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3 Apr 2025, Thu

Médico cita os perigos de consumir alimento rico em microplásticos

Foto colorida de língua dos microplásticos - Metrópoles


A coluna Claudia Meireles costuma estar de “olhos e ouvidos” bem abertos sobre temáticas que podem prejudicar a saúde. Entre os tópicos que têm sido abordados recentemente constam os microplásticos. Uma pesquisa, que será apresentada na American Chemical Society, em San Diego (EUA), descobriu que a goma de mascar — ou seja, chiclete — libera pequenas partículas danosas de plástico no organismo.

Para entender melhor sobre o estudo relacionado a mascar chiclete e, consequentemente, ingerir microplásticos, foi preciso acionar o médico Wandyk Alisson. Ele é pós-graduado em endocrinologia, metabologia, fisiologia, medicina integrativa e nutrição clínica.

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Conforme o estudo, o chiclete tem alto índice de microplásticos por grama

Liudmila Chernetska/Getty Images

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Feita nos Estados Unidos, a pesquisa analisou 10 marcas de chiclete

Ipag/Getty Images

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Microplásticos se concentram no organismo e dificilmente são eliminados

Getty Images

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Foram analisadas as gomas de mascar tanto sintéticas quanto naturais

Getty Images

De acordo com o especialista, a ingestão de microplásticos tem sido “associada a diversos riscos potenciais à saúde humana”, embora a extensão completa desses efeitos ainda esteja sob investigação. “Estudos sugerem que essas partículas podem provocar inflamações, estresse oxidativo e desequilíbrios na microbiota intestinal, além de liberar substâncias tóxicas no organismo”, explica.

“A presença de microplásticos no trato gastrointestinal pode causar irritações, resultando em sintomas como dor abdominal, inchaço, diarreia ou constipação, náusea e vômito”, acrescenta o médico. Conforme Wandyk, essas partículas após serem ingeridas tendem a entrar na corrente sanguínea e se distribuir por diversos órgãos, como o fígado.

“Quando mastigamos, a fricção libera pequenas partículas desses materiais, que podem ser ingeridas junto com a saliva e acabar no trato gastrointestinal. Estudos recentes demonstram que uma única goma de mascar pode liberar centenas de microplásticos nos primeiros minutos de mastigação, elevando significativamente a exposição a essas partículas”, enfatiza o médico.

Foto colorida de vidraria de laboratorio Erlenmeyer com uma solução transparente e microplasticos. Metrópoles
A pesquisa analisou a quantidade de microplásticos presentes na goma de mascar

Estudo

Estudante de doutorado pela Universidade da Califórnia (Ucla), em Los Angeles (EUA), Lisa Lowe é a autora principal da pesquisa. Conforme expôs o portal estadunidense Everyday Health, ela e outros cientistas analisaram 10 marcas populares de goma de mascar, sendo cinco naturais e a outra parte de produtos sintéticos.

No artigo, o site salientou que os chicletes são desenvolvidos com uma base de borracha, adoçante, aromatizantes e outros ingredientes: “As gomas naturais usam polímeros de origem vegetal (às vezes chamados de bioplásticos) e as gomas sintéticas usam polímeros de origem petrolífera — em outras palavras, a goma contém plástico como ingrediente.”

“No primeiro experimento, um voluntário mascou sete pedaços de goma de cada marca. O indivíduo mascou cada porção de goma por quatro minutos, produzindo amostras de saliva a cada 30 segundos, então fez um enxágue bucal com água limpa, tudo isso foi combinado em uma única amostra”, relatou o Everyday Health.

Foto colorida de gomas de mascar - Metrópoles
Os pesquisadores notaram que não foi a saliva que quebrou os microplásticos presentes no chiclete, mas sim o ato de mastigar que fez as partículas se desprenderem

Em outro experimento, o voluntário forneceu amostras de saliva periodicamente ao longo de 20 minutos em que esteve mascando o chiclete. Essa ação possibilitou que os estudiosos pudessem analisar a taxa de liberação de microplásticos de cada pedaço da goma.

Abaixo, confira algumas descobertas da pesquisa:

  • A goma liberou uma média de 100 microplásticos por grama, sendo que as opções pesam entre 2 g e 6 g.
  • Alguns tipos de chiclete apresentaram até 637 partículas por grama.
  • Grande parte dos microplásticos se desprendeu da goma nos primeiros dois minutos de mastigação.
  • Tanto as gomas sintéticas quanto as naturais tiveram quantidades semelhantes de liberação das pequenas partículas de plástico.

