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3 Apr 2025, Thu

Trump eleva tarifas em 2 de abril e ameaça etanol brasileiro com taxa de 18%

Foto oficial de Trump como 47º presidente dos Estados Unidos — Foto: Divulgação


A partir desta quarta-feira, 2 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coloca em prática uma das promessas mais aguardadas e temidas de seu mandato: o chamado “Dia da Libertação”. O anúncio, previsto para as 17h no horário de Brasília, marca o início de uma política de tarifas recíprocas que deve impactar diretamente o comércio global, incluindo o Brasil. Países como China, México e Canadá já estão na mira das medidas protecionistas, mas o etanol brasileiro, um dos principais produtos de exportação do país, surge como alvo destacado. A Casa Branca justificou a decisão apontando que os EUA cobram apenas 2,5% de tarifa sobre o etanol do Brasil, enquanto o Brasil aplica 18% sobre o produto americano, gerando um desequilíbrio que Trump quer corrigir. O mercado internacional reage com apreensão, e o governo brasileiro, junto a exportadores, se prepara para os reflexos econômicos.

No Brasil, a notícia mobilizou o governo e o Congresso em tempo recorde. Na terça-feira, 1º de abril, o Senado aprovou um projeto de lei que cria mecanismos para retaliar países que imponham barreiras comerciais aos produtos nacionais. A proposta, que agora segue para a Câmara dos Deputados, reflete a urgência em responder ao que muitos veem como uma guerra comercial iminente. Governistas, parlamentares de direita e a bancada do agronegócio se uniram em apoio ao texto, sinalizando uma rara convergência política diante da ameaça externa. A medida rompe com a tradição brasileira de seguir as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que proíbem tarifas discriminatórias contra membros específicos do bloco.

A expectativa em torno do discurso de Trump mexeu com os mercados globais nas últimas horas. Bolsas de valores registraram quedas expressivas, e o dólar ganhou força frente a moedas emergentes, como o real. Analistas apontam que as tarifas recíprocas podem encarecer produtos importados nos EUA, afetando consumidores americanos, enquanto parceiros comerciais, como o Brasil, temem perdas em setores estratégicos. O etanol, produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar no Brasil, é um dos itens mais vulneráveis, mas aço e alumínio também estão na lista de preocupações, com tarifas de 25% já confirmadas para esses produtos a partir de 12 de março.

Alvos iniciais do tarifaço de Trump

O impacto das tarifas anunciadas por Trump não se limita ao Brasil. Países como China, México e Canadá, que juntos respondem por cerca de 43% das importações americanas, já enfrentam medidas duras. Desde o início de seu mandato, o republicano elevou taxas sobre produtos chineses para 20%, enquanto Canadá e México viram suas exportações de aço e alumínio taxadas em 25%. A justificativa da Casa Branca é clara: harmonizar as relações comerciais, cobrando dos parceiros o mesmo que os EUA pagam ao exportar. No caso do etanol brasileiro, os números falam por si: em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões do produto, enquanto exportaram apenas US$ 52 milhões para o Brasil.

O governo americano também citou exemplos além do Brasil. A União Europeia, por instance, aplica uma tarifa de 10% sobre carros americanos, enquanto os EUA cobram 2,5% sobre veículos europeus. Para Trump, essas disparidades justificam a imposição de taxas equivalentes. A estratégia, porém, não é apenas punitiva: autoridades da Casa Branca afirmam que o presidente está aberto a negociações, desde que os países reduzam suas próprias barreiras. Essa postura já gerou reações em cadeia, com Canadá e México prometendo tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos americanos, e a China anunciando taxas de 10% a 15% sobre itens agrícolas dos EUA.

Reação brasileira ganha força

Diante do cenário iminente, o Brasil se movimenta para proteger seus interesses. O projeto aprovado pelo Senado na véspera do “Dia da Libertação” permite ao governo impor tarifas retaliatórias ou outras barreiras contra nações que prejudiquem as exportações brasileiras. A proposta teve amplo respaldo, unindo setores muitas vezes opostos no Congresso. O agronegócio, que depende fortemente do mercado externo, vê no etanol e em produtos como café e carne bovina os principais alvos das medidas americanas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lamentou a decisão de Trump, destacando que os EUA aplicam uma tarifa de mais de 100% sobre o açúcar brasileiro, enquanto o etanol americano enfrenta uma barreira bem menor no Brasil.

