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3 Apr 2025, Thu

penas sobem até 12 anos e alertas tecnológicos

Furto de telefone


O crescente número de furtos e roubos de celulares, que atingiu quase 1 milhão de registros em 2023, levou o governo federal a intensificar o combate a essas práticas criminosas, consideradas uma porta de entrada para o crime organizado. Na última sexta-feira, 28 de março, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um projeto de lei que endurece as punições para quem furta aparelhos sob encomenda e para receptadores que lucram com a revenda. A proposta, agora sob análise da Casa Civil, prevê penas que podem chegar a 12 anos de prisão, um aumento de até 50% em relação ao máximo atual, além de criar o crime de furto qualificado para casos ligados a quadrilhas. Em paralelo, o programa Celular Seguro ganhará uma função inovadora: enviar mensagens aos novos usuários de aparelhos roubados, orientando a devolução às autoridades. A iniciativa combina repressão legal e tecnologia para desestimular o mercado ilegal e proteger a população.

A média de quase dois celulares subtraídos por minuto no país reflete a gravidade do problema, que vai além da perda material. Criminosos utilizam os aparelhos para acessar dados pessoais, realizar transações via Pix e aplicar golpes digitais, ampliando o impacto na segurança pública. Cidades como Teresina, Manaus e São Paulo lideram os registros, com a capital paulista concentrando 20% dos casos, apesar de abrigar apenas 5% da população nacional. O projeto de Lewandowski busca atingir diretamente as quadrilhas, como a liderada por Suedna Carneiro, conhecida como “mainha do crime”, presa em São Paulo após um assassinato por um celular em fevereiro deste ano.

A resposta do governo também inclui o uso de tecnologia para rastrear e inutilizar aparelhos furtados. Desde seu lançamento em dezembro de 2023, o Celular Seguro já permite bloqueios remotos de linhas e dispositivos via IMEI, mas a nova funcionalidade de mensagens visa alcançar quem adquire esses itens, muitas vezes sem saber da origem ilícita. Inspirado em iniciativas regionais, como a do Piauí, que recuperou 1.081 aparelhos no primeiro trimestre de 2024, o plano reflete uma tentativa de reduzir a atratividade do crime e devolver segurança aos cidadãos.

Principais mudanças na lei propostas

  • Furto qualificado: Pena de 2 a 8 anos para furtos sob encomenda ou para venda.
  • Receptação qualificada: Aumento de até 50%, com pena máxima de 12 anos para revenda de celulares roubados.
  • Foco em quadrilhas: Medidas miram o crime organizado que lucra com o mercado paralelo.

Alvo das quadrilhas: além da revenda

Os furtos de celulares deixaram de ser apenas uma questão de venda no mercado negro. Desde o pós-pandemia, a digitalização da vida cotidiana, com o uso massivo de aplicativos e do Pix, transformou os aparelhos em ferramentas para crimes virtuais. Criminosos colocam os dispositivos em modo avião, espelham os dados em computadores e acessam contas bancárias, muitas vezes com senhas e cartões salvos automaticamente. Em 2023, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que esses delitos ocorrem principalmente entre 5h e 7h da manhã e das 18h às 22h, horários em que trabalhadores estão em deslocamento, evidenciando a vulnerabilidade de todas as classes sociais.

Casos como o da “mainha do crime” ilustram essa dinâmica. Presa em São Paulo, Suedna Carneiro fornecia mochilas de entregadores para disfarçar ladrões, que atuavam na zona sul da cidade, e ficava com os aparelhos roubados. O assassinato de um ciclista em fevereiro deste ano, motivado por um celular, chocou o país e acelerou a resposta do governo. A proposta de Lewandowski visa punir com mais rigor quem encomenda e lucra com esses crimes, desmontando as redes que sustentam essa economia ilegal.

