“Tem que aproveitar cada oportunidade que o futebol proporciona”, diz Netinho, que concorreu ao gol mais bonito do Paulistão anos após retomar carreira Futebol e música: Neto do cantor Dominguinhos disputa a série B com a Ferroviária
A carreira do meia Netinho pode e deve ser dividida em duas partes. A primeira, com a participação efetiva do pai. A segunda, já sem o maior incentivador por perto fisicamente, mas sempre presente, ainda que de forma espiritual.
– Hoje quando entro em qualquer estádio eu começo a chorar, porque não imaginaria que estaria vivendo aquele momento. Para mim é um motivo sempre de gratidão. Sempre choro, agradeço a Deus pelas coisas que ele tem feito em minha vida. Ele [meu pai] sempre está do meu lado, nos jogos, em tudo que faço coloco ele em primeiro lugar e ofereço para ele. Se ele estivesse aqui, seria bem melhor, a gente estaria comemorando muitas coisas boas.
Netinho com o pai
Arquivo Pessoal
O sonho no mundo da bola começou no futsal e migrou para o campo. Carioca, Netinho fez base no Flamengo, Botafogo, Vasco e Nova Iguaçu. O primeiro clube profissional foi o Bangu e a primeira experiência fora do Rio de Janeiro foi no interior de São Paulo, no Rio Claro, em 2019, mas ele não chegou jogar. Tudo acompanhado de perto pelo senhor José Domingos de Moraes Filho.
– Ele me levava para cima e para baixo. Me acompanhou desde pequeno. Era meu maior incentivador […] Aí meu pai morreu e eu parei de jogar bola – relembra Netinho.
A morte do pai do jogador tinha relação com futebol. Ele acabou discutindo com um antigo empresário do atleta, infartou, foi internado e morreu dias depois.
– Com a perda dele, perdi o ânimo […] Eu desisti porque ele estressou por conta de futebol, aí eu parei.
Netinho com a família
Arquivo Pessoal
Virada de chave
O convite de um amigo para jogar no Fut7 do Flamengo mudou os rumos da vida de Netinho. Encontrou na modalidade uma forma de voltar a ganhar dinheiro, embora não muito, mas o suficiente para se sustentar.
Deu certo. Ganhou Rio-São Paulo, Copa dos Campeões, Taça Brasil, Copa do Brasil e Mundial de Clubes, sendo eleito o melhor jogador da competição em 2021. Por um detalhe não foi eleito o melhor do mundo à época.
– Eu estava no Flamengo Fu7 e um dos investidores do Flamengo começou a investir na Portuguesa-RJ. Ele perguntou se eu tinha desejo de voltar para o campo e eu disse que sim. Comecei a tomar gosto de novo pelo futebol. E foi assim. Estou aí até hoje. Em 2022 teria a eleição e já estavam me dando como melhor do mundo, mas voltei para o campo e não participei da eleição, porque era exclusivo para quem jogava só Fut7 – explica.
Netinho, meia da Ferroviária, fala sobre carreira no futebol, Fut7 e família
Na Portuguesa-RJ, atuando como segundo volante, fez 33 partidas, com um gol e uma assistência em 2022. No mesmo ano, foi para o Ipatinga-MG, com dois gols e uma assistência e sete jogos.
No ano seguinte, disputou a Série C pelo Botafogo-PB, com dois gols em 19 partidas. Na temporada passada, a primeira Série B, pelo Paysandu, além dos primeiros títulos no campo, sendo campeão paraense e da Copa Verde. Balançou as redes duas vezes e deu dois passes em 37 partidas.
– Eu acho que pelo Fut7 ser um jogo mais corrido, melhorou meu raciocínio no futebol, de raciocinar mais rápido, ter uma leitura mais rápida do que vai acontecer com ou sem a bola. No Fut7 são campos mais apertados e toda hora tem que estar com a cabeça no que vai fazer. Isso ajudou bastante – conta o jogador.
Netinho quando jogava Fut7 pelo Flamengo
Arquivo Pessoal
Golaços no Paulistão e vaga na Série B
Veja o gol de Netinho contra o Santos
Nesta temporada, um sonho realizado: o primeiro Paulistão da carreira. Contratado pelo Água Santa, fez onze jogos, deu uma assistência e fez dois golaços, contra Corinthians e Santos.
Veja o golaço de Netinho contra o Corinthians
O gol diante do Peixe, na Vila Belmiro, com Neymar em campo, concorreu ao prêmio de mais bonito no estadual, mas perdeu para o gol olímpico do craque santista.
– Foi uma surpresa muito grande. Nunca tinha jogado Paulistão. Individualmente foi um dos melhores campeonatos que já fiz. Foi uma surpresa muito boa, principalmente por fazer gols em times grandes, como Santos e Corinthians. Claro que queria buscar mais coisas como equipe, mas individualmente foi muito bom.
