçando o impacto cultural do festival.
O Lollapalooza 2025 consolidou sua posição como um dos maiores eventos musicais da América Latina, mas expôs a necessidade de equilibrar nomes virais com artistas consolidados. A edição trouxe lições para os organizadores, que terão o desafio de diversificar o line-up em 2026 sem perder o apelo comercial que lotou Interlagos.
Nomes que brilharam além do esperado
Girl in Red, a norueguesa de 26 anos, transformou o palco Perry’s no sábado em um espaço de celebração. Apesar de uma infecção na garganta, ela manteve a plateia animada com faixas como “We Fell in Love in October” e “Girls”, trazendo uma mensagem de aceitação que ressoou com o público jovem. Sua energia compensou as limitações vocais, garantindo um quarto lugar na lista dos melhores.
Parcels, banda australiana de eletropop, aproveitou o horário do anoitecer no domingo para entregar um dos shows mais dançantes do festival. Com influências de Daft Punk e Nile Rodgers, o grupo atraiu uma multidão crescente no palco Adidas, mostrando que o gênero eletrônico ainda tem força em eventos como o Lolla. A combinação de baixo pulsante e coros contagiantes colocou os australianos no top 5.
Empire of the Sun, também da Austrália, levou o público a uma viagem sensorial no sábado. Com figurinos extravagantes e cenografia neon, o duo liderado por Luke Steele e Nick Littlemore transformou o palco em um espetáculo visual e sonoro. O hit “Walking on a Dream”, resgatado pela geração Z no TikTok, foi o ponto alto, mas a apresentação como um todo impressionou pela coerência artística.
Artistas que não entregaram o prometido
Benson Boone, com apenas 22 anos, estreou no Brasil na sexta-feira carregando o peso de “Beautiful Things”, hit mais ouvido de 2024 nas plataformas digitais. Apesar de uma voz potente, o cantor americano não conseguiu se destacar em um repertório genérico e uma postura indecisa no palco, ficando na quinta posição entre os piores shows do festival.
Foster the People, na noite de sábado, trouxe uma energia inconsistente ao palco principal. A banda de indie rock, que já foi um nome forte na cena alternativa com “Pumped Up Kicks”, não conseguiu ir além da nostalgia de seu álbum “Torches”, de 2011. A falta de novos hits e a execução morna das faixas recentes deixaram a apresentação aquém do esperado para um sub-headliner.
Jão, fechando a lista dos melhores em décimo lugar, teve um desempenho sólido no domingo, mas com ressalvas. O cantor paulista de 30 anos reforçou sua posição no pop brasileiro com uma multidão a seus pés, mas o cover atrapalhado de “Linger”, dos Cranberries, e um setlist focado em “Pirata” (2021) dividiram opiniões entre os fãs mais casuais e os dedicados.
O que o Lollapalooza 2025 deixa de legado
A edição deste ano no Autódromo de Interlagos reforçou a capacidade do festival de atrair grandes multidões, mas também expôs fragilidades na curadoria musical. A predominância de artistas pop e rock, muitos impulsionados por redes sociais, agradou ao público jovem, mas deixou lacunas em gêneros que já tiveram mais espaço em edições passadas, como o rap e o funk brasileiro.
A presença de nomes como Alanis Morissette e Marina Lima mostrou que experiência e repertório sólido ainda têm peso em um evento dominado por artistas em ascensão. Enquanto isso, as decepções de Shawn Mendes e Nessa Barrett indicam que fama online nem sempre se traduz em performances ao vivo impactantes. O Lollapalooza 2025, com seus altos e baixos, reflete um momento de transição na música global, onde o viral disputa espaço com o clássico.