Pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) têm direitos previdenciários assegurados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas o acesso a esses benefícios ainda gera dúvidas e desafios. Entre as opções disponíveis estão o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a aposentadoria por deficiência e o benefício por incapacidade temporária. Esses auxílios são fundamentais para garantir suporte financeiro a quem enfrenta limitações impostas por essas condições, seja na infância, seja na vida adulta. Em um contexto em que o diagnóstico de TEA e TDAH tem crescido, compreender os caminhos para solicitar esses direitos é essencial para milhões de famílias brasileiras.
O BPC, por exemplo, é um benefício assistencial que não exige contribuição prévia ao INSS, voltado para pessoas com deficiência ou idosos acima de 65 anos em situação de baixa renda. Para quem tem TEA ou TDAH, a concessão depende de uma avaliação médica e social que comprove a incapacidade de longo prazo e a renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo, atualmente fixado em R$ 353. Já a aposentadoria por deficiência e o benefício por incapacidade temporária são previdenciários, exigindo vínculo como segurado do INSS e comprovação de impedimentos que afetem a vida laboral. Esses processos, porém, nem sempre são simples, e muitos enfrentam negativas iniciais.
Dados recentes mostram que o número de pedidos de benefícios relacionados a transtornos como TEA e TDAH vem aumentando. Isso reflete tanto a maior conscientização sobre essas condições quanto a evolução nos diagnósticos médicos. Apesar disso, a burocracia e a falta de informação ainda são barreiras significativas. No Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo, celebrado em 2 de abril, especialistas reforçam a importância de divulgar esses direitos e orientar os cidadãos sobre como acessá-los de forma eficaz.
Como funciona o BPC para autismo e TDAH
O Benefício de Prestação Continuada é uma das principais ferramentas de suporte para quem vive com transtornos como autismo e TDAH. Criado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), ele garante um salário mínimo mensal a pessoas com deficiência que não conseguem se sustentar ou ser sustentadas pela família. No caso do TEA, a condição é reconhecida como deficiência para fins legais, mas a aprovação depende de laudos médicos detalhados que demonstrem o impacto na vida cotidiana.
Para crianças com autismo, o BPC é frequentemente solicitado por responsáveis que precisam se dedicar integralmente aos seus cuidados. Um exemplo comum é o de mães que deixam o mercado de trabalho para acompanhar terapias e consultas, como no caso de uma mulher que, desde o nascimento de seu filho de 5 anos com TEA, não consegue emprego. A renda familiar baixa e a incapacidade da criança de se manter sozinha são fatores analisados pelo INSS. Já para o TDAH, a situação é mais complexa, pois o transtorno não é automaticamente classificado como deficiência, exigindo provas robustas de limitações severas.
A solicitação do BPC pode ser feita pelo telefone 135 ou pelo portal Meu INSS, mas o processo exige paciência. Após o pedido, é realizada uma perícia médica e uma avaliação social para verificar os critérios de elegibilidade. Em muitos casos, o benefício é negado inicialmente, o que leva famílias a recorrerem administrativamente ou até judicialmente para garantir o direito.
Benefícios disponíveis no INSS
Além do BPC, existem outras opções de suporte previdenciário para pessoas com TEA e TDAH, cada uma com requisitos específicos. Esses benefícios são especialmente importantes para quem já contribuiu ao INSS ou enfrenta incapacidades temporárias ou permanentes devido aos transtornos.
- Benefício por incapacidade temporária: Conhecido antigamente como auxílio-doença, é voltado para segurados que precisam se afastar do trabalho por mais de 15 dias devido a comorbidades ligadas ao TEA ou TDAH. Um adulto de 38 anos recém-diagnosticado com autismo, por exemplo, pode solicitá-lo se o tratamento intenso comprometer sua capacidade laboral.
- Aposentadoria por deficiência: Destinada a quem tem impedimentos de longo prazo e contribuiu ao INSS, permite aposentadoria com redução no tempo de contribuição ou na idade mínima, dependendo do grau de deficiência.
- BPC para baixa renda: Mesmo sem contribuições, garante um salário mínimo a pessoas com deficiência em vulnerabilidade social, sendo uma alternativa comum para crianças e adultos com TEA ou TDAH grave.
Esses benefícios exigem documentação médica atualizada, como laudos de psiquiatras e psicólogos, além de exames que detalhem as barreiras enfrentadas. A perícia do INSS avalia cada caso individualmente, o que pode gerar decisões distintas mesmo entre situações semelhantes.

