Lá se vão quase três décadas em que os hits do Bush tinham presença constante na MTV e nas rádios rock brasileiras. O auge garantiu uma turnê no país em novembro de 1997, com casas cheias em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
O mesmíssimo roteiro foi anunciado para este ano de 2025, com a novidade que a data paulista (domingo, 30), inaugural desta que é a terceira visita ao Brasil, seria em um festival — Lollapalooza Brasil —, o que nunca havia ocorrido até então.
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A presença do grupo inglês no festival foi confirmada meses após o anúncio do lineup para a edição de 2025. Não era difícil encontrar comentários positivos a essa inesperada atração. A adição de outros dois shows, na última terça (1º) em Curitiba e quarta (2) no Rio de Janeiro, corroborou a impressão de que a decisão de trazê-los ocorreu no momento adequado.
Todavia, o cancelamento dos pacotes VIP para todas as datas da América do Sul e as promoções tipo “pague um ingresso e leve dois” para os shows solo se mostraram os primeiros indícios de que a realidade redimensionaria as expectativas otimistas. Mas nada que preparasse para o choque que foi a pouca quantidade de gente que aguardava em frente ao palco Mike’s Ice minutos antes do show do Bush começar no Lolla.

Justiça seja feita: quando as luzes se apagaram, aumentou o número de pessoas. Todavia, não ameaçava — nem de longe — o conforto de quem assistia, independentemente do local onde estivesse.
Not everything zen
O som meio embolado não permitiu a identificação imediata da música que a banda começou a tocar ao subir ao palco e tornou secundária a questão do tamanho do público. Era “Everything Zen”, faixa de abertura do disco de estreia “Sixteen Stone” (1994).

Muito se usa palavras como “nostalgia”, “grunge” e outros termos que dizem bastante sobre muitas bandas em conjunto, mas quase nada sobre o artista quando analisado individualmente. No caso do Bush, vítima recorrente deste tipo de texto carente de informação, esconde-se que é dele dois dos discos mais subestimados da década de 90, sendo “Razorblade Suitcase” (1997) o outro.
Não à toa, a segunda música apresentada também vem também desse período. “Machinehead” teve seu riff atemporal quase prejudicado pela qualidade do som ainda estar “na metade do caminho” em direção ao ideal. Gavin Rossdale, cantor e compositor solitário de 90% do material, fez uso de efeitos para voz, ou voz duplicada, que ora ficavam muito à frente do instrumental, ora sumiam. Um bolo sonoro indesejado, mas passível de superação.

Abraçar a limitação ou fingir que ela não existe?
Até então, não se tratava de playback. A diferença ficou clara na terceira música, “More Than Machines”, esta sim totalmente à base de playback. Ocorre justo quando Gavin abdica de tocar a guitarra base e corre pra galera — literalmente, pois segue até onde a grade o permite na direção da torre de som. Um curioso descanso para a voz.
Rossdale teve problemas com seu instrumento natural ao longo da carreira, mas abraçar a limitação seria mais condizente com a linha de trabalho que ele próprio construiu do que fingir que ela não existe. Como quando ficou sozinho para tocar a balada “Glycerine” e, mesmo com a guitarra desafinada, foi em frente sem se abalar. Coerente com o desarranjo retratado na música, que tem entre os versos “se eu te trato mal, você fere meu rosto, não poderia te amar mais, você tem um bom gosto”.

A recusa de aceitar os efeitos do tempo volta em “Flowers on a Grave”. Esta faixa e “More Than Machines” são da fase mais recente, já com Gavin na condição de único integrante remanescente da formação original. E foram as únicas em que o playback reinou.
A insegurança inexiste quando chega a hora de tocar o que foi lançado antes da pausa, ocorrida em 2002 e que resultou no fim da formação original. “The Chemicals Between Us” é tocada sem trapaça, bem como a cinematográfica “Greedy Fly”. É impossível não lembrar do clipe, que ainda impressiona pela qualidade e poderia tranquilamente estar na divisão de suspense de qualquer plataforma de streaming mais de 25 anos depois de filmado.

Autoconfiança além da conta
A autoconfiança ultrapassa o limite do saudável quando chega a hora de “Swallowed”, que tem todo o peso e o crescente instrumental substituídos por um arranjo de cordas pré-gravado que apenas mata a canção. Rossdale fica sozinho para assumir toda a culpa desse crime artístico, uma gentileza com os músicos que o acompanham, que assim ficam livres de serem cúmplices.
Se não se destacam negativamente, tampouco o fazem positivamente. O baterista Nik Hughes simplifica os arranjos sofisticados e criativos gravados pelo ex-integrante Robin Goodridge. O guitarrista Chris Traynor e o baixista Corey Britz têm uma postura discreta no palco e não deixaram para a posteridade arranjos marcantes como Nigel Pusford fez no riff de “Machinehead” ou Dave Parsons fez na linha hipnótica que conduz “Comedown”, tradicional música de encerramento dos shows do Bush.

Quando uma banda tem na linha de frente um músico carismático como Gavin Rossdale, é muito difícil o show ser ruim, ainda mais quando é baseado em discos tão bons. O vocalista disse “a gente se vê em breve”. Podem aproveitar que não foi tanta gente que viu — apesar da transmissão na TV —, corrigir alguns detalhes e os resultados serão melhores.