A resposta brasileira, no entanto, não se limita ao Legislativo. Nos bastidores, o governo Lula enfrenta dificuldades para dialogar com a administração Trump. Diplomatas relatam que o presidente americano toma decisões com base em um círculo restrito, descrito como “terraplanistas econômicos”, o que dificulta negociações técnicas. A falta de interlocutores abertos ao diálogo em Washington aumenta a incerteza, e o Itamaraty trabalha para mapear os possíveis impactos das tarifas no comércio bilateral. A balança comercial entre Brasil e EUA, que em 2024 registrou exportações brasileiras de US$ 4,1 bilhões em aço, pode sofrer um baque significativo.

Setores brasileiros em alerta

O etanol não é o único produto brasileiro na mira das tarifas de Trump. O aço e o alumínio, já taxados em 25% desde março, representam uma fatia crucial das exportações do país para os EUA. Em 2024, o Brasil enviou 4,1 milhões de toneladas de aço aos americanos, o equivalente a 60% de suas vendas externas do produto. A nova política de reciprocidade pode ampliar essas barreiras, afetando a competitividade da indústria siderúrgica nacional. Além disso, o café, que enfrenta uma tarifa de 9% ao entrar no Brasil quando exportado pelos EUA, também pode ser retaliado com taxas equivalentes no mercado americano, desafiando a posição do Brasil frente a concorrentes como Colômbia e Vietnã.

Outros setores, como o de aviação, ainda respiram aliviados. As aeronaves da Embraer, que movimentaram US$ 955,6 milhões em 2024 nos EUA, permanecem isentas de tarifas até o momento. No entanto, a incerteza paira sobre a possibilidade de inclusão futura, caso a guerra comercial escale. Produtos agrícolas, como soja e carne, também estão sob observação, especialmente diante da possibilidade de retaliações chinesas aos EUA beneficiarem o Brasil como fornecedor alternativo. A complexidade do cenário exige estratégias rápidas do governo e do setor privado para minimizar perdas e explorar oportunidades.

  • Etanol: Taxa de 18% ameaça exportações de US$ 200 milhões anuais para os EUA.
  • Aço e alumínio: 25% de tarifa já em vigor desde março, com risco de ampliação.
  • Café: Competitividade em jogo com possível taxa recíproca de 9%.
  • Aviação: Embraer segue isenta, mas sob risco em escalada comercial.

Impactos globais do Dia da Libertação

As tarifas de Trump reverberam além das fronteiras americanas, prometendo redesenhar o comércio internacional. A China, que já impôs taxas de 15% sobre frango, trigo e milho dos EUA, prepara novas retaliações que podem atingir US$ 21 bilhões em exportações agrícolas americanas. Canadá e México, por sua vez, ajustam suas estratégias após um adiamento de 30 dias nas tarifas de 25%, agora em vigor. O México, responsável por 90% do abacate consumido nos EUA, prevê aumento nos preços do fruto, enquanto o Canadá, maior fornecedor de petróleo bruto aos americanos, enfrenta pressões em sua indústria energética.

Nos EUA, o protecionismo de Trump tem defensores e críticos. O presidente argumenta que as tarifas trarão empregos de volta, incentivando a produção local de aço, alumínio e produtos agrícolas. No entanto, economistas alertam para o “efeito máquina de lavar”: em 2018, tarifas sobre esse eletrodoméstico criaram poucos empregos a um custo elevado para os consumidores, que pagaram US$ 820 mil extras por vaga gerada. O risco de inflação nos EUA, aliado a retaliações globais, pode reduzir a competitividade das empresas americanas e desacelerar o comércio mundial.