Tecnologia como aliada na recuperação

O programa Celular Seguro, lançado no fim de 2023, já permite que vítimas cadastrem seus números e pessoas de confiança para bloquear linhas e aparelhos roubados remotamente. Em 2025, a nova função de envio de mensagens SMS ou via WhatsApp a quem usar um celular furtado com novo chip será implementada. A ideia é simples: alertar o usuário de que o aparelho tem restrição e deve ser entregue à polícia, presumindo boa-fé na compra. No Piauí, uma iniciativa semelhante recuperou mais de mil dispositivos em três meses, combinando notificações com rastreamento policial.

roubos de celulares em show de Weslley Safadão no Piauí
roubos de celulares em show de Weslley Safadão no Piauí – Foto: Divulgação/Policia Civil

Um milhão de celulares furtados em 2023

Quase 1 milhão de registros de furtos e roubos de celulares foram feitos em delegacias em 2023, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Teresina e Manaus lideram proporcionalmente, enquanto São Paulo concentra uma fatia desproporcional dos casos. Esses números, que equivalem a dois aparelhos por minuto, mostram como o crime se espalhou pelo país, gerando insegurança em áreas urbanas e rurais. O projeto de lei, ao aumentar as penas para até 12 anos, busca atacar a receptação, vista como o motor financeiro dessas quadrilhas.

O caso da “mainha do crime” em destaque

Suedna Carneiro, apelidada de “mainha do crime”, tornou-se símbolo da ousadia das quadrilhas que lucram com celulares roubados. Presa em fevereiro em São Paulo, ela organizava furtos na zona sul, equipando ladrões com mochilas de entregadores para facilitar a ação. O assassinato de um ciclista por dois homens em uma moto, que buscavam apenas o aparelho, expôs a violência associada a esses crimes. Se o projeto de Lewandowski já estivesse em vigor, ela poderia ser enquadrada na receptação qualificada, com pena de até 12 anos, bem acima dos 8 anos máximos atuais.

Impacto econômico e social do crime

O mercado ilegal de celulares não só financia o crime organizado, mas também causa prejuízos bilionários à economia. Equipamentos roubados alimentam redes de revenda paralela, enquanto fraudes digitais drenam contas bancárias de vítimas. Em 2024, a Anatel retirou mais de 1,6 milhão de itens irregulares do mercado, avaliados em R$ 253 milhões, evidenciando a escala do problema. A sensação de insegurança, como aponta a socióloga Samira Bueno, atinge todas as camadas sociais, especialmente trabalhadores em horários de pico.

Cronograma das medidas propostas

O governo planeja implementar as mudanças em duas frentes:

  • Legislativa: Projeto enviado em 28 de março aguarda aprovação presidencial e tramitação no Congresso.
  • Tecnológica: Atualização do Celular Seguro com mensagens de alerta prevista para 2025.
  • Operacional: Expansão de programas como o do Piauí para outros estados já em andamento.

Experiências regionais que inspiram

No Piauí, a combinação de rastreamento e mensagens resultou na recuperação de 1.081 celulares no primeiro trimestre de 2024. Em Manaus, medidas similares começam a ganhar força, com foco em bloquear aparelhos via IMEI. Esses exemplos mostram que a tecnologia pode complementar as punições mais duras, reduzindo a circulação de dispositivos roubados e desestimulando o crime.

Penas atuais versus propostas

Hoje, o furto simples prevê de 1 a 4 anos de prisão, raramente resultando em cadeia, enquanto o qualificado vai de 2 a 8 anos. A receptação qualificada tem pena de 3 a 8 anos, mas o projeto eleva o teto para 12 anos em casos de revenda de celulares. A mudança visa tornar o crime menos atraente para quadrilhas, que lucram com a baixa punição atual.

Uma nova realidade criminal

A digitalização pós-pandemia mudou o perfil dos furtos de celulares. Antes restritos à revenda, os aparelhos agora são usados para crimes como estelionato e lavagem de dinheiro. Criminosos acessam dados salvos, fazem transferências via Pix e exploram a confiança das vítimas em aplicativos. Esse cenário, aliado à violência crescente, como no caso do ciclista em São Paulo, motivou a ação do governo.

O papel do Congresso na aprovação

Enviado à Casa Civil em março, o projeto depende de Lula para chegar ao Congresso, onde enfrentará debates. A bancada da segurança pública, influente entre parlamentares, pode acelerar a tramitação, mas a falta de data definida mantém incerteza sobre quando as mudanças entrarão em vigor.

Dados que mostram a urgência

Em 2023, São Paulo registrou 20% dos furtos de celulares do país, enquanto Teresina e Manaus lideraram proporcionalmente. Os horários de pico, entre 5h-7h e 18h-22h, concentram os crimes, afetando trabalhadores. Esses números reforçam a necessidade de medidas como as propostas por Lewandowski.