Bush – ao vivo em São Paulo
- Local: Autódromo de Interlagos (Lollapalooza Brasil)
- Data: 30 de março de 2025
- Turnê: Loaded: The Greatest Hits
Repertório:
- Everything Zen
- Machinehead
- More Than Machines
- The Chemicals Between Us
- Greedy Fly
- Swallowed
- Flowers on a Grave
- Little Things
- Glycerine
- Comedown

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Lá se vão quase três décadas em que os hits do Bush tinham presença constante na MTV e nas rádios rock brasileiras. O auge garantiu uma turnê no país em novembro de 1997, com casas cheias em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
O mesmíssimo roteiro foi anunciado para este ano de 2025, com a novidade que a data paulista (domingo, 30), inaugural desta que é a terceira visita ao Brasil, seria em um festival — Lollapalooza Brasil —, o que nunca havia ocorrido até então.
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A presença do grupo inglês no festival foi confirmada meses após o anúncio do lineup para a edição de 2025. Não era difícil encontrar comentários positivos a essa inesperada atração. A adição de outros dois shows, na última terça (1º) em Curitiba e quarta (2) no Rio de Janeiro, corroborou a impressão de que a decisão de trazê-los ocorreu no momento adequado.
Todavia, o cancelamento dos pacotes VIP para todas as datas da América do Sul e as promoções tipo “pague um ingresso e leve dois” para os shows solo se mostraram os primeiros indícios de que a realidade redimensionaria as expectativas otimistas. Mas nada que preparasse para o choque que foi a pouca quantidade de gente que aguardava em frente ao palco Mike’s Ice minutos antes do show do Bush começar no Lolla.

Justiça seja feita: quando as luzes se apagaram, aumentou o número de pessoas. Todavia, não ameaçava — nem de longe — o conforto de quem assistia, independentemente do local onde estivesse.
Not everything zen
O som meio embolado não permitiu a identificação imediata da música que a banda começou a tocar ao subir ao palco e tornou secundária a questão do tamanho do público. Era “Everything Zen”, faixa de abertura do disco de estreia “Sixteen Stone” (1994).

Muito se usa palavras como “nostalgia”, “grunge” e outros termos que dizem bastante sobre muitas bandas em conjunto, mas quase nada sobre o artista quando analisado individualmente. No caso do Bush, vítima recorrente deste tipo de texto carente de informação, esconde-se que é dele dois dos discos mais subestimados da década de 90, sendo “Razorblade Suitcase” (1997) o outro.
Não à toa, a segunda música apresentada também vem também desse período. “Machinehead” teve seu riff atemporal quase prejudicado pela qualidade do som ainda estar “na metade do caminho” em direção ao ideal. Gavin Rossdale, cantor e compositor solitário de 90% do material, fez uso de efeitos para voz, ou voz duplicada, que ora ficavam muito à frente do instrumental, ora sumiam. Um bolo sonoro indesejado, mas passível de superação.

Abraçar a limitação ou fingir que ela não existe?
Até então, não se tratava de playback. A diferença ficou clara na terceira música, “More Than Machines”, esta sim totalmente à base de playback. Ocorre justo quando Gavin abdica de tocar a guitarra base e corre pra galera — literalmente, pois segue até onde a grade o permite na direção da torre de som. Um curioso descanso para a voz.
Rossdale teve problemas com seu instrumento natural ao longo da carreira, mas abraçar a limitação seria mais condizente com a linha de trabalho que ele próprio construiu do que fingir que ela não existe. Como quando ficou sozinho para tocar a balada “Glycerine” e, mesmo com a guitarra desafinada, foi em frente sem se abalar. Coerente com o desarranjo retratado na música, que tem entre os versos “se eu te trato mal, você fere meu rosto, não poderia te amar mais, você tem um bom gosto”.

A recusa de aceitar os efeitos do tempo volta em “Flowers on a Grave”. Esta faixa e “More Than Machines” são da fase mais recente, já com Gavin na condição de único integrante remanescente da formação original. E foram as únicas em que o playback reinou.
A insegurança inexiste quando chega a hora de tocar o que foi lançado antes da pausa, ocorrida em 2002 e que resultou no fim da formação original. “The Chemicals Between Us” é tocada sem trapaça, bem como a cinematográfica “Greedy Fly”. É impossível não lembrar do clipe, que ainda impressiona pela qualidade e poderia tranquilamente estar na divisão de suspense de qualquer plataforma de streaming mais de 25 anos depois de filmado.

Autoconfiança além da conta
A autoconfiança ultrapassa o limite do saudável quando chega a hora de “Swallowed”, que tem todo o peso e o crescente instrumental substituídos por um arranjo de cordas pré-gravado que apenas mata a canção. Rossdale fica sozinho para assumir toda a culpa desse crime artístico, uma gentileza com os músicos que o acompanham, que assim ficam livres de serem cúmplices.
Se não se destacam negativamente, tampouco o fazem positivamente. O baterista Nik Hughes simplifica os arranjos sofisticados e criativos gravados pelo ex-integrante Robin Goodridge. O guitarrista Chris Traynor e o baixista Corey Britz têm uma postura discreta no palco e não deixaram para a posteridade arranjos marcantes como Nigel Pusford fez no riff de “Machinehead” ou Dave Parsons fez na linha hipnótica que conduz “Comedown”, tradicional música de encerramento dos shows do Bush.

Quando uma banda tem na linha de frente um músico carismático como Gavin Rossdale, é muito difícil o show ser ruim, ainda mais quando é baseado em discos tão bons. O vocalista disse “a gente se vê em breve”. Podem aproveitar que não foi tanta gente que viu — apesar da transmissão na TV —, corrigir alguns detalhes e os resultados serão melhores.

Bush – ao vivo em São Paulo
- Local: Autódromo de Interlagos (Lollapalooza Brasil)
- Data: 30 de março de 2025
- Turnê: Loaded: The Greatest Hits
Repertório:
- Everything Zen
- Machinehead
- More Than Machines
- The Chemicals Between Us
- Greedy Fly
- Swallowed
- Flowers on a Grave
- Little Things
- Glycerine
- Comedown

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