Cronograma das tarifas de Trump

O “Dia da Libertação” marca apenas o início de uma série de medidas planejadas pela Casa Branca. Confira as principais datas já anunciadas:

  • 12 de março: Entrada em vigor das tarifas de 25% sobre aço e alumínio de Brasil, Canadá, México e outros países.
  • 2 de abril: Início oficial das tarifas recíprocas, com etanol brasileiro entre os alvos prioritários.
  • 10 de março: China implementa taxas de 10% a 15% sobre produtos agrícolas americanos em retaliação.
  • 1º de abril: Prazo para entrega de relatórios do Departamento de Comércio dos EUA sobre reformulação tarifária.

Pressão sobre o Brasil aumenta

Com o anúncio iminente, o governo brasileiro intensifica os preparativos. A aprovação do projeto de retaliação no Senado é apenas o primeiro passo para uma resposta coordenada. O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu o diálogo como solução, mas reconheceu que o Brasil não é visto como um problema comercial prioritário pelos EUA. Ainda assim, a repetição do Brasil como exemplo nas falas de Trump — que já declarou que o país “cobra muito” — mantém o alerta ligado. A balança comercial, que favorece os EUA com superávit, pode ser um trunfo nas negociações, mas a imprevisibilidade do governo americano complica o cenário.

Exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, monitoram de perto os desdobramentos. A União Europeia, outro alvo de Trump, planeja tarifas sobre US$ 28,3 bilhões em produtos americanos, o que pode abrir espaço para o Brasil em mercados alternativos. A soja, por exemplo, já se beneficiou de disputas entre EUA e China no passado, e analistas veem potencial para repetir o feito. A diversificação de parceiros comerciais surge como uma estratégia essencial para mitigar os impactos do tarifaço.

O que esperar do discurso de Trump

Às 17h desta quarta-feira, o mundo estará de olho no pronunciamento de Donald Trump. O presidente deve detalhar as tarifas recíprocas, especificando alíquotas e produtos afetados. O etanol brasileiro, com sua taxa de 18%, será um dos destaques, mas a Casa Branca também pode surpreender com medidas contra outros setores. A retórica de Trump, que já chamou o Canadá de “51º estado” e ameaçou a indústria automotiva mexicana, sugere que o tom será agressivo. A transmissão ao vivo do evento deve atrair milhões de espectadores, ansiosos por entender os rumos da economia global.

A imprevisibilidade é a marca registrada da gestão Trump, segundo diplomatas brasileiros. Enquanto Wall Street e os mercados emergentes se ajustam às incertezas, o Brasil busca equilibrar defesa e oportunidade. A política de reciprocidade tarifária, que Trump defende como “justiça comercial”, pode elevar os custos de produtos como plásticos e combustíveis no mercado brasileiro, caso as tarifas americanas sejam espelhadas. O Banco Central, que já elevou a Selic para 13,25% em resposta à inflação, pode enfrentar pressões adicionais.

Resposta global toma forma

Países afetados pelo tarifaço de Trump não estão de braços cruzados. O Canadá, que exporta 61% do petróleo bruto consumido nos EUA, retaliou com tarifas de 25% sobre US$ 155 bilhões em produtos americanos. O México, liderado pela presidente Claudia Sheinbaum, elabora planos de contingência, enquanto a China intensifica restrições a empresas americanas, incluindo investigações antidumping. A União Europeia, por sua vez, prepara uma resposta robusta, mirando setores estratégicos dos EUA. Esse efeito cascata ameaça reduzir o fluxo global de comércio, com reflexos em economias emergentes como a brasileira.

No Brasil, a indústria teme os custos indiretos. A alta do dólar, impulsionada por juros elevados nos EUA, pode encarecer importações de insumos, enquanto a queda na demanda americana por bens brasileiros pressiona as exportações. O setor de commodities, como soja e milho, pode encontrar alívio em mercados alternativos, mas a dependência de um único parceiro comercial é vista como um risco crescente. A postura protecionista de Trump, embora centrada nos EUA, tem o potencial de remodelar as cadeias globais de suprimento.