Requisitos para solicitar benefícios
Garantir um benefício do INSS exige preparação e atenção aos detalhes. O processo começa com a coleta de documentos que comprovem a condição de saúde e a situação socioeconômica do requerente. Para o BPC, a renda familiar é um ponto crucial, enquanto os benefícios previdenciários dependem do histórico de contribuições.
Famílias de crianças com autismo ou TDAH devem apresentar laudos médicos legíveis, com o Código Internacional de Doenças (CID) correspondente — F84.0 para TEA e F90 para TDAH, por exemplo. Esses documentos precisam descrever as limitações específicas, como dificuldades de comunicação, adaptação social ou concentração, que afetem a independência ou a capacidade de trabalho. Além disso, o Cadastro Único (CadÚnico) deve estar atualizado, com informações sobre o núcleo familiar e a renda, revisadas a cada dois anos.
No caso de adultos, a comprovação da incapacidade laboral é essencial. Um trabalhador com TEA que enfrenta crises devido a comorbidades, como ansiedade severa, pode pedir o benefício por incapacidade temporária, mas precisa passar pela perícia do INSS. Já para a aposentadoria por deficiência, o segurado deve demonstrar que o transtorno impede permanentemente o exercício de qualquer atividade profissional.
Barreiras no acesso aos direitos
A busca por benefícios do INSS para autismo e TDAH frequentemente esbarra em obstáculos. A burocracia é uma das principais queixas, com processos que podem levar meses ou até anos, especialmente quando há negativa inicial. Muitas famílias relatam dificuldades em reunir a documentação exigida ou em compreender os critérios de avaliação.
Outro desafio é a falta de uniformidade nas decisões dos peritos. Enquanto o TEA é amplamente aceito como deficiência, o TDAH enfrenta resistência, pois nem todos os casos são considerados incapacitantes. Uma menina de 11 anos com TDAH, por exemplo, pode ter o pedido de BPC negado se o perito julgar que as limitações não são graves o suficiente. Nessas situações, recorrer à Justiça tem sido uma alternativa crescente, com decisões favoráveis em tribunais como o TRF-4, que recentemente concedeu o benefício a uma criança com TDAH e transtorno opositivo desafiador.
A desinformação também prejudica o acesso. Muitos pais desconhecem que o autismo ou o TDAH podem dar direito a auxílios, especialmente em comunidades de baixa renda. Iniciativas como o Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo ajudam a mudar esse cenário, mas a divulgação ainda precisa alcançar mais pessoas.
Passo a passo para requerer benefícios
Solicitar um benefício do INSS exige organização e paciência, mas seguir um roteiro claro pode facilitar o processo. O primeiro passo é reunir toda a documentação necessária, incluindo laudos médicos atualizados, comprovantes de renda e identificação. Para o BPC, o CadÚnico é indispensável, enquanto os benefícios previdenciários requerem provas de contribuição ao INSS.
O pedido pode ser feito de forma prática pelo portal Meu INSS ou pelo telefone 135, disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h. Após o cadastro, o requerente recebe um número de protocolo para acompanhar o andamento. A etapa seguinte é a perícia, onde médicos e assistentes sociais avaliam a condição do solicitante. Em caso de negativa, é possível entrar com recurso em até 30 dias ou buscar apoio jurídico para uma ação na Justiça.
Para quem cuida de pessoas com TEA ou TDAH severo, como uma mãe desempregada com filho autista de 5 anos, o BPC pode ser a única fonte de renda. Já adultos diagnosticados tardiamente, como um homem de 38 anos em tratamento intenso, podem optar pelo benefício por incapacidade temporária enquanto se recuperam.
Impacto dos transtornos na vida cotidiana
Autismo e TDAH afetam milhões de brasileiros de formas distintas, mas ambos podem gerar barreiras significativas. No TEA, os níveis variam de leve a severo, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). No nível 1, há dificuldades sutis em interações sociais; no nível 3, a comunicação básica exige apoio constante. Já o TDAH é marcado por desatenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade, o que compromete desde o desempenho escolar até a estabilidade no trabalho.