O crescente número de furtos e roubos de celulares, que atingiu quase 1 milhão de registros em 2023, levou o governo federal a intensificar o combate a essas práticas criminosas, consideradas uma porta de entrada para o crime organizado. Na última sexta-feira, 28 de março, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um projeto de lei que endurece as punições para quem furta aparelhos sob encomenda e para receptadores que lucram com a revenda. A proposta, agora sob análise da Casa Civil, prevê penas que podem chegar a 12 anos de prisão, um aumento de até 50% em relação ao máximo atual, além de criar o crime de furto qualificado para casos ligados a quadrilhas. Em paralelo, o programa Celular Seguro ganhará uma função inovadora: enviar mensagens aos novos usuários de aparelhos roubados, orientando a devolução às autoridades. A iniciativa combina repressão legal e tecnologia para desestimular o mercado ilegal e proteger a população.

A média de quase dois celulares subtraídos por minuto no país reflete a gravidade do problema, que vai além da perda material. Criminosos utilizam os aparelhos para acessar dados pessoais, realizar transações via Pix e aplicar golpes digitais, ampliando o impacto na segurança pública. Cidades como Teresina, Manaus e São Paulo lideram os registros, com a capital paulista concentrando 20% dos casos, apesar de abrigar apenas 5% da população nacional. O projeto de Lewandowski busca atingir diretamente as quadrilhas, como a liderada por Suedna Carneiro, conhecida como “mainha do crime”, presa em São Paulo após um assassinato por um celular em fevereiro deste ano.

A resposta do governo também inclui o uso de tecnologia para rastrear e inutilizar aparelhos furtados. Desde seu lançamento em dezembro de 2023, o Celular Seguro já permite bloqueios remotos de linhas e dispositivos via IMEI, mas a nova funcionalidade de mensagens visa alcançar quem adquire esses itens, muitas vezes sem saber da origem ilícita. Inspirado em iniciativas regionais, como a do Piauí, que recuperou 1.081 aparelhos no primeiro trimestre de 2024, o plano reflete uma tentativa de reduzir a atratividade do crime e devolver segurança aos cidadãos.

Principais mudanças na lei propostas

  • Furto qualificado: Pena de 2 a 8 anos para furtos sob encomenda ou para venda.
  • Receptação qualificada: Aumento de até 50%, com pena máxima de 12 anos para revenda de celulares roubados.
  • Foco em quadrilhas: Medidas miram o crime organizado que lucra com o mercado paralelo.

Alvo das quadrilhas: além da revenda

Os furtos de celulares deixaram de ser apenas uma questão de venda no mercado negro. Desde o pós-pandemia, a digitalização da vida cotidiana, com o uso massivo de aplicativos e do Pix, transformou os aparelhos em ferramentas para crimes virtuais. Criminosos colocam os dispositivos em modo avião, espelham os dados em computadores e acessam contas bancárias, muitas vezes com senhas e cartões salvos automaticamente. Em 2023, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que esses delitos ocorrem principalmente entre 5h e 7h da manhã e das 18h às 22h, horários em que trabalhadores estão em deslocamento, evidenciando a vulnerabilidade de todas as classes sociais.

Casos como o da “mainha do crime” ilustram essa dinâmica. Presa em São Paulo, Suedna Carneiro fornecia mochilas de entregadores para disfarçar ladrões, que atuavam na zona sul da cidade, e ficava com os aparelhos roubados. O assassinato de um ciclista em fevereiro deste ano, motivado por um celular, chocou o país e acelerou a resposta do governo. A proposta de Lewandowski visa punir com mais rigor quem encomenda e lucra com esses crimes, desmontando as redes que sustentam essa economia ilegal.