Setores brasileiros buscam alternativas

Frente às tarifas iminentes, empresas brasileiras já traçam estratégias para minimizar perdas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia aposta que estados americanos focados em descarbonização, como a Califórnia, continuarão comprando etanol brasileiro, mesmo com a taxa de 18%. A indústria siderúrgica, por outro lado, avalia redirecionar parte de suas exportações para a Europa e a Ásia, embora a concorrência com a China seja um obstáculo. O café, um dos pilares do agronegócio, enfrenta o desafio de manter sua fatia no mercado americano diante de taxas recíprocas.

A aviação, até agora poupada, mantém a cautela. A Embraer, que depende dos EUA para uma parcela significativa de suas vendas, monitora os rumos da guerra comercial. Enquanto isso, a soja e a carne bovina podem ganhar espaço na China, caso as tensões entre Pequim e Washington se intensifiquem. A diversificação de mercados, defendida por especialistas, exige investimentos em logística e acordos comerciais, um processo que demanda tempo e coordenação entre governo e setor privado.

  • Etanol: Califórnia pode manter compras apesar da tarifa de 18%.
  • Aço: Redirecionamento para Europa e Ásia em estudo.
  • Soja: China surge como mercado alternativo promissor.
  • Aviação: Embraer sob risco, mas ainda isenta de taxas.

Próximos passos do Brasil

O governo brasileiro planeja uma resposta multifacetada ao tarifaço de Trump. Além da lei de retaliação em tramitação, o Itamaraty busca fortalecer laços com parceiros como a União Europeia e os países do Mercosul. A possibilidade de reduzir tarifas sobre produtos americanos, como o etanol de milho, está na mesa, mas enfrenta resistência do agronegócio nacional. A balança comercial, que em 2024 registrou um saldo positivo de US$ 58,7 bilhões, é um ativo que o Brasil quer preservar, mas a imprevisibilidade de Trump exige flexibilidade.

O setor privado, por sua vez, pressiona por medidas de apoio. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que as tarifas americanas podem custar até US$ 0,7 bilhão em exportações de aço, enquanto a Unica defende que o etanol brasileiro segue competitivo, mesmo com a taxa de 18%. A coordenação entre governo e empresas será crucial para navegar os desafios do “Dia da Libertação” e seus desdobramentos, que prometem manter o comércio global em suspense nos próximos meses.



A partir desta quarta-feira, 2 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coloca em prática uma das promessas mais aguardadas e temidas de seu mandato: o chamado “Dia da Libertação”. O anúncio, previsto para as 17h no horário de Brasília, marca o início de uma política de tarifas recíprocas que deve impactar diretamente o comércio global, incluindo o Brasil. Países como China, México e Canadá já estão na mira das medidas protecionistas, mas o etanol brasileiro, um dos principais produtos de exportação do país, surge como alvo destacado. A Casa Branca justificou a decisão apontando que os EUA cobram apenas 2,5% de tarifa sobre o etanol do Brasil, enquanto o Brasil aplica 18% sobre o produto americano, gerando um desequilíbrio que Trump quer corrigir. O mercado internacional reage com apreensão, e o governo brasileiro, junto a exportadores, se prepara para os reflexos econômicos.

No Brasil, a notícia mobilizou o governo e o Congresso em tempo recorde. Na terça-feira, 1º de abril, o Senado aprovou um projeto de lei que cria mecanismos para retaliar países que imponham barreiras comerciais aos produtos nacionais. A proposta, que agora segue para a Câmara dos Deputados, reflete a urgência em responder ao que muitos veem como uma guerra comercial iminente. Governistas, parlamentares de direita e a bancada do agronegócio se uniram em apoio ao texto, sinalizando uma rara convergência política diante da ameaça externa. A medida rompe com a tradição brasileira de seguir as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que proíbem tarifas discriminatórias contra membros específicos do bloco.

A expectativa em torno do discurso de Trump mexeu com os mercados globais nas últimas horas. Bolsas de valores registraram quedas expressivas, e o dólar ganhou força frente a moedas emergentes, como o real. Analistas apontam que as tarifas recíprocas podem encarecer produtos importados nos EUA, afetando consumidores americanos, enquanto parceiros comerciais, como o Brasil, temem perdas em setores estratégicos. O etanol, produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar no Brasil, é um dos itens mais vulneráveis, mas aço e alumínio também estão na lista de preocupações, com tarifas de 25% já confirmadas para esses produtos a partir de 12 de março.