– É uma coisa que não dá para explicar. Só quem está lá dentro sabe o sentimento que é. Por ter feito os gols, é uma sensação maior ainda. Ainda mais no Santos, que foi no dia do aniversário da minha esposa e foi a primeira vez que meu filho entrou em campo. Só o cara que vive ali sabe descrever a sensação que é.
Netinho comemora gol pelo Água Santa contra o Santos no Paulistão 2025
Rafael Assunção/Ag. Paulistão
Apesar de ter se destacado, o time dele foi rebaixado. O desempenho, no entanto, rendeu uma nova chance a Netinho na Série B. Foi contratado pela Ferroviária, clube que retorna à segunda divisão nacional após 30 anos.
– O projeto é bom, os caras que gerem o clube são bastante correto e a Ferroviária está numa crescente boa. É um negócio para mim, para fazer um campeonato bom. A gente tem que aproveitar cada oportunidade que o futebol proporciona. Se eu tivesse outra cabeça quando parei, estaria em outros degraus. Mas tudo é no tempo de Deus. Parei, teve aquela pausa para refletir, fortalecer e voltar mais forte.
Netinho treinando na Ferroviária
Luis Miguel Ferreira / Ferroviária SAF
DNA no forró
José Domingos de Moraes Neto, o Netinho, carrega nada mais nada menos que o nome do avô, Dominguinhos, sanfoneiro, cantor e compositor nordestino, uma das referências brasileiras no forró.
Com contatos raros com o avô, o jogador compreende o tamanho de Dominguinhos na história da música brasileira, embora prefira outros gêneros e não saiba tocar instrumentos.
– Poucas pessoas sabem, porque eu quase não falo. Tinha mais contato quando ele ia para o Rio fazer shows. Meu pai trabalhava como produtor e a maioria das vezes estava com ele. Eu gosto muito de música, mas não sei tocar nada. Eu prefiro outro estilo, prefiro o pagode. As músicas do meu avô não são comigo não (risos), mas sei o tamanho dele, a importância dele. Ele não chegou a me ver jogando. Quando ele faleceu eu tinha 13 anos.
Netinho, Botafogo-PB, Botafogo, Dominguinhos
Acervo pessoal / Netinho
“Tem que aproveitar cada oportunidade que o futebol proporciona”, diz Netinho, que concorreu ao gol mais bonito do Paulistão anos após retomar carreira Futebol e música: Neto do cantor Dominguinhos disputa a série B com a Ferroviária
A carreira do meia Netinho pode e deve ser dividida em duas partes. A primeira, com a participação efetiva do pai. A segunda, já sem o maior incentivador por perto fisicamente, mas sempre presente, ainda que de forma espiritual.
– Hoje quando entro em qualquer estádio eu começo a chorar, porque não imaginaria que estaria vivendo aquele momento. Para mim é um motivo sempre de gratidão. Sempre choro, agradeço a Deus pelas coisas que ele tem feito em minha vida. Ele [meu pai] sempre está do meu lado, nos jogos, em tudo que faço coloco ele em primeiro lugar e ofereço para ele. Se ele estivesse aqui, seria bem melhor, a gente estaria comemorando muitas coisas boas.
Netinho com o pai
Arquivo Pessoal
O sonho no mundo da bola começou no futsal e migrou para o campo. Carioca, Netinho fez base no Flamengo, Botafogo, Vasco e Nova Iguaçu. O primeiro clube profissional foi o Bangu e a primeira experiência fora do Rio de Janeiro foi no interior de São Paulo, no Rio Claro, em 2019, mas ele não chegou jogar. Tudo acompanhado de perto pelo senhor José Domingos de Moraes Filho.
– Ele me levava para cima e para baixo. Me acompanhou desde pequeno. Era meu maior incentivador […] Aí meu pai morreu e eu parei de jogar bola – relembra Netinho.
A morte do pai do jogador tinha relação com futebol. Ele acabou discutindo com um antigo empresário do atleta, infartou, foi internado e morreu dias depois.
– Com a perda dele, perdi o ânimo […] Eu desisti porque ele estressou por conta de futebol, aí eu parei.
Netinho com a família
Arquivo Pessoal
Virada de chave
O convite de um amigo para jogar no Fut7 do Flamengo mudou os rumos da vida de Netinho. Encontrou na modalidade uma forma de voltar a ganhar dinheiro, embora não muito, mas o suficiente para se sustentar.
Deu certo. Ganhou Rio-São Paulo, Copa dos Campeões, Taça Brasil, Copa do Brasil e Mundial de Clubes, sendo eleito o melhor jogador da competição em 2021. Por um detalhe não foi eleito o melhor do mundo à época.