Crianças com esses transtornos muitas vezes dependem de terapias contínuas, como fonoaudiologia e terapia ocupacional, o que eleva os custos familiares. Adultos, por sua vez, enfrentam desafios para se manter em empregos que exigem foco ou adaptação a regras sociais. Um diagnóstico tardio, como o de um homem de 38 anos com TEA, pode revelar anos de dificuldades não compreendidas, justificando a necessidade de suporte financeiro temporário ou permanente.
Essas limitações reforçam a importância dos benefícios do INSS. O BPC, por exemplo, alivia a pressão financeira de famílias vulneráveis, enquanto a aposentadoria por deficiência reconhece os obstáculos enfrentados por quem contribuiu ao sistema mas não consegue mais trabalhar.
Casos reais que ilustram os direitos
Histórias de quem busca benefícios do INSS mostram a diversidade de situações envolvendo TEA e TDAH. Uma mãe solo de Cascavel, no Paraná, conseguiu o BPC para sua filha de 7 anos com TDAH, transtorno opositivo desafiador e dislalia após decisão judicial. O juiz considerou a vulnerabilidade social da família, que vive do auxílio-acidente da genitora, e os prejuízos educacionais da criança.
Em outro caso, uma mulher questiona se sua filha de 11 anos com TDAH tem direitos previdenciários. A resposta depende da gravidade do transtorno e da renda familiar, mas o BPC é uma possibilidade real se as condições forem atendidas. Já um adulto de 38 anos, diagnosticado tardiamente com TEA e em tratamento intensivo, pode pleitear o benefício por incapacidade temporária, desde que seja segurado do INSS e comprove o impacto laboral.
Esses exemplos destacam que, embora os direitos existam, a aprovação nem sempre é automática. A perícia médica é um divisor de águas, e a qualidade dos laudos apresentados faz diferença no resultado.
Benefícios além do financeiro
Os auxílios do INSS vão além do suporte econômico, oferecendo segurança para quem vive com TEA ou TDAH. O BPC, por exemplo, permite que famílias invistam em tratamentos essenciais, como terapias comportamentais, que custam caro no setor privado. Para uma mãe que deixou o emprego para cuidar do filho autista, o benefício representa a chance de focar na criança sem o peso da instabilidade financeira.
No caso de adultos, o benefício por incapacidade temporária dá tempo para ajustes no tratamento ou reabilitação, enquanto a aposentadoria por deficiência reconhece o impacto permanente do transtorno. Esses recursos também ajudam a reduzir o estresse de cuidadores, que muitas vezes abandonam suas carreiras para atender às demandas dos dependentes.
Dados do INSS mostram que, em 2024, milhares de pedidos de BPC foram analisados, com aumento significativo de casos ligados a transtornos neurodesenvolvimentais. Isso indica uma maior busca por direitos, mas também a necessidade de agilizar os processos para atender à demanda.
Cronograma para solicitação em 2025
Planejar a solicitação de benefícios requer atenção às etapas e prazos. O ano de 2025 oferece oportunidades para quem deseja garantir esses direitos, mas o processo exige organização. Confira o calendário básico para se preparar:
- Janeiro a março: Reúna laudos médicos e atualize o CadÚnico, essencial para o BPC.
- Abril: Aproveite o mês do Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo (2 de abril) para buscar orientações em órgãos como o CRAS.
- Maio a julho: Faça o pedido pelo Meu INSS ou telefone 135 e agende a perícia.
- Agosto a dezembro: Acompanhe o andamento e, se necessário, prepare recurso ou ação judicial.
Esse cronograma é flexível, mas agir cedo evita atrasos. A perícia pode demorar semanas ou meses, dependendo da região, então antecipar a documentação é uma vantagem.
Dicas para facilitar o processo
Quem busca benefícios do INSS para TEA ou TDAH pode aumentar as chances de aprovação com algumas estratégias práticas. Reunir laudos detalhados de especialistas, como psiquiatras e psicólogos, é o primeiro passo, pois documentos genéricos tendem a ser rejeitados. Manter o CadÚnico atualizado também evita problemas na análise social.
Outra dica é acompanhar o pedido regularmente pelo Meu INSS, verificando se há pendências. Em caso de negativa, o recurso deve ser apresentado em até 30 dias, com novos documentos que reforcem o caso. Para situações complexas, como um TDAH que não é reconhecido como incapacitante, buscar apoio jurídico pode ser decisivo.
Essas ações ajudam a navegar pela burocracia e garantem que os direitos sejam respeitados, seja para uma criança autista de 5 anos ou um adulto com diagnóstico tardio.

Pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) têm direitos previdenciários assegurados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas o acesso a esses benefícios ainda gera dúvidas e desafios. Entre as opções disponíveis estão o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a aposentadoria por deficiência e o benefício por incapacidade temporária. Esses auxílios são fundamentais para garantir suporte financeiro a quem enfrenta limitações impostas por essas condições, seja na infância, seja na vida adulta. Em um contexto em que o diagnóstico de TEA e TDAH tem crescido, compreender os caminhos para solicitar esses direitos é essencial para milhões de famílias brasileiras.
O BPC, por exemplo, é um benefício assistencial que não exige contribuição prévia ao INSS, voltado para pessoas com deficiência ou idosos acima de 65 anos em situação de baixa renda. Para quem tem TEA ou TDAH, a concessão depende de uma avaliação médica e social que comprove a incapacidade de longo prazo e a renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo, atualmente fixado em R$ 353. Já a aposentadoria por deficiência e o benefício por incapacidade temporária são previdenciários, exigindo vínculo como segurado do INSS e comprovação de impedimentos que afetem a vida laboral. Esses processos, porém, nem sempre são simples, e muitos enfrentam negativas iniciais.
Dados recentes mostram que o número de pedidos de benefícios relacionados a transtornos como TEA e TDAH vem aumentando. Isso reflete tanto a maior conscientização sobre essas condições quanto a evolução nos diagnósticos médicos. Apesar disso, a burocracia e a falta de informação ainda são barreiras significativas. No Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo, celebrado em 2 de abril, especialistas reforçam a importância de divulgar esses direitos e orientar os cidadãos sobre como acessá-los de forma eficaz.
Como funciona o BPC para autismo e TDAH
O Benefício de Prestação Continuada é uma das principais ferramentas de suporte para quem vive com transtornos como autismo e TDAH. Criado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), ele garante um salário mínimo mensal a pessoas com deficiência que não conseguem se sustentar ou ser sustentadas pela família. No caso do TEA, a condição é reconhecida como deficiência para fins legais, mas a aprovação depende de laudos médicos detalhados que demonstrem o impacto na vida cotidiana.
Para crianças com autismo, o BPC é frequentemente solicitado por responsáveis que precisam se dedicar integralmente aos seus cuidados. Um exemplo comum é o de mães que deixam o mercado de trabalho para acompanhar terapias e consultas, como no caso de uma mulher que, desde o nascimento de seu filho de 5 anos com TEA, não consegue emprego. A renda familiar baixa e a incapacidade da criança de se manter sozinha são fatores analisados pelo INSS. Já para o TDAH, a situação é mais complexa, pois o transtorno não é automaticamente classificado como deficiência, exigindo provas robustas de limitações severas.
A solicitação do BPC pode ser feita pelo telefone 135 ou pelo portal Meu INSS, mas o processo exige paciência. Após o pedido, é realizada uma perícia médica e uma avaliação social para verificar os critérios de elegibilidade. Em muitos casos, o benefício é negado inicialmente, o que leva famílias a recorrerem administrativamente ou até judicialmente para garantir o direito.
Benefícios disponíveis no INSS
Além do BPC, existem outras opções de suporte previdenciário para pessoas com TEA e TDAH, cada uma com requisitos específicos. Esses benefícios são especialmente importantes para quem já contribuiu ao INSS ou enfrenta incapacidades temporárias ou permanentes devido aos transtornos.
- Benefício por incapacidade temporária: Conhecido antigamente como auxílio-doença, é voltado para segurados que precisam se afastar do trabalho por mais de 15 dias devido a comorbidades ligadas ao TEA ou TDAH. Um adulto de 38 anos recém-diagnosticado com autismo, por exemplo, pode solicitá-lo se o tratamento intenso comprometer sua capacidade laboral.
- Aposentadoria por deficiência: Destinada a quem tem impedimentos de longo prazo e contribuiu ao INSS, permite aposentadoria com redução no tempo de contribuição ou na idade mínima, dependendo do grau de deficiência.
- BPC para baixa renda: Mesmo sem contribuições, garante um salário mínimo a pessoas com deficiência em vulnerabilidade social, sendo uma alternativa comum para crianças e adultos com TEA ou TDAH grave.
Esses benefícios exigem documentação médica atualizada, como laudos de psiquiatras e psicólogos, além de exames que detalhem as barreiras enfrentadas. A perícia do INSS avalia cada caso individualmente, o que pode gerar decisões distintas mesmo entre situações semelhantes.