Alvos iniciais do tarifaço de Trump

O impacto das tarifas anunciadas por Trump não se limita ao Brasil. Países como China, México e Canadá, que juntos respondem por cerca de 43% das importações americanas, já enfrentam medidas duras. Desde o início de seu mandato, o republicano elevou taxas sobre produtos chineses para 20%, enquanto Canadá e México viram suas exportações de aço e alumínio taxadas em 25%. A justificativa da Casa Branca é clara: harmonizar as relações comerciais, cobrando dos parceiros o mesmo que os EUA pagam ao exportar. No caso do etanol brasileiro, os números falam por si: em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões do produto, enquanto exportaram apenas US$ 52 milhões para o Brasil.

O governo americano também citou exemplos além do Brasil. A União Europeia, por instance, aplica uma tarifa de 10% sobre carros americanos, enquanto os EUA cobram 2,5% sobre veículos europeus. Para Trump, essas disparidades justificam a imposição de taxas equivalentes. A estratégia, porém, não é apenas punitiva: autoridades da Casa Branca afirmam que o presidente está aberto a negociações, desde que os países reduzam suas próprias barreiras. Essa postura já gerou reações em cadeia, com Canadá e México prometendo tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos americanos, e a China anunciando taxas de 10% a 15% sobre itens agrícolas dos EUA.

Reação brasileira ganha força

Diante do cenário iminente, o Brasil se movimenta para proteger seus interesses. O projeto aprovado pelo Senado na véspera do “Dia da Libertação” permite ao governo impor tarifas retaliatórias ou outras barreiras contra nações que prejudiquem as exportações brasileiras. A proposta teve amplo respaldo, unindo setores muitas vezes opostos no Congresso. O agronegócio, que depende fortemente do mercado externo, vê no etanol e em produtos como café e carne bovina os principais alvos das medidas americanas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lamentou a decisão de Trump, destacando que os EUA aplicam uma tarifa de mais de 100% sobre o açúcar brasileiro, enquanto o etanol americano enfrenta uma barreira bem menor no Brasil.

A resposta brasileira, no entanto, não se limita ao Legislativo. Nos bastidores, o governo Lula enfrenta dificuldades para dialogar com a administração Trump. Diplomatas relatam que o presidente americano toma decisões com base em um círculo restrito, descrito como “terraplanistas econômicos”, o que dificulta negociações técnicas. A falta de interlocutores abertos ao diálogo em Washington aumenta a incerteza, e o Itamaraty trabalha para mapear os possíveis impactos das tarifas no comércio bilateral. A balança comercial entre Brasil e EUA, que em 2024 registrou exportações brasileiras de US$ 4,1 bilhões em aço, pode sofrer um baque significativo.

Setores brasileiros em alerta

O etanol não é o único produto brasileiro na mira das tarifas de Trump. O aço e o alumínio, já taxados em 25% desde março, representam uma fatia crucial das exportações do país para os EUA. Em 2024, o Brasil enviou 4,1 milhões de toneladas de aço aos americanos, o equivalente a 60% de suas vendas externas do produto. A nova política de reciprocidade pode ampliar essas barreiras, afetando a competitividade da indústria siderúrgica nacional. Além disso, o café, que enfrenta uma tarifa de 9% ao entrar no Brasil quando exportado pelos EUA, também pode ser retaliado com taxas equivalentes no mercado americano, desafiando a posição do Brasil frente a concorrentes como Colômbia e Vietnã.

Outros setores, como o de aviação, ainda respiram aliviados. As aeronaves da Embraer, que movimentaram US$ 955,6 milhões em 2024 nos EUA, permanecem isentas de tarifas até o momento. No entanto, a incerteza paira sobre a possibilidade de inclusão futura, caso a guerra comercial escale. Produtos agrícolas, como soja e carne, também estão sob observação, especialmente diante da possibilidade de retaliações chinesas aos EUA beneficiarem o Brasil como fornecedor alternativo. A complexidade do cenário exige estratégias rápidas do governo e do setor privado para minimizar perdas e explorar oportunidades.