Pelas contas dos cientistas, um indivíduo que mastigar de 160 a 180 chicletes pequenos por ano, terá ingerido em torno de 30 mil pedaços de microplásticos.

Foto Macro de um monte de microplásticos - danos aos corpo humano
Após ingeridos, os microplásticos afetam a saúde

Análise do médico

Na avaliação do médico Wandyk Alisson, se o objetivo for minimizar ao máximo a exposição a microplásticos, deve-se eliminar completamente a goma de mascar da rotina. “Pode ser uma decisão válida”, reforça. Entretanto, se o consumo de chicletes for ocasional e feito de forma consciente, o especialista cita quanto aos riscos serem reduzidos perante a escolha de produtos de melhor qualidade.

Wandyk esclarece que “a melhor abordagem não é necessariamente abolir a goma de mascar”, mas sim apostar em opções “mais seguras e reduzir o consumo”. A seguir, ele faz algumas recomendações:

  • Evite chicletes com polímeros sintéticos: prefira marcas que utilizam bases naturais, como chicle de árvore sapoti (chicle natural).
  • Reduza a frequência: se você masca chiclete várias vezes ao dia, tente reduzir para ocasiões específicas.
  • Busque alternativas naturais: como goma de mascar orgânica ou pastilhas naturais sem plásticos.
Imagem mostra mulher colocando chiclete na boca - Metrópoles
Chiclete sem açúcar é associado a bons hábitos alimentares

Segundo o especialista em endocrinologia e metabologia, apesar dos riscos potenciais dos microplásticos, a goma de mascar também oferece alguns benefícios. O médico lista quais são essas vantagens:

  • Estimulação da saliva: ajuda na digestão, combate a boca seca e pode reduzir o risco de cáries (se for sem açúcar).
  • Melhoria da concentração: alguns estudos sugerem que mascar chiclete pode aumentar a atenção e reduzir o estresse momentaneamente.
  • Auxílio na higiene bucal: gomas com xilitol podem ajudar a reduzir bactérias nocivas na boca.

Wandyk finaliza ao ponderar que a decisão sobre manter ou não a goma de mascar na rotina deve levar em consideração o equilíbrio entre riscos e benefícios.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.



A coluna Claudia Meireles costuma estar de “olhos e ouvidos” bem abertos sobre temáticas que podem prejudicar a saúde. Entre os tópicos que têm sido abordados recentemente constam os microplásticos. Uma pesquisa, que será apresentada na American Chemical Society, em San Diego (EUA), descobriu que a goma de mascar — ou seja, chiclete — libera pequenas partículas danosas de plástico no organismo.

Para entender melhor sobre o estudo relacionado a mascar chiclete e, consequentemente, ingerir microplásticos, foi preciso acionar o médico Wandyk Alisson. Ele é pós-graduado em endocrinologia, metabologia, fisiologia, medicina integrativa e nutrição clínica.

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Conforme o estudo, o chiclete tem alto índice de microplásticos por grama

Liudmila Chernetska/Getty Images

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Feita nos Estados Unidos, a pesquisa analisou 10 marcas de chiclete

Ipag/Getty Images

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Microplásticos se concentram no organismo e dificilmente são eliminados

Getty Images

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Foram analisadas as gomas de mascar tanto sintéticas quanto naturais

Getty Images

De acordo com o especialista, a ingestão de microplásticos tem sido “associada a diversos riscos potenciais à saúde humana”, embora a extensão completa desses efeitos ainda esteja sob investigação. “Estudos sugerem que essas partículas podem provocar inflamações, estresse oxidativo e desequilíbrios na microbiota intestinal, além de liberar substâncias tóxicas no organismo”, explica.

“A presença de microplásticos no trato gastrointestinal pode causar irritações, resultando em sintomas como dor abdominal, inchaço, diarreia ou constipação, náusea e vômito”, acrescenta o médico. Conforme Wandyk, essas partículas após serem ingeridas tendem a entrar na corrente sanguínea e se distribuir por diversos órgãos, como o fígado.

“Quando mastigamos, a fricção libera pequenas partículas desses materiais, que podem ser ingeridas junto com a saliva e acabar no trato gastrointestinal. Estudos recentes demonstram que uma única goma de mascar pode liberar centenas de microplásticos nos primeiros minutos de mastigação, elevando significativamente a exposição a essas partículas”, enfatiza o médico.

