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6 Apr 2025, Sun


O Acervo da Laje foi criado pelo casal de professores Vilma Santos e José Eduardo Ferreira

O Acervo da Laje foi criado pelo casal de professores Vilma Santos e José Eduardo Ferreira |  Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Considerada pioneira na preservação da memória do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a Associação Cultural Acervo da Laje é um espaço voltado para a arte, história e educação, reunindo esculturas, pinturas, azulejos, documentos, fotografias, livros e muitos outros artefatos que retratam a luta, a vida e a força da população local. Neste mês, o Acervo da Laje completa 15 anos de existência e resistência.

Leia Também:

O equipamento cultural foi criado em 2010, pelo casal de professores José Eduardo Ferreira Santos e Vilma Soares Ferreira Santos, e está localizado na orla do bairro São João do Cabrito. Nascidos e criados na comunidade, ainda na época em que o local era um aglomerado de palafitas, eles abriram as portas da própria casa para mostrar ao público e aos próprios moradores uma face pouco conhecida da região.

O Acervo da Laje surgiu de maneira espontânea. Em 2008, José Eduardo estava apresentando sua tese de doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que abordava as repercussões de homicídios entre jovens no Subúrbio, quando recebeu o incentivo do sociólogo Gey Espinheira para pesquisar sobre a beleza do lugar. O tempo passou, e os achados foram tantos que aquilo que seria apenas um estudo se tornou em um propósito de vida.

“A gente começou a comprar as obras e levar para a nossa casa, para a laje da casa, e lá começou a primeira grande exposição. As pessoas iam visitar e depois diziam que não acreditavam que existiam esses artistas aqui no território”, relembrou o educador.

Aos poucos, as doações foram chegando, e novos artistas surgiram dispostos a contribuir para o crescimento do projeto. Atualmente, o espaço também oferece oficinas e palestras, além de receber estudantes de diversas regiões da Bahia, do Brasil e do mundo para compartilhar seus trabalhos e aprender mais sobre a cultura suburbana.

O espaço cultural é repleto de obras marcantes

O espaço cultural é repleto de obras marcantes | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

“Os alunos que vêm fazer pesquisa dentro do Acervo, eles sempre têm que trazer uma contrapartida para a comunidade, de forma clara e bem objetiva para a ajuda no estudo da criança, como também para as mães e os moradores entenderem um pouquinho do que está acontecendo dentro do espaço. Cada um traz o seu jeito de olhar para o mundo”, explicou Vilma.

Um passeio pelo Acervo da Laje

Aconchegante, verde e viva, a fachada do Acervo da Laje é a primeira coisa que chama atenção dos visitantes, por ser repleta de plantas que se espalham do térreo até a famosa laje. Logo de cara é possível entender a essência da iniciativa, pois Vilma e José Eduardo abrem, literalmente, a porta de casa para as pessoas.

Cada parte do lugar, que é dividido entre Casa 1 e Casa 2, comunica alguma coisa para os espectadores. Absolutamente nada é por acaso nesse acervo.

Fachada do Acervo da Laje chama atenção e encanta visitantes

Fachada do Acervo da Laje chama atenção e encanta visitantes | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Assim como outros equipamentos culturais, o Acervo da Laje planeja e organiza exposições diferentes ao longo do tempo. Volta e meia, as obras são retiradas para dar lugar a novas coleções. Por isso, o MASSA! vai contar o que está sendo exposto atualmente.

Rico em conteúdo, o espaço cultural conta com bastante opções a serem exploradas: bibliotecas; hemerotecas; coleções de discos, manuscritos, CDs, croquis, conchas, azulejos, tijolos e porcelanas antigas; quadros; esculturas de madeira e alumínio; artefatos históricos; fotografias e objetos que expressam a história do Subúrbio.

No momento, duas exposições tomam conta da Casa 2. A primeira é ‘Memórias para Dona Antônia’, que faz homenagem à mãe de Vilma Santos, uma das mulheres que contribuíram para o Acervo da Laje e tinha uma atuação muito forte em São João do Cabrito, e a segunda é ‘Ex-Voto’, do artista suburbano Zé di Cabeça.

Atualmente, duas exposições tomam conta da Casa 2

Atualmente, duas exposições tomam conta da Casa 2 | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

“Temos a exposição ‘Memórias para Dona Antônia’ e uma exposição do artista Zé di Cabeça, é uma exposição dentro da outra. Todo mundo está vindo e está gostando, está achando que aqui virou um museu, um portal diferente. É uma mistura da memória de uma mulher que trabalhou a vida toda dentro da comunidade com outro artista, e com a participação de vários artistas do Subúrbio”, disse Vilma.

De olho no futuro

Debutante do ano, o Acervo da Laje tem projetos para o futuro, mas pretende se expandir com cautela e estratégia, sem perder o foco em sua missão como ‘casa, museu e escola’.