Requisitos para solicitar benefícios
Garantir um benefício do INSS exige preparação e atenção aos detalhes. O processo começa com a coleta de documentos que comprovem a condição de saúde e a situação socioeconômica do requerente. Para o BPC, a renda familiar é um ponto crucial, enquanto os benefícios previdenciários dependem do histórico de contribuições.
Famílias de crianças com autismo ou TDAH devem apresentar laudos médicos legíveis, com o Código Internacional de Doenças (CID) correspondente — F84.0 para TEA e F90 para TDAH, por exemplo. Esses documentos precisam descrever as limitações específicas, como dificuldades de comunicação, adaptação social ou concentração, que afetem a independência ou a capacidade de trabalho. Além disso, o Cadastro Único (CadÚnico) deve estar atualizado, com informações sobre o núcleo familiar e a renda, revisadas a cada dois anos.
No caso de adultos, a comprovação da incapacidade laboral é essencial. Um trabalhador com TEA que enfrenta crises devido a comorbidades, como ansiedade severa, pode pedir o benefício por incapacidade temporária, mas precisa passar pela perícia do INSS. Já para a aposentadoria por deficiência, o segurado deve demonstrar que o transtorno impede permanentemente o exercício de qualquer atividade profissional.
Barreiras no acesso aos direitos
A busca por benefícios do INSS para autismo e TDAH frequentemente esbarra em obstáculos. A burocracia é uma das principais queixas, com processos que podem levar meses ou até anos, especialmente quando há negativa inicial. Muitas famílias relatam dificuldades em reunir a documentação exigida ou em compreender os critérios de avaliação.
Outro desafio é a falta de uniformidade nas decisões dos peritos. Enquanto o TEA é amplamente aceito como deficiência, o TDAH enfrenta resistência, pois nem todos os casos são considerados incapacitantes. Uma menina de 11 anos com TDAH, por exemplo, pode ter o pedido de BPC negado se o perito julgar que as limitações não são graves o suficiente. Nessas situações, recorrer à Justiça tem sido uma alternativa crescente, com decisões favoráveis em tribunais como o TRF-4, que recentemente concedeu o benefício a uma criança com TDAH e transtorno opositivo desafiador.
A desinformação também prejudica o acesso. Muitos pais desconhecem que o autismo ou o TDAH podem dar direito a auxílios, especialmente em comunidades de baixa renda. Iniciativas como o Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo ajudam a mudar esse cenário, mas a divulgação ainda precisa alcançar mais pessoas.
Passo a passo para requerer benefícios
Solicitar um benefício do INSS exige organização e paciência, mas seguir um roteiro claro pode facilitar o processo. O primeiro passo é reunir toda a documentação necessária, incluindo laudos médicos atualizados, comprovantes de renda e identificação. Para o BPC, o CadÚnico é indispensável, enquanto os benefícios previdenciários requerem provas de contribuição ao INSS.
O pedido pode ser feito de forma prática pelo portal Meu INSS ou pelo telefone 135, disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h. Após o cadastro, o requerente recebe um número de protocolo para acompanhar o andamento. A etapa seguinte é a perícia, onde médicos e assistentes sociais avaliam a condição do solicitante. Em caso de negativa, é possível entrar com recurso em até 30 dias ou buscar apoio jurídico para uma ação na Justiça.
Para quem cuida de pessoas com TEA ou TDAH severo, como uma mãe desempregada com filho autista de 5 anos, o BPC pode ser a única fonte de renda. Já adultos diagnosticados tardiamente, como um homem de 38 anos em tratamento intenso, podem optar pelo benefício por incapacidade temporária enquanto se recuperam.
Impacto dos transtornos na vida cotidiana
Autismo e TDAH afetam milhões de brasileiros de formas distintas, mas ambos podem gerar barreiras significativas. No TEA, os níveis variam de leve a severo, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). No nível 1, há dificuldades sutis em interações sociais; no nível 3, a comunicação básica exige apoio constante. Já o TDAH é marcado por desatenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade, o que compromete desde o desempenho escolar até a estabilidade no trabalho.
Crianças com esses transtornos muitas vezes dependem de terapias contínuas, como fonoaudiologia e terapia ocupacional, o que eleva os custos familiares. Adultos, por sua vez, enfrentam desafios para se manter em empregos que exigem foco ou adaptação a regras sociais. Um diagnóstico tardio, como o de um homem de 38 anos com TEA, pode revelar anos de dificuldades não compreendidas, justificando a necessidade de suporte financeiro temporário ou permanente.
Essas limitações reforçam a importância dos benefícios do INSS. O BPC, por exemplo, alivia a pressão financeira de famílias vulneráveis, enquanto a aposentadoria por deficiência reconhece os obstáculos enfrentados por quem contribuiu ao sistema mas não consegue mais trabalhar.
Casos reais que ilustram os direitos
Histórias de quem busca benefícios do INSS mostram a diversidade de situações envolvendo TEA e TDAH. Uma mãe solo de Cascavel, no Paraná, conseguiu o BPC para sua filha de 7 anos com TDAH, transtorno opositivo desafiador e dislalia após decisão judicial. O juiz considerou a vulnerabilidade social da família, que vive do auxílio-acidente da genitora, e os prejuízos educacionais da criança.
Em outro caso, uma mulher questiona se sua filha de 11 anos com TDAH tem direitos previdenciários. A resposta depende da gravidade do transtorno e da renda familiar, mas o BPC é uma possibilidade real se as condições forem atendidas. Já um adulto de 38 anos, diagnosticado tardiamente com TEA e em tratamento intensivo, pode pleitear o benefício por incapacidade temporária, desde que seja segurado do INSS e comprove o impacto laboral.
Esses exemplos destacam que, embora os direitos existam, a aprovação nem sempre é automática. A perícia médica é um divisor de águas, e a qualidade dos laudos apresentados faz diferença no resultado.
Benefícios além do financeiro
Os auxílios do INSS vão além do suporte econômico, oferecendo segurança para quem vive com TEA ou TDAH. O BPC, por exemplo, permite que famílias invistam em tratamentos essenciais, como terapias comportamentais, que custam caro no setor privado. Para uma mãe que deixou o emprego para cuidar do filho autista, o benefício representa a chance de focar na criança sem o peso da instabilidade financeira.
No caso de adultos, o benefício por incapacidade temporária dá tempo para ajustes no tratamento ou reabilitação, enquanto a aposentadoria por deficiência reconhece o impacto permanente do transtorno. Esses recursos também ajudam a reduzir o estresse de cuidadores, que muitas vezes abandonam suas carreiras para atender às demandas dos dependentes.
Dados do INSS mostram que, em 2024, milhares de pedidos de BPC foram analisados, com aumento significativo de casos ligados a transtornos neurodesenvolvimentais. Isso indica uma maior busca por direitos, mas também a necessidade de agilizar os processos para atender à demanda.
Cronograma para solicitação em 2025
Planejar a solicitação de benefícios requer atenção às etapas e prazos. O ano de 2025 oferece oportunidades para quem deseja garantir esses direitos, mas o processo exige organização. Confira o calendário básico para se preparar:
- Janeiro a março: Reúna laudos médicos e atualize o CadÚnico, essencial para o BPC.
- Abril: Aproveite o mês do Dia Mundial de Conscientização sobre Autismo (2 de abril) para buscar orientações em órgãos como o CRAS.
- Maio a julho: Faça o pedido pelo Meu INSS ou telefone 135 e agende a perícia.
- Agosto a dezembro: Acompanhe o andamento e, se necessário, prepare recurso ou ação judicial.
Esse cronograma é flexível, mas agir cedo evita atrasos. A perícia pode demorar semanas ou meses, dependendo da região, então antecipar a documentação é uma vantagem.
Dicas para facilitar o processo
Quem busca benefícios do INSS para TEA ou TDAH pode aumentar as chances de aprovação com algumas estratégias práticas. Reunir laudos detalhados de especialistas, como psiquiatras e psicólogos, é o primeiro passo, pois documentos genéricos tendem a ser rejeitados. Manter o CadÚnico atualizado também evita problemas na análise social.
Outra dica é acompanhar o pedido regularmente pelo Meu INSS, verificando se há pendências. Em caso de negativa, o recurso deve ser apresentado em até 30 dias, com novos documentos que reforcem o caso. Para situações complexas, como um TDAH que não é reconhecido como incapacitante, buscar apoio jurídico pode ser decisivo.
Essas ações ajudam a navegar pela burocracia e garantem que os direitos sejam respeitados, seja para uma criança autista de 5 anos ou um adulto com diagnóstico tardio.