Foto colorida de vidraria de laboratorio Erlenmeyer com uma solução transparente e microplasticos. Metrópoles
A pesquisa analisou a quantidade de microplásticos presentes na goma de mascar

Estudo

Estudante de doutorado pela Universidade da Califórnia (Ucla), em Los Angeles (EUA), Lisa Lowe é a autora principal da pesquisa. Conforme expôs o portal estadunidense Everyday Health, ela e outros cientistas analisaram 10 marcas populares de goma de mascar, sendo cinco naturais e a outra parte de produtos sintéticos.

No artigo, o site salientou que os chicletes são desenvolvidos com uma base de borracha, adoçante, aromatizantes e outros ingredientes: “As gomas naturais usam polímeros de origem vegetal (às vezes chamados de bioplásticos) e as gomas sintéticas usam polímeros de origem petrolífera — em outras palavras, a goma contém plástico como ingrediente.”

“No primeiro experimento, um voluntário mascou sete pedaços de goma de cada marca. O indivíduo mascou cada porção de goma por quatro minutos, produzindo amostras de saliva a cada 30 segundos, então fez um enxágue bucal com água limpa, tudo isso foi combinado em uma única amostra”, relatou o Everyday Health.

Foto colorida de gomas de mascar - Metrópoles
Os pesquisadores notaram que não foi a saliva que quebrou os microplásticos presentes no chiclete, mas sim o ato de mastigar que fez as partículas se desprenderem

Em outro experimento, o voluntário forneceu amostras de saliva periodicamente ao longo de 20 minutos em que esteve mascando o chiclete. Essa ação possibilitou que os estudiosos pudessem analisar a taxa de liberação de microplásticos de cada pedaço da goma.

Abaixo, confira algumas descobertas da pesquisa:

  • A goma liberou uma média de 100 microplásticos por grama, sendo que as opções pesam entre 2 g e 6 g.
  • Alguns tipos de chiclete apresentaram até 637 partículas por grama.
  • Grande parte dos microplásticos se desprendeu da goma nos primeiros dois minutos de mastigação.
  • Tanto as gomas sintéticas quanto as naturais tiveram quantidades semelhantes de liberação das pequenas partículas de plástico.

Pelas contas dos cientistas, um indivíduo que mastigar de 160 a 180 chicletes pequenos por ano, terá ingerido em torno de 30 mil pedaços de microplásticos.

Foto Macro de um monte de microplásticos - danos aos corpo humano
Após ingeridos, os microplásticos afetam a saúde

Análise do médico

Na avaliação do médico Wandyk Alisson, se o objetivo for minimizar ao máximo a exposição a microplásticos, deve-se eliminar completamente a goma de mascar da rotina. “Pode ser uma decisão válida”, reforça. Entretanto, se o consumo de chicletes for ocasional e feito de forma consciente, o especialista cita quanto aos riscos serem reduzidos perante a escolha de produtos de melhor qualidade.

Wandyk esclarece que “a melhor abordagem não é necessariamente abolir a goma de mascar”, mas sim apostar em opções “mais seguras e reduzir o consumo”. A seguir, ele faz algumas recomendações:

  • Evite chicletes com polímeros sintéticos: prefira marcas que utilizam bases naturais, como chicle de árvore sapoti (chicle natural).
  • Reduza a frequência: se você masca chiclete várias vezes ao dia, tente reduzir para ocasiões específicas.
  • Busque alternativas naturais: como goma de mascar orgânica ou pastilhas naturais sem plásticos.
Imagem mostra mulher colocando chiclete na boca - Metrópoles
Chiclete sem açúcar é associado a bons hábitos alimentares

Segundo o especialista em endocrinologia e metabologia, apesar dos riscos potenciais dos microplásticos, a goma de mascar também oferece alguns benefícios. O médico lista quais são essas vantagens:

  • Estimulação da saliva: ajuda na digestão, combate a boca seca e pode reduzir o risco de cáries (se for sem açúcar).
  • Melhoria da concentração: alguns estudos sugerem que mascar chiclete pode aumentar a atenção e reduzir o estresse momentaneamente.
  • Auxílio na higiene bucal: gomas com xilitol podem ajudar a reduzir bactérias nocivas na boca.

Wandyk finaliza ao ponderar que a decisão sobre manter ou não a goma de mascar na rotina deve levar em consideração o equilíbrio entre riscos e benefícios.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.



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