“A gente não pode crescer tanto e depois não dar conta. O acervo da laje é um casal, é Vilma Santos e eu, José Eduardo. A gente não tem estrutura de equipe, temos pessoas que colaboram, então, crescer só com muita responsabilidade, para não criarmos algo que depois que a gente morra, venha alguém aqui jogar tudo fora e queimar tudo”, explicou José Eduardo, temendo que as obras sejam descartadas futuramente.

Seguindo essa visão, o casal responsável pelos cuidados e curadoria do Acervo da Laje contou ao Portal MASSA! que estão prestes a tirar um sonho do papel. Eles compraram um galpão para expandir ainda mais os trabalhos.

“A gente vai ter um galpão aqui perto, um galpão bonito que a gente quer fazer residência artística, reserva técnica e um espaço para ter mais atividades. Vai ser um espaço acessível, inclusive, com acessibilidade. Esse vai ser o sonho do futuro agora, pois já compramos, mas agora temos que juntar dinheiro, pedir colaboração e apoio para começarmos as obras lá”, revelaram.

José Eduardo e Vilma querem expandir o Acervo da Laje

José Eduardo e Vilma querem expandir o Acervo da Laje | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

No momento, Vilma e José se viram nos 30 para manter o Acervo em funcionamento: “A gente trabalha, a gente dá aula, a gente faz da oficina, a gente faz outras coisas que dão para manter o espaço. Eu sou professor, a Vilma é professora, então a gente tem outros meios de nos manter para além do acervo, e deixar a gratuidade do espaço é justamente porque ajuda as pessoas a terem uma inserção maior dentro do acervo. E a gente tem o apoio do Instituto Flávia Abubakir, que é um instituto que está ajudando a gente a pagar as contas mensais de três casas, serviços de manutenção, as estruturas, o material da oficina, almoço e alimentação das crianças, além de doações”.

Os professores criaram uma chave Pix para que as pessoas que puderem contribuir com o Acervo da Laje conseguirem doar: [email protected].

“Quanto mais pessoas puderem ajudar, melhor. A gente agora precisa desse apoio das pessoas, de artistas, de pessoas que possam, porque manter um acervo talvez seja uma das coisas mais difíceis no campo da cultura, porque o acervo não grita, o acervo não fala, o acervo tem que ser cuidado”, concluíram.

O Acervo da Laje funciona de quinta-feira a domingo, sendo que de quinta a sábado os horários disponíveis para visitação são de 10h às 17h, e domingo das 10h às 14h. As visitas devem ser agendadas pelo Instagram @acervodalaje ou pelo site www.acervodalaje.com.br. A entrada é completamente gratuita.



O Acervo da Laje foi criado pelo casal de professores Vilma Santos e José Eduardo Ferreira

O Acervo da Laje foi criado pelo casal de professores Vilma Santos e José Eduardo Ferreira |  Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Considerada pioneira na preservação da memória do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a Associação Cultural Acervo da Laje é um espaço voltado para a arte, história e educação, reunindo esculturas, pinturas, azulejos, documentos, fotografias, livros e muitos outros artefatos que retratam a luta, a vida e a força da população local. Neste mês, o Acervo da Laje completa 15 anos de existência e resistência.

Leia Também:

O equipamento cultural foi criado em 2010, pelo casal de professores José Eduardo Ferreira Santos e Vilma Soares Ferreira Santos, e está localizado na orla do bairro São João do Cabrito. Nascidos e criados na comunidade, ainda na época em que o local era um aglomerado de palafitas, eles abriram as portas da própria casa para mostrar ao público e aos próprios moradores uma face pouco conhecida da região.

O Acervo da Laje surgiu de maneira espontânea. Em 2008, José Eduardo estava apresentando sua tese de doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que abordava as repercussões de homicídios entre jovens no Subúrbio, quando recebeu o incentivo do sociólogo Gey Espinheira para pesquisar sobre a beleza do lugar. O tempo passou, e os achados foram tantos que aquilo que seria apenas um estudo se tornou em um propósito de vida.

“A gente começou a comprar as obras e levar para a nossa casa, para a laje da casa, e lá começou a primeira grande exposição. As pessoas iam visitar e depois diziam que não acreditavam que existiam esses artistas aqui no território”, relembrou o educador.

Aos poucos, as doações foram chegando, e novos artistas surgiram dispostos a contribuir para o crescimento do projeto. Atualmente, o espaço também oferece oficinas e palestras, além de receber estudantes de diversas regiões da Bahia, do Brasil e do mundo para compartilhar seus trabalhos e aprender mais sobre a cultura suburbana.

O espaço cultural é repleto de obras marcantes

O espaço cultural é repleto de obras marcantes | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

“Os alunos que vêm fazer pesquisa dentro do Acervo, eles sempre têm que trazer uma contrapartida para a comunidade, de forma clara e bem objetiva para a ajuda no estudo da criança, como também para as mães e os moradores entenderem um pouquinho do que está acontecendo dentro do espaço. Cada um traz o seu jeito de olhar para o mundo”, explicou Vilma.