Tecnologia como aliada na recuperação

O programa Celular Seguro, lançado no fim de 2023, já permite que vítimas cadastrem seus números e pessoas de confiança para bloquear linhas e aparelhos roubados remotamente. Em 2025, a nova função de envio de mensagens SMS ou via WhatsApp a quem usar um celular furtado com novo chip será implementada. A ideia é simples: alertar o usuário de que o aparelho tem restrição e deve ser entregue à polícia, presumindo boa-fé na compra. No Piauí, uma iniciativa semelhante recuperou mais de mil dispositivos em três meses, combinando notificações com rastreamento policial.

roubos de celulares em show de Weslley Safadão no Piauí
roubos de celulares em show de Weslley Safadão no Piauí – Foto: Divulgação/Policia Civil

Um milhão de celulares furtados em 2023

Quase 1 milhão de registros de furtos e roubos de celulares foram feitos em delegacias em 2023, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Teresina e Manaus lideram proporcionalmente, enquanto São Paulo concentra uma fatia desproporcional dos casos. Esses números, que equivalem a dois aparelhos por minuto, mostram como o crime se espalhou pelo país, gerando insegurança em áreas urbanas e rurais. O projeto de lei, ao aumentar as penas para até 12 anos, busca atacar a receptação, vista como o motor financeiro dessas quadrilhas.

O caso da “mainha do crime” em destaque

Suedna Carneiro, apelidada de “mainha do crime”, tornou-se símbolo da ousadia das quadrilhas que lucram com celulares roubados. Presa em fevereiro em São Paulo, ela organizava furtos na zona sul, equipando ladrões com mochilas de entregadores para facilitar a ação. O assassinato de um ciclista por dois homens em uma moto, que buscavam apenas o aparelho, expôs a violência associada a esses crimes. Se o projeto de Lewandowski já estivesse em vigor, ela poderia ser enquadrada na receptação qualificada, com pena de até 12 anos, bem acima dos 8 anos máximos atuais.

Impacto econômico e social do crime

O mercado ilegal de celulares não só financia o crime organizado, mas também causa prejuízos bilionários à economia. Equipamentos roubados alimentam redes de revenda paralela, enquanto fraudes digitais drenam contas bancárias de vítimas. Em 2024, a Anatel retirou mais de 1,6 milhão de itens irregulares do mercado, avaliados em R$ 253 milhões, evidenciando a escala do problema. A sensação de insegurança, como aponta a socióloga Samira Bueno, atinge todas as camadas sociais, especialmente trabalhadores em horários de pico.

Cronograma das medidas propostas

O governo planeja implementar as mudanças em duas frentes:

  • Legislativa: Projeto enviado em 28 de março aguarda aprovação presidencial e tramitação no Congresso.
  • Tecnológica: Atualização do Celular Seguro com mensagens de alerta prevista para 2025.
  • Operacional: Expansão de programas como o do Piauí para outros estados já em andamento.

Experiências regionais que inspiram

No Piauí, a combinação de rastreamento e mensagens resultou na recuperação de 1.081 celulares no primeiro trimestre de 2024. Em Manaus, medidas similares começam a ganhar força, com foco em bloquear aparelhos via IMEI. Esses exemplos mostram que a tecnologia pode complementar as punições mais duras, reduzindo a circulação de dispositivos roubados e desestimulando o crime.

Penas atuais versus propostas

Hoje, o furto simples prevê de 1 a 4 anos de prisão, raramente resultando em cadeia, enquanto o qualificado vai de 2 a 8 anos. A receptação qualificada tem pena de 3 a 8 anos, mas o projeto eleva o teto para 12 anos em casos de revenda de celulares. A mudança visa tornar o crime menos atraente para quadrilhas, que lucram com a baixa punição atual.

Uma nova realidade criminal

A digitalização pós-pandemia mudou o perfil dos furtos de celulares. Antes restritos à revenda, os aparelhos agora são usados para crimes como estelionato e lavagem de dinheiro. Criminosos acessam dados salvos, fazem transferências via Pix e exploram a confiança das vítimas em aplicativos. Esse cenário, aliado à violência crescente, como no caso do ciclista em São Paulo, motivou a ação do governo.

O papel do Congresso na aprovação

Enviado à Casa Civil em março, o projeto depende de Lula para chegar ao Congresso, onde enfrentará debates. A bancada da segurança pública, influente entre parlamentares, pode acelerar a tramitação, mas a falta de data definida mantém incerteza sobre quando as mudanças entrarão em vigor.

Dados que mostram a urgência

Em 2023, São Paulo registrou 20% dos furtos de celulares do país, enquanto Teresina e Manaus lideraram proporcionalmente. Os horários de pico, entre 5h-7h e 18h-22h, concentram os crimes, afetando trabalhadores. Esses números reforçam a necessidade de medidas como as propostas por Lewandowski.



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