  • Etanol: Taxa de 18% ameaça exportações de US$ 200 milhões anuais para os EUA.
  • Aço e alumínio: 25% de tarifa já em vigor desde março, com risco de ampliação.
  • Café: Competitividade em jogo com possível taxa recíproca de 9%.
  • Aviação: Embraer segue isenta, mas sob risco em escalada comercial.

Impactos globais do Dia da Libertação

As tarifas de Trump reverberam além das fronteiras americanas, prometendo redesenhar o comércio internacional. A China, que já impôs taxas de 15% sobre frango, trigo e milho dos EUA, prepara novas retaliações que podem atingir US$ 21 bilhões em exportações agrícolas americanas. Canadá e México, por sua vez, ajustam suas estratégias após um adiamento de 30 dias nas tarifas de 25%, agora em vigor. O México, responsável por 90% do abacate consumido nos EUA, prevê aumento nos preços do fruto, enquanto o Canadá, maior fornecedor de petróleo bruto aos americanos, enfrenta pressões em sua indústria energética.

Nos EUA, o protecionismo de Trump tem defensores e críticos. O presidente argumenta que as tarifas trarão empregos de volta, incentivando a produção local de aço, alumínio e produtos agrícolas. No entanto, economistas alertam para o “efeito máquina de lavar”: em 2018, tarifas sobre esse eletrodoméstico criaram poucos empregos a um custo elevado para os consumidores, que pagaram US$ 820 mil extras por vaga gerada. O risco de inflação nos EUA, aliado a retaliações globais, pode reduzir a competitividade das empresas americanas e desacelerar o comércio mundial.

Cronograma das tarifas de Trump

O “Dia da Libertação” marca apenas o início de uma série de medidas planejadas pela Casa Branca. Confira as principais datas já anunciadas:

  • 12 de março: Entrada em vigor das tarifas de 25% sobre aço e alumínio de Brasil, Canadá, México e outros países.
  • 2 de abril: Início oficial das tarifas recíprocas, com etanol brasileiro entre os alvos prioritários.
  • 10 de março: China implementa taxas de 10% a 15% sobre produtos agrícolas americanos em retaliação.
  • 1º de abril: Prazo para entrega de relatórios do Departamento de Comércio dos EUA sobre reformulação tarifária.

Pressão sobre o Brasil aumenta

Com o anúncio iminente, o governo brasileiro intensifica os preparativos. A aprovação do projeto de retaliação no Senado é apenas o primeiro passo para uma resposta coordenada. O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu o diálogo como solução, mas reconheceu que o Brasil não é visto como um problema comercial prioritário pelos EUA. Ainda assim, a repetição do Brasil como exemplo nas falas de Trump — que já declarou que o país “cobra muito” — mantém o alerta ligado. A balança comercial, que favorece os EUA com superávit, pode ser um trunfo nas negociações, mas a imprevisibilidade do governo americano complica o cenário.

Exportadores brasileiros, especialmente do agronegócio, monitoram de perto os desdobramentos. A União Europeia, outro alvo de Trump, planeja tarifas sobre US$ 28,3 bilhões em produtos americanos, o que pode abrir espaço para o Brasil em mercados alternativos. A soja, por exemplo, já se beneficiou de disputas entre EUA e China no passado, e analistas veem potencial para repetir o feito. A diversificação de parceiros comerciais surge como uma estratégia essencial para mitigar os impactos do tarifaço.

O que esperar do discurso de Trump

Às 17h desta quarta-feira, o mundo estará de olho no pronunciamento de Donald Trump. O presidente deve detalhar as tarifas recíprocas, especificando alíquotas e produtos afetados. O etanol brasileiro, com sua taxa de 18%, será um dos destaques, mas a Casa Branca também pode surpreender com medidas contra outros setores. A retórica de Trump, que já chamou o Canadá de “51º estado” e ameaçou a indústria automotiva mexicana, sugere que o tom será agressivo. A transmissão ao vivo do evento deve atrair milhões de espectadores, ansiosos por entender os rumos da economia global.

A imprevisibilidade é a marca registrada da gestão Trump, segundo diplomatas brasileiros. Enquanto Wall Street e os mercados emergentes se ajustam às incertezas, o Brasil busca equilibrar defesa e oportunidade. A política de reciprocidade tarifária, que Trump defende como “justiça comercial”, pode elevar os custos de produtos como plásticos e combustíveis no mercado brasileiro, caso as tarifas americanas sejam espelhadas. O Banco Central, que já elevou a Selic para 13,25% em resposta à inflação, pode enfrentar pressões adicionais.

Resposta global toma forma

Países afetados pelo tarifaço de Trump não estão de braços cruzados. O Canadá, que exporta 61% do petróleo bruto consumido nos EUA, retaliou com tarifas de 25% sobre US$ 155 bilhões em produtos americanos. O México, liderado pela presidente Claudia Sheinbaum, elabora planos de contingência, enquanto a China intensifica restrições a empresas americanas, incluindo investigações antidumping. A União Europeia, por sua vez, prepara uma resposta robusta, mirando setores estratégicos dos EUA. Esse efeito cascata ameaça reduzir o fluxo global de comércio, com reflexos em economias emergentes como a brasileira.

No Brasil, a indústria teme os custos indiretos. A alta do dólar, impulsionada por juros elevados nos EUA, pode encarecer importações de insumos, enquanto a queda na demanda americana por bens brasileiros pressiona as exportações. O setor de commodities, como soja e milho, pode encontrar alívio em mercados alternativos, mas a dependência de um único parceiro comercial é vista como um risco crescente. A postura protecionista de Trump, embora centrada nos EUA, tem o potencial de remodelar as cadeias globais de suprimento.

Setores brasileiros buscam alternativas

Frente às tarifas iminentes, empresas brasileiras já traçam estratégias para minimizar perdas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia aposta que estados americanos focados em descarbonização, como a Califórnia, continuarão comprando etanol brasileiro, mesmo com a taxa de 18%. A indústria siderúrgica, por outro lado, avalia redirecionar parte de suas exportações para a Europa e a Ásia, embora a concorrência com a China seja um obstáculo. O café, um dos pilares do agronegócio, enfrenta o desafio de manter sua fatia no mercado americano diante de taxas recíprocas.

A aviação, até agora poupada, mantém a cautela. A Embraer, que depende dos EUA para uma parcela significativa de suas vendas, monitora os rumos da guerra comercial. Enquanto isso, a soja e a carne bovina podem ganhar espaço na China, caso as tensões entre Pequim e Washington se intensifiquem. A diversificação de mercados, defendida por especialistas, exige investimentos em logística e acordos comerciais, um processo que demanda tempo e coordenação entre governo e setor privado.

  • Etanol: Califórnia pode manter compras apesar da tarifa de 18%.
  • Aço: Redirecionamento para Europa e Ásia em estudo.
  • Soja: China surge como mercado alternativo promissor.
  • Aviação: Embraer sob risco, mas ainda isenta de taxas.

Próximos passos do Brasil

O governo brasileiro planeja uma resposta multifacetada ao tarifaço de Trump. Além da lei de retaliação em tramitação, o Itamaraty busca fortalecer laços com parceiros como a União Europeia e os países do Mercosul. A possibilidade de reduzir tarifas sobre produtos americanos, como o etanol de milho, está na mesa, mas enfrenta resistência do agronegócio nacional. A balança comercial, que em 2024 registrou um saldo positivo de US$ 58,7 bilhões, é um ativo que o Brasil quer preservar, mas a imprevisibilidade de Trump exige flexibilidade.

O setor privado, por sua vez, pressiona por medidas de apoio. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que as tarifas americanas podem custar até US$ 0,7 bilhão em exportações de aço, enquanto a Unica defende que o etanol brasileiro segue competitivo, mesmo com a taxa de 18%. A coordenação entre governo e empresas será crucial para navegar os desafios do “Dia da Libertação” e seus desdobramentos, que prometem manter o comércio global em suspense nos próximos meses.



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