Um passeio pelo Acervo da Laje

Aconchegante, verde e viva, a fachada do Acervo da Laje é a primeira coisa que chama atenção dos visitantes, por ser repleta de plantas que se espalham do térreo até a famosa laje. Logo de cara é possível entender a essência da iniciativa, pois Vilma e José Eduardo abrem, literalmente, a porta de casa para as pessoas.

Cada parte do lugar, que é dividido entre Casa 1 e Casa 2, comunica alguma coisa para os espectadores. Absolutamente nada é por acaso nesse acervo.

Fachada do Acervo da Laje chama atenção e encanta visitantes

Fachada do Acervo da Laje chama atenção e encanta visitantes | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

Assim como outros equipamentos culturais, o Acervo da Laje planeja e organiza exposições diferentes ao longo do tempo. Volta e meia, as obras são retiradas para dar lugar a novas coleções. Por isso, o MASSA! vai contar o que está sendo exposto atualmente.

Rico em conteúdo, o espaço cultural conta com bastante opções a serem exploradas: bibliotecas; hemerotecas; coleções de discos, manuscritos, CDs, croquis, conchas, azulejos, tijolos e porcelanas antigas; quadros; esculturas de madeira e alumínio; artefatos históricos; fotografias e objetos que expressam a história do Subúrbio.

No momento, duas exposições tomam conta da Casa 2. A primeira é ‘Memórias para Dona Antônia’, que faz homenagem à mãe de Vilma Santos, uma das mulheres que contribuíram para o Acervo da Laje e tinha uma atuação muito forte em São João do Cabrito, e a segunda é ‘Ex-Voto’, do artista suburbano Zé di Cabeça.

Atualmente, duas exposições tomam conta da Casa 2

Atualmente, duas exposições tomam conta da Casa 2 | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

“Temos a exposição ‘Memórias para Dona Antônia’ e uma exposição do artista Zé di Cabeça, é uma exposição dentro da outra. Todo mundo está vindo e está gostando, está achando que aqui virou um museu, um portal diferente. É uma mistura da memória de uma mulher que trabalhou a vida toda dentro da comunidade com outro artista, e com a participação de vários artistas do Subúrbio”, disse Vilma.

De olho no futuro

Debutante do ano, o Acervo da Laje tem projetos para o futuro, mas pretende se expandir com cautela e estratégia, sem perder o foco em sua missão como ‘casa, museu e escola’.

“A gente não pode crescer tanto e depois não dar conta. O acervo da laje é um casal, é Vilma Santos e eu, José Eduardo. A gente não tem estrutura de equipe, temos pessoas que colaboram, então, crescer só com muita responsabilidade, para não criarmos algo que depois que a gente morra, venha alguém aqui jogar tudo fora e queimar tudo”, explicou José Eduardo, temendo que as obras sejam descartadas futuramente.

Seguindo essa visão, o casal responsável pelos cuidados e curadoria do Acervo da Laje contou ao Portal MASSA! que estão prestes a tirar um sonho do papel. Eles compraram um galpão para expandir ainda mais os trabalhos.

“A gente vai ter um galpão aqui perto, um galpão bonito que a gente quer fazer residência artística, reserva técnica e um espaço para ter mais atividades. Vai ser um espaço acessível, inclusive, com acessibilidade. Esse vai ser o sonho do futuro agora, pois já compramos, mas agora temos que juntar dinheiro, pedir colaboração e apoio para começarmos as obras lá”, revelaram.

José Eduardo e Vilma querem expandir o Acervo da Laje

José Eduardo e Vilma querem expandir o Acervo da Laje | Foto: José Simões/Ag. A TARDE

No momento, Vilma e José se viram nos 30 para manter o Acervo em funcionamento: “A gente trabalha, a gente dá aula, a gente faz da oficina, a gente faz outras coisas que dão para manter o espaço. Eu sou professor, a Vilma é professora, então a gente tem outros meios de nos manter para além do acervo, e deixar a gratuidade do espaço é justamente porque ajuda as pessoas a terem uma inserção maior dentro do acervo. E a gente tem o apoio do Instituto Flávia Abubakir, que é um instituto que está ajudando a gente a pagar as contas mensais de três casas, serviços de manutenção, as estruturas, o material da oficina, almoço e alimentação das crianças, além de doações”.

Os professores criaram uma chave Pix para que as pessoas que puderem contribuir com o Acervo da Laje conseguirem doar: [email protected].

“Quanto mais pessoas puderem ajudar, melhor. A gente agora precisa desse apoio das pessoas, de artistas, de pessoas que possam, porque manter um acervo talvez seja uma das coisas mais difíceis no campo da cultura, porque o acervo não grita, o acervo não fala, o acervo tem que ser cuidado”, concluíram.

O Acervo da Laje funciona de quinta-feira a domingo, sendo que de quinta a sábado os horários disponíveis para visitação são de 10h às 17h, e domingo das 10h às 14h. As visitas devem ser agendadas pelo Instagram @acervodalaje ou pelo site www.acervodalaje.com.br. A entrada é completamente gratuita.



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