– Eu estava no Flamengo Fu7 e um dos investidores do Flamengo começou a investir na Portuguesa-RJ. Ele perguntou se eu tinha desejo de voltar para o campo e eu disse que sim. Comecei a tomar gosto de novo pelo futebol. E foi assim. Estou aí até hoje. Em 2022 teria a eleição e já estavam me dando como melhor do mundo, mas voltei para o campo e não participei da eleição, porque era exclusivo para quem jogava só Fut7 – explica.
Netinho, meia da Ferroviária, fala sobre carreira no futebol, Fut7 e família
Na Portuguesa-RJ, atuando como segundo volante, fez 33 partidas, com um gol e uma assistência em 2022. No mesmo ano, foi para o Ipatinga-MG, com dois gols e uma assistência e sete jogos.
No ano seguinte, disputou a Série C pelo Botafogo-PB, com dois gols em 19 partidas. Na temporada passada, a primeira Série B, pelo Paysandu, além dos primeiros títulos no campo, sendo campeão paraense e da Copa Verde. Balançou as redes duas vezes e deu dois passes em 37 partidas.
– Eu acho que pelo Fut7 ser um jogo mais corrido, melhorou meu raciocínio no futebol, de raciocinar mais rápido, ter uma leitura mais rápida do que vai acontecer com ou sem a bola. No Fut7 são campos mais apertados e toda hora tem que estar com a cabeça no que vai fazer. Isso ajudou bastante – conta o jogador.
Netinho quando jogava Fut7 pelo Flamengo
Arquivo Pessoal
Golaços no Paulistão e vaga na Série B
Veja o gol de Netinho contra o Santos
Nesta temporada, um sonho realizado: o primeiro Paulistão da carreira. Contratado pelo Água Santa, fez onze jogos, deu uma assistência e fez dois golaços, contra Corinthians e Santos.
Veja o golaço de Netinho contra o Corinthians
O gol diante do Peixe, na Vila Belmiro, com Neymar em campo, concorreu ao prêmio de mais bonito no estadual, mas perdeu para o gol olímpico do craque santista.
– Foi uma surpresa muito grande. Nunca tinha jogado Paulistão. Individualmente foi um dos melhores campeonatos que já fiz. Foi uma surpresa muito boa, principalmente por fazer gols em times grandes, como Santos e Corinthians. Claro que queria buscar mais coisas como equipe, mas individualmente foi muito bom.
– É uma coisa que não dá para explicar. Só quem está lá dentro sabe o sentimento que é. Por ter feito os gols, é uma sensação maior ainda. Ainda mais no Santos, que foi no dia do aniversário da minha esposa e foi a primeira vez que meu filho entrou em campo. Só o cara que vive ali sabe descrever a sensação que é.
Netinho comemora gol pelo Água Santa contra o Santos no Paulistão 2025
Rafael Assunção/Ag. Paulistão
Apesar de ter se destacado, o time dele foi rebaixado. O desempenho, no entanto, rendeu uma nova chance a Netinho na Série B. Foi contratado pela Ferroviária, clube que retorna à segunda divisão nacional após 30 anos.
– O projeto é bom, os caras que gerem o clube são bastante correto e a Ferroviária está numa crescente boa. É um negócio para mim, para fazer um campeonato bom. A gente tem que aproveitar cada oportunidade que o futebol proporciona. Se eu tivesse outra cabeça quando parei, estaria em outros degraus. Mas tudo é no tempo de Deus. Parei, teve aquela pausa para refletir, fortalecer e voltar mais forte.
Netinho treinando na Ferroviária
Luis Miguel Ferreira / Ferroviária SAF
DNA no forró
José Domingos de Moraes Neto, o Netinho, carrega nada mais nada menos que o nome do avô, Dominguinhos, sanfoneiro, cantor e compositor nordestino, uma das referências brasileiras no forró.
Com contatos raros com o avô, o jogador compreende o tamanho de Dominguinhos na história da música brasileira, embora prefira outros gêneros e não saiba tocar instrumentos.
– Poucas pessoas sabem, porque eu quase não falo. Tinha mais contato quando ele ia para o Rio fazer shows. Meu pai trabalhava como produtor e a maioria das vezes estava com ele. Eu gosto muito de música, mas não sei tocar nada. Eu prefiro outro estilo, prefiro o pagode. As músicas do meu avô não são comigo não (risos), mas sei o tamanho dele, a importância dele. Ele não chegou a me ver jogando. Quando ele faleceu eu tinha 13 anos.
Netinho, Botafogo-PB, Botafogo, Dominguinhos
Acervo pessoal / Netinho