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4 Apr 2025, Fri

Glicemia de jejum: veja o que é e confira valores




O exame é realizado após um período prolongado sem ingestão de alimentos e, por isso, é considerado ideal para o diagnóstico inicial do diabetes O que acontece com o corpo quando paramos de comer açúcar?
Manter o controle da glicemia é fundamental para a saúde metabólica e para o diagnóstico precoce do diabetes. Nesse contexto, saber o que é a glicemia de jejum é de grande valia. O exame mede a quantidade de glicose presente no sangue após um período sem alimentos – geralmente durante a manhã, após oito a doze horas de jejum – permitindo avaliar o estado basal do metabolismo.
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Para entender melhor como e quando esse exame é realizado, quais são os valores considerados normais, baixos e altos, e as principais diferenças entre a medição em jejum e em outros momentos, o EU Atleta conversou com especialistas no assunto. Confira nesta reportagem.
O que é glicemia de jejum?
A glicemia de jejum é um exame que mede a quantidade de glicose presente no sangue após um período sem ingestão de alimentos – geralmente entre oito e doze horas –, realizado nas primeiras horas da manhã. Durante esse período, é permitido apenas o consumo de água, e é recomendado evitar qualquer exercício físico intenso nas 12 horas que antecedem o exame.
Glicemia em jejum é realizado coletando uma amostra de sangue da veia do paciente
iStock
— É importante mencionar que a glicemia de jejum não é a única maneira de se diagnosticar diabetes. Existem duas outras metodologias: a dosagem da hemoglobina glicosilada ou glicada e o teste oral de tolerância glicose. São duas outras maneiras de se fazer o diagnóstico da doença — informa o endocrinologista Nelson Rassi, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Além do diagnóstico, a determinação dos níveis de glicose auxilia na escolha da terapia medicamentosa adequada. Por exemplo, de acordo com o médico, indivíduos com diabetes tipo 1 geralmente fazem uso imediato de insulina, enquanto aqueles com diabetes tipo 2 podem ser tratados com ajustes na dieta, prática regular de atividades físicas, medicamentos orais ou, em alguns casos, com novos medicamentos injetáveis, como os análogos dos receptores de GLP-1.
Como e quando é medida a glicemia de jejum?
O exame deve ser realizado nas primeiras horas da manhã, entre 6h e 9h, após o período de jejum noturno. Esse cuidado garante que a medição reflita o estado basal da glicose no sangue, sem a influência imediata de uma refeição. Durante o jejum, apenas água é permitida, e atividades físicas intensas devem ser evitadas para não interferir nos resultados.
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— Pode-se também mensurar a glicose no sangue em horários diferentes do que o jejum. Nesse caso, a utilidade do exame não é para o diagnóstico, pois é usado em pacientes sabidamente com diabetes e que necessitamos avaliar o controle glicêmico desse paciente, ou seja, saber se o diabetes dele está com controle adequado ou não. Em geral, realizamos esse exame duas horas após uma das refeições — acrescenta Nelson Rassi.
Valores de referência da glicemia de jejum
Conforme as diretrizes clínicas, os valores de referência para a glicemia de jejum são:
Normal: quando está abaixo de 100 mg/dL;
Pré-diabetes: valores entre 100 mg/dL e 125 mg/dL;
Diabetes: valor de 126 mg/dL ou superior em duas especificidades distintas;
Hipoglicemia: valores abaixo de 70 mg/dL.
A hipoglicemia pode se manifestar com sintomas como tremores, sudorese, tontura e confusão, podendo evoluir para quadros mais graves se não for tratado especificamente. O médico endocrinologista e do esporte Ricardo Oliveira aponta que a American Diabetes Association (ADA) classifica a hipoglicemia em três níveis:
Nível 1: entre 54 e 70 mg/dL;
Nível 2: abaixo de 54 mg/dL;
Nível 3: eventos graves que desativam intervenção médica imediata.
— Esses valores são utilizados para o diagnóstico e monitoramento do diabetes e condições relacionadas, e são baseados em evidências que correlacionam níveis de glicose com riscos de complicações metabólicas e cardiovasculares — acrescenta o coordenador do Departamento de Doenças Associadas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
Diferenças entre a glicemia de jejum e a medição fora do jejum
Medição de glicemia
iStock
Enquanto a glicemia de jejum é realizada após um período prolongado sem ingestão de alimentos – e, por isso, é considerada ideal para o diagnóstico inicial do diabetes –, a medição da glicose fora do período de jejum tem outra finalidade específica. Esta segunda modalidade é geralmente aplicada em pacientes já apresentados para avaliar o controle glicêmico após as refeições.
— Quando a glicose é medida duas horas após uma refeição, os valores esperados para um paciente sem diabetes devem estar abaixo de 140 mg/dL. Valores entre 140 mg/dL e 180 mg/dL podem ser considerados adequados para indivíduos com diabetes sob tratamento, enquanto níveis acima de 180 mg/dL indicam um controle inadequado — explica o endócrino Nelson Rassi.
Portanto, embora a glicemia de jejum seja essencial para a avaliação diagnóstica, os exames pós-prandiais servem como ferramentas para monitorar a eficácia do tratamento em diabéticos.
A importância do acompanhamento médico
O diagnóstico e a interpretação dos níveis de glicemia devem ser sempre realizados por um profissional especializado na área da endocrinologia, evitando-se interpretações equivocadas e a automedicação.
— O tratamento do diabetes deve ser prolongado por um endocrinologista, pois a automedicação pode levar a riscos sérios, como a hipoglicemia e complicações a longo prazo decorrentes do controle inadequado da glicemia, como microangiopatias, que afetam os olhos, os rins e o sistema nervoso periférico com sequelas importantes, como cegueira, insuficiência renal, amputação de membros etc — enfatiza Nelson Rassi.
Nesse contexto, um acompanhamento médico é indispensável para um diagnóstico correto e tratamento adequado. Portanto, evite a automedicação e busque sempre orientação profissional.
Fontes:
Nelson Rassi é médico endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Ricardo Oliveira é médico endocrinologista e do esporte, ex-professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Coordenador do departamento de Lipedema da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).


O exame é realizado após um período prolongado sem ingestão de alimentos e, por isso, é considerado ideal para o diagnóstico inicial do diabetes O que acontece com o corpo quando paramos de comer açúcar?
Manter o controle da glicemia é fundamental para a saúde metabólica e para o diagnóstico precoce do diabetes. Nesse contexto, saber o que é a glicemia de jejum é de grande valia. O exame mede a quantidade de glicose presente no sangue após um período sem alimentos – geralmente durante a manhã, após oito a doze horas de jejum – permitindo avaliar o estado basal do metabolismo.
+ EU Atleta ganha canal no WhatsApp; veja como seguir
+ O que é índice glicêmico? Como é calculado e para que serve
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Para entender melhor como e quando esse exame é realizado, quais são os valores considerados normais, baixos e altos, e as principais diferenças entre a medição em jejum e em outros momentos, o EU Atleta conversou com especialistas no assunto. Confira nesta reportagem.
O que é glicemia de jejum?
A glicemia de jejum é um exame que mede a quantidade de glicose presente no sangue após um período sem ingestão de alimentos – geralmente entre oito e doze horas –, realizado nas primeiras horas da manhã. Durante esse período, é permitido apenas o consumo de água, e é recomendado evitar qualquer exercício físico intenso nas 12 horas que antecedem o exame.
Glicemia em jejum é realizado coletando uma amostra de sangue da veia do paciente
iStock
— É importante mencionar que a glicemia de jejum não é a única maneira de se diagnosticar diabetes. Existem duas outras metodologias: a dosagem da hemoglobina glicosilada ou glicada e o teste oral de tolerância glicose. São duas outras maneiras de se fazer o diagnóstico da doença — informa o endocrinologista Nelson Rassi, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Além do diagnóstico, a determinação dos níveis de glicose auxilia na escolha da terapia medicamentosa adequada. Por exemplo, de acordo com o médico, indivíduos com diabetes tipo 1 geralmente fazem uso imediato de insulina, enquanto aqueles com diabetes tipo 2 podem ser tratados com ajustes na dieta, prática regular de atividades físicas, medicamentos orais ou, em alguns casos, com novos medicamentos injetáveis, como os análogos dos receptores de GLP-1.
Como e quando é medida a glicemia de jejum?
O exame deve ser realizado nas primeiras horas da manhã, entre 6h e 9h, após o período de jejum noturno. Esse cuidado garante que a medição reflita o estado basal da glicose no sangue, sem a influência imediata de uma refeição. Durante o jejum, apenas água é permitida, e atividades físicas intensas devem ser evitadas para não interferir nos resultados.
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— Pode-se também mensurar a glicose no sangue em horários diferentes do que o jejum. Nesse caso, a utilidade do exame não é para o diagnóstico, pois é usado em pacientes sabidamente com diabetes e que necessitamos avaliar o controle glicêmico desse paciente, ou seja, saber se o diabetes dele está com controle adequado ou não. Em geral, realizamos esse exame duas horas após uma das refeições — acrescenta Nelson Rassi.
Valores de referência da glicemia de jejum
Conforme as diretrizes clínicas, os valores de referência para a glicemia de jejum são:
Normal: quando está abaixo de 100 mg/dL;
Pré-diabetes: valores entre 100 mg/dL e 125 mg/dL;
Diabetes: valor de 126 mg/dL ou superior em duas especificidades distintas;
Hipoglicemia: valores abaixo de 70 mg/dL.
A hipoglicemia pode se manifestar com sintomas como tremores, sudorese, tontura e confusão, podendo evoluir para quadros mais graves se não for tratado especificamente. O médico endocrinologista e do esporte Ricardo Oliveira aponta que a American Diabetes Association (ADA) classifica a hipoglicemia em três níveis:
Nível 1: entre 54 e 70 mg/dL;
Nível 2: abaixo de 54 mg/dL;
Nível 3: eventos graves que desativam intervenção médica imediata.
— Esses valores são utilizados para o diagnóstico e monitoramento do diabetes e condições relacionadas, e são baseados em evidências que correlacionam níveis de glicose com riscos de complicações metabólicas e cardiovasculares — acrescenta o coordenador do Departamento de Doenças Associadas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
Diferenças entre a glicemia de jejum e a medição fora do jejum
Medição de glicemia
iStock
Enquanto a glicemia de jejum é realizada após um período prolongado sem ingestão de alimentos – e, por isso, é considerada ideal para o diagnóstico inicial do diabetes –, a medição da glicose fora do período de jejum tem outra finalidade específica. Esta segunda modalidade é geralmente aplicada em pacientes já apresentados para avaliar o controle glicêmico após as refeições.
— Quando a glicose é medida duas horas após uma refeição, os valores esperados para um paciente sem diabetes devem estar abaixo de 140 mg/dL. Valores entre 140 mg/dL e 180 mg/dL podem ser considerados adequados para indivíduos com diabetes sob tratamento, enquanto níveis acima de 180 mg/dL indicam um controle inadequado — explica o endócrino Nelson Rassi.
Portanto, embora a glicemia de jejum seja essencial para a avaliação diagnóstica, os exames pós-prandiais servem como ferramentas para monitorar a eficácia do tratamento em diabéticos.
A importância do acompanhamento médico
O diagnóstico e a interpretação dos níveis de glicemia devem ser sempre realizados por um profissional especializado na área da endocrinologia, evitando-se interpretações equivocadas e a automedicação.
— O tratamento do diabetes deve ser prolongado por um endocrinologista, pois a automedicação pode levar a riscos sérios, como a hipoglicemia e complicações a longo prazo decorrentes do controle inadequado da glicemia, como microangiopatias, que afetam os olhos, os rins e o sistema nervoso periférico com sequelas importantes, como cegueira, insuficiência renal, amputação de membros etc — enfatiza Nelson Rassi.
Nesse contexto, um acompanhamento médico é indispensável para um diagnóstico correto e tratamento adequado. Portanto, evite a automedicação e busque sempre orientação profissional.
Fontes:
Nelson Rassi é médico endocrinologista e diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Ricardo Oliveira é médico endocrinologista e do esporte, ex-professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Coordenador do departamento de Lipedema